Grupo Risotolândia estuda possibilidade de ingressar no varejo com produtos congelados

Diversificar atividades é uma estratégia que vem sendo adotada por várias empresas ou grupos empresariais que visam o crescimento do negócio no mercado. A diversificação também pode ser uma ótima alternativa para agregar valor ao cliente e atrair novos negócios, criando diferenciais competitivos no mercado e ampliando o atendimento de outros públicos. E é isso que o grupo paranaense Risotolândia pretende fazer. Com 65 anos de atuação no mercado de alimentação, dos quais, 38 dedicados à cozinha industrial, a empresa estuda a possibilidade de ingressar no varejo com produtos congelados.
O diretor presidente do Grupo Risotolândia, Carlos Humberto de Souza, me disse que a empresa familiar vem crescendo bem acima da média nacional porque está buscando novos nichos de mercados e ampliando os negócios com a entrada em outros estados. Visando conquistar o consumidor que busca cada vez mais alimentos saudáveis, a Risotolândia deve lançar, em breve, no mercado varejista, marmitas congeladas.
No ano passado, a Risotolândia cresceu 12% e a expectativa para este ano é de crescimento de 8%. O grupo se divide em duas marcas, a Risotolândia Serviços Inteligentes de Alimentação, que atende obras públicas de grande porte, escolas, sistema carcerário e hospitais e a Risotolândia Restaurantes Corporativos, criada para fornecer refeições para indústrias com a montagem e administração de restaurantes dentro das unidades empresariais. Atualmente, 60% do faturamento do grupo vem do setor público e 40% do setor privado. Mas, a coordenadora de Marketing da empresa, Giuliane Souza, me explicou que o objetivo é inverter este porcentual, pois embora o mercado público seja grande é muito instável.

O número de refeições servidas diariamente pela Risotolândia impressiona. A empresa que conta com 4.700 colaboradores e processa diariamente 2.500 toneladas de alimentos, serve 550 mil refeições por dia, das quais, 200 mil são feitas na cozinha industrial em Araucária. A filial de São José dos Pinhais produz diariamente 28 mil refeições, que se destinam às penitenciárias e, inclusive, servem os presos da Lava Jato. Já nas 120 empresas privadas onde tem restaurantes, prepara e serve 80 mil refeições por dia.
No ano passado, o grupo entrou no setor de escolas privadas, que é considerado pela Risolotândia um mercado em crescimento, e também passou a fornecer refeições em hospitais através da Risotolândia Saúde. Para atender com excelência a diversidade dos serviços prestados, dos recém-nascidos aos médicos, a Risotolândia Saúde conta com marcas como a ‘Taste Room’ – um espaço pautado no conceito de ‘conforto médico’, focado em oferecer um ambiente requintado e confortável para os médicos fazerem suas refeições e relaxarem entre uma cirurgia e outra – e a “Primeiros Dias”, que atende os serviços de maternidade e lactários nos hospitais.
De acordo com o empresário Carlos Souza, as empresas não podem parar e acima de tudo devem ter criatividade para compensar o baixo crescimento da indústria.
Sede em Araucária
A matriz em Araucária conta com mais de 12.500 m2 de área construída. Tem uma infraestrutura de produção que comporta todas as refeições transportadas para a região, além de centralizar a estrutura que serve de suporte para os atendimentos em todas os demais estados.
Por mês, em média 370 mil km são rodados pelo Brasil para oferecer uma alimentação saudável e nutritiva com qualidade e segurança aos clientes. Segundo Carlos Humberto de Souza, toda a base seca sai de Araucária e o restante é entregue ponto a ponto, seguindo os rigorosos padrões de qualidade exigidos pelas certificações.
O grupo tem frota própria com 150 caminhões, que executam 94 rotas.

Faturamento
Este ano, o faturamento do Grupo Risotolândia, que atua nos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, deve somar R$ 400 milhões. Deste total, 3% ou R$ 12 milhões serão destinados para investimentos em maquinários, que contribuem para a segurança alimentar.
Projeto Liberdade Construída
Desde 2008, o Grupo Risotolândia emprega mão de obra pouco valorizada no Brasil: a presidiária. O projeto Liberdade Construída – realizado em parceria com a Secretária da Justiça e Cidadania e também com o Departamento Penitenciário Nacional (SEJU/DEPEN) – tem como objetivo diminuir o contato dos presos com o crime, melhorar seu comportamento dentro da penitenciária, além de promover a ressocialização, preparando-os para retornar ao mercado de trabalho.
Para os detentos essa é uma oportunidade de se capacitar e estar cada vez mais perto da vida em liberdade. “Se não oferecer oportunidade a pessoa pode voltar ao mundo do crime. Aqui, eles têm o aprendizado de um novo ofício, são úteis para o sistema e estão preparando sua reinserção na sociedade”, explica Carlos de Souza.
Os funcionários precisam estar em regime semiaberto e passam o dia na sede central da empresa trabalhando e à noite retornam ao presídio. Dessa forma, a cada três dias trabalhados eles têm um dia da sua pena reduzida, além da remuneração de 75% do salário mínimo nacional. Desde o começo da iniciativa, mais de, mais de 3,5 mil apenados do regime semiaberto participaram do programa.








