Cartórios têm papel fundamental na investigação de crimes de lavagem de dinheiro

Cartórios têm papel fundamental na investigação de crimes de lavagem de dinheiro

Os cartórios extrajudiciais têm papel fundamental na fiscalização de lavagem de capitais. A relevância do combate a esses crimes têm ganho destaque nos últimos anos. Somente a Operação Lava-Jato recuperou mais de R$ 12 bilhões aos cofres públicos desde o início de suas atividades em 2014. A falta de regulamentação específica para atuação de notários e registradores, que trabalham diariamente com diversas transações econômicas, é a única barreira para avanço do trabalho conjunto dos cartórios com as autoridades estatais neste tipo de investigação.

Enquanto a regulamentação não acontece, os cartórios continuam trabalhando para garantir a segurança jurídica dos processos, tendo a responsabilidade legal de impedir que uma das partes seja lesada na transação. “A participação dos cartórios no combate à lavagem de dinheiro é fundamental para o desenvolvimento da economia e da política deste país. Temos obrigação moral e legal de ajudar o poder público nessa questão”, analisa o presidente da Associação dos Notários e Registradores do Estado do Paraná (Anoreg-PR), Angelo Volpi Neto.

O combate à lavagem de capitais possui uma lógica investigativa própria, na qual se parte do benefício econômico e se busca o fato que o originou, ou seja, o crime que lhe é antecedente. Para isso, é importante que as autoridades investigativas sejam alimentadas por informações sobre atos suspeitos, não necessariamente criminosos, mas que chamem atenção por suas características incomuns. Por trás desses atos é que muitas vezes pode estar acontecendo um crime de lavagem de capitais.

“O notário e registrador muitas vezes é o primeiro a conseguir verificar uma situação irregular. Em uma transação imobiliária, por exemplo, em que haja sobrepreço na compra, é esse profissional que consegue logo no pedido de registro da propriedade descobrir a possibilidade de lavagem de dinheiro estar ocorrendo”, avalia o procurador da República, Rafael Brum Miron, que escreveu o livro “Notários e Registradores no combate à lavagem de dinheiro”, no qual aborda como esses profissionais podem ser grandes aliados no combate a esses crimes.

A Espanha é um país referência na atuação dos notários e registradores no auxílio ao combate à esses crimes. Neste país, esses profissionais são um dos principais atores privados em colaboração com as autoridades investigativas no envio de informações suspeitas. “Apesar de terem grande potencial, no Brasil os cartórios ainda não estão agregados a esse sistema por falta de regulamentação específica”, lembra Miron. Segundo ele, estruturas de dados como a Central Notarial de Serviços Eletrônicos Compartilhados (Censec), poderiam ser utilizadas para combater esse tipo de crimes.

“A importância da inserção dos cartórios no sistema brasileiro de prevenção e combate à lavagem de capitais é inegável, tanto que está sendo objeto de proposta do Ministério Público Federal para uma das metas da ENCCLA – Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e a Lavagem de Dinheiro – para o ano de 2019”, finaliza Miron. Para que os cartórios possam ter maior participação nessa atividade é preciso que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), instituição pública de fiscalização da atividade judicial no Brasil, regulamente a participação.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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