Na mira dos estrangeiros

Paulo Guilherme Coimbra.

Depois de vários anos em discussão no Congresso brasileiro, o governo editou este mês, por decreto, um novo regulamento para o Código de Mineração que deverá modernizar diversas disposições que disciplinam a atuação das empresas no setor de mineração. Além disso, já havia sido aprovado, no final do ano passado, um pacote de medidas de reformulação do setor mineral. Apesar de toda discussão no âmbito federal, foram validadas algumas questões importantes e outras ficaram de fora. Entre as mudanças, estão a criação de Agência Nacional de Mineração e alterações nas regras da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) – os chamados royalties da mineração.

Esses foram passos importantes para desbloquear uma das principais indústrias do país, que representa 4% do PIB nacional e é peça fundamental no crescimento econômico de muitos países. Rico em recursos naturais, o Brasil é um dos principais exportadores de minério de ferro do mundo, uma das principais commodities da pauta de exportações do Brasil, atendendo países como China e Estados Unidos.

Depois de mais de três anos com a indústria mineradora brasileira trabalhando em compasso de espera, o que vimos recentemente é que ela voltou a entrar na mira dos investidores estrangeiros que estão em busca de regras mais claras, bons ativos e estabilidade política. De 2015 até o primeiro trimestre de 2018, quase 40 deles realizaram fusões e aquisições com empresas brasileiras. O maior número de negócios fechados aconteceu em 2017, quando foram concretizadas 12 transações deste tipo, um recorde se compararmos com os dois anos anteriores que fecharam com oito em 2015 e com sete em 2016. Já o ano de 2018 começou com duas operações envolvendo o Canadá e os Estados Unidos, de um total de cinco realizadas nos primeiros três meses deste ano. Vale a pena lembrar que estamos nos referindo apenas às aquisições feitas por compradores de fora do país em companhias daqui.

Outro ponto que pudemos observar é que os canadenses são os que mais investem na mineração brasileira. Foram 11 compras nos últimos três anos, sendo cinco somente em 2017, ano em que as novas regras de mineração foram aprovadas e começaram a vigorar. Trata-se de um país onde a mineração é um dos principais pilares de sustentação e que também é referência global nessa indústria. No Brasil, há cerca de 60 empresas canadenses atuando em exploração, equipamentos e serviços e nas regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste, também Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Somente em 2017/2018, o investimento das três maiores empresas canadenses no Brasil devem chegar a mais de 810 milhões de dólares, segundo a Câmara de Comércio Brasil Canadá.

Em segundo lugar no ranking de estrangeiros comprando empresas brasileiras no setor de mineração, estão a Austrália, os Estados Unidos e o Reino Unido, cada um com quatro operações realizadas desde 2015. Na lista, constam ainda a Áustria, Japão, Holanda, Suíça e Emirados Árabes, com uma transação respectivamente.

Diferente dos setores de óleo e gás e energia elétrica, a participação dos chineses no Brasil foi bem tímida em mineração. Foi feita apenas uma compra em 2016. Não que mineração não seja estratégica para a segunda maior potência mundial, mas é que os chineses já são os maiores compradores de minério do Brasil. No ano passado, as exportações de minério de ferro para o país asiático totalizaram mais de 216 milhões de toneladas métricas, representando 61% do total das exportações brasileiras de minério de ferro, segundo o Ministério do Comércio e Desenvolvimento.

A forte entrada dos estrangeiros no setor de mineração no Brasil aconteceu por uma combinação de fatores como crescimento da economia mundial, aumento nos preços internacionais do minério, queda do real frente ao dólar e bons ativos brasileiros disponíveis. Por outro lado, não podemos deixar de apontar outros fatores importantes considerados potenciais riscos para os investidores, tais como a imprevisibilidade acerca do cenário político brasileiro e da manutenção da atual política favorável aos investimentos no setor, os desafios associados aos processos de licenciamento ambiental para novos projetos, bem como as deficiências de infraestrutura no país que podem comprometem o escoamento da produção mineral. Em meio a uma série de críticas a esse movimento, espera-se que essa nova realidade da indústria atinja alguns objetivos como criar iniciativas para estimular a indústria, dinamizar a economia e criar empregos para os brasileiros.

O artigo foi escrito por Paulo Guilherme Coimbra, que é sócio da KPMG e atua na área de fusões e aquisições em mineração e Ricardo Marques é sócio-diretor da KPMG e líder para o setor de mineração.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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