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Cenário macroeconômico prevê impacto nos preços de ativos

Os feriados no Brasil e no exterior ao longo desta semana não impedem a divulgação de diversos dados com potencial de impacto nos preços de ativos. No front externo, será possível verificar a evolução do PIB da União Europeia no segundo trimestre de 2018. Também serão divulgados os dados do mercado de trabalho da economia norte-americana, como o Relatório de Emprego, bem como dados de produtividade do trabalho. Já no Brasil, o IBOPE apresentará o resultado da pesquisa de intenções de voto para presidente. Serão divulgados também números importantes de índices de preço como o IC-Br (Índice de Commodities do Banco Central) e o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de agosto.

É importante reforçar que os dois índices de preços mencionados devem apresentar comportamentos distintos. O IC-Br, que expressa preços de commodities presentes no Índice de Preços ao Atacado (IPA), convertidos para real, deve apresentar alta de 29% na comparação interanual, desde 25,3% no mês anterior, conforme figura abaixo. Para tanto contribuem não apenas os preços das commodities, mas também a desvalorização cambial.

O mesmo não será observado na medição do IPCA do mês passado. Pelo contrário. A expectativa da MAPFRE Investimentos é de que a alta seja de 4,28% ante agosto de 2017, desde 4,48% na comparação interanual de junho. Ou seja, há desaceleração da inflação no varejo. Preços de bens duráveis, que comtemplam componentes importados, exibem desempenho próximo à estabilidade na comparação com o mesmo mês do ano de 2017, apesar da depreciação do real.

Há pelo menos duas interpretações derivadas dessa discrepância entre o IC-Br e o IPCA. Por um lado, essa disparidade denota contenção de preços no varejo, o que favorece o cumprimento da meta de inflação pelo Banco Central. Por outro, a não ser que essa disparidade esteja sendo compensada por maior produtividade ou redução de custos, ou ambos, o diagnóstico é de diminuição das margens de lucro das empresas, em especial daquelas dependentes de insumos, matérias-primas e componentes importados. Não vemos indicadores de aumento de produtividade na economia brasileira. A depender desse contexto, a recuperação do nível de atividade seguirá sendo mais um desejo do que uma realidade.

GESTÃO

A semana manteve o clima de nervosismo da anterior, com a tensão concentrada no mercado de câmbio, em especial dos países emergentes, que sofrem com a saída de recursos de economias desenvolvidas. A bola da vez novamente foi a Argentina, onde o Banco Central foi obrigado novamente, em reunião extraordinária, a aumentar a taxa de juro para o patamar de 60,0% a.a., maior do mundo.

A autoridade monetária argentina vem tomando medidas para tentar conter o fluxo de saída de recursos externos e segurar o câmbio, que atingiu sua máxima histórica de ARS 41,36 (no intraday) contra US$ 1. A brutal desvalorização da moeda do país e o atual patamar da taxa de juros terão forte impacto na atividade econômica do país e na inflação.

Isso acabou tendo influência em diversos mercados mundiais, em especial no Brasil. O real teve forte desvalorização frente ao dólar durante a semana, chegando a atingir a cotação de R$ 4,2133 durante o pregão de quinta-feira, maior patamar desde setembro de 2014. Todos os mercados locais foram afetados, com os juros futuros em forte alta e Bovespa com expressiva queda. Para a MAPFRE Investimentos, a volatilidade permanecerá elevada até pelo menos o final de outubro, com os desdobramentos das eleições presidenciais, independente do cenário externo.

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Mirian Gasparin
Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 44 anos na área de jornalismo, sendo 42 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 11 anos de blog, mais de 20 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 18 prêmios, com destaque para Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.
https://www.miriangasparin.com.br

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