eSocial começa a valer para todas as empresas a partir de julho

A partir do dia 16 de julho, o eSocial valerá para as médias, pequenas e micro empresas, incluindo as MEIs que possuam empregados. Quando totalmente implementado, eSocial reunirá informações de mais de 44 milhões de trabalhadores. O eSocial é um sistema informatizado com o qual as empresas transmitirão ao Governo, de forma unificada, as informações relativas aos seus empregados. Em um segundo momento e seguindo um cronograma com datas específicas, elas deverão lançar o imposto retido na fonte e cumprir as obrigações trabalhistas previdenciárias.

Desde janeiro de 2018 o sistema já é utilizado por empresas com faturamento superior a R$78 milhões anuais. Já os órgãos públicos passam a utilizar o eSocial a partir de 14 de janeiro de 2019. O novo programa facilita a fiscalização do Estado e tende a impulsionar as contratações formais de trabalhadores, devido a algumas empresas estarem fora da lei irregulares, muitas vezes por desconhecerem, por exemplo, o Código Brasileiro de Ocupação (CBO), que identifica as ocupações no mercado de trabalho para fins de registro junto aos órgãos competentes. Isso inclui vagas para menores aprendizes e pessoas com deficiência.

“Muitos empresários desconhecem a lei ou como ela funciona. O eSocial vai impulsionar as contratações, pois fará um cruzamento de dados com os registros em carteira e a que não tiver com esta cota preenchida será multada automaticamente, obrigando-a a regulamentar sua situação”, afirma Fábio Fernandes, gerente de Recursos Humanos da ROIT Consultoria e Contabilidade.

Segundo Fernandes, é realizado um cálculo da cota destes funcionários. Para aprendizes é destinado 5% do total de vagas da empresa ocupadas por profissionais em funções operacionais. “Por exemplo, se a empresa possui 50 empregados em funções operacionais, então é necessária a contratação de três aprendizes, pois se arredonda este índice sempre para cima. O trabalho aqui é com carteira assinada”, explica.

Em relação às cotas para contratação de portadores de deficiência, seus indicadores variam: 2% (empresas com 100 a 200 funcionários), 3% (200 a 500 funcionários) e 4% de (500 a 1000 funcionários). Até 100 funcionários não há obrigatoriedade.

Outra novidade é que a partir do eSocial passa a ser obrigatória a declaração de estagiários como trabalhadores sem vínculo. “Uma empresa não precisa contratar estagiário se assim desejar, mas se assim o fizer será obrigatório incluir os dados destes no sistema”, afirma o gerente de RH da ROIT.

As cotas para estagiários são: empresas com até 5 funcionários podem contratar 1 estagiário; com 5 a 10 funcionários podem contratar 2 estagiários; com 10 a 25 funcionários podem contratar até 5 estagiários e nas que possuam mais 25 funcionários é possível contratar 20% deste quadro.

As multas para as empresas que descumprirem a lei são:

• PCDS: R$ 1.329,18 por empregado ou não empregado / situação irregular.

• APRENDIZ: R$ 402,53 por empregado ou não empregado / situação irregular.

• ESTÁGIO: R$ 402,53 por aquele estagiário que estiver em situação irregular.

Como implantar o e-social na sua empresa?

“A implantação do sistema deve acontecer com antecedência para haver tempo de possíveis correções de acordo com a legislação trabalhista”, orienta Lucas Ribeiro, da ROIT Consultoria de Contabilidade. Por isso, o mês de junho deve ser aproveitado para todo este processo interno de adequação.

Veja o passo a passo:

1. Primeiramente separe um tempo para ler e listar todas as obrigações a serem inseridas no sistema do governo

federal;
2. O próximo passo é contratar uma auditoria para verificar se tudo está conforme a legislação. Aproveite este momento para criar novas regras e procedimentos que visem a melhoria e o controle deste processo, que será permanente dentro da empresa;

3. Comece a cadastrar todos os funcionários, incluindo estagiários e menores aprendizes. É necessário realizar a Qualificação Cadastral, que está disponível no portal do eSocial, e poderá ser realizada em lote ou manualmente. A qualificação é a verificação cadastral dos dados do empregado junto à Caixa Econômica Federal, Previdência Social e Receita Federal do Brasil. Se algum dado estiver diferente em alguma dessas bases, este empregado não estará “qualificado”, não sendo possível seu envio;

4. Lembre-se de conferir as incidências das rubricas de folha, a tributação referente às RAT, FAP e CNAE, além de laudos relacionados à saúde e segurança do trabalhador.

Cronograma de implantação do e-social

Etapa 1 – Empresas com faturamento anual superior a R$ 78 milhões

Fase 1: Janeiro/18 – Apenas informações relativas às empresas, ou seja, cadastros do empregador e tabelas

Fase 2: Março/18: Nesta fase, empresas passam a ser obrigadas a enviar informações relativas aos trabalhadores e seus vínculos com as empresas (eventos não periódicos), como admissões, afastamentos e desligamentos

Fase 3: Maio/18: Torna-se obrigatório o envio das folhas de pagamento

Fase 4: Julho/18: Substituição da GFIP (Guia de Informações à Previdência Social) e compensação cruzada

Fase 5: Janeiro/19: Na última fase, deverão ser enviados os dados de segurança e saúde do trabalhador

Etapa 2 – Demais empresas privadas, incluindo Simples, MEIs e pessoas físicas (que possuam empregados)

Fase 1: Julho/18 – Apenas informações relativas às empresas, ou seja, cadastros do empregador e tabelas

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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