Melhorando a gestão financeira dá para evitar o fiado e acabar com a inadimplência nas empresas

Melhorando a gestão financeira dá para evitar o fiado e acabar com a inadimplência nas empresas

A má gestão financeira é um dos principais motivos que tem levado as empresas a simplesmente fecharem suas portas ou terem suas falências decretadas. Por isso, os empresários devem ficar atentos para o fato de que não adianta só se preocupar em vender mais e sim em receber. Todos sabem que não é fácil negar algumas vendas, principalmente num momento de retração econômica. No entanto, é preciso ter coragem de dizer não, principalmente para os clientes que gostam de comprar, mas nem sempre querem pagar.

A título de ilustração, fiado vem da palavra confiado e também é sinônimo de insegurança. E onde predomina a insegurança, o negócio certamente fica comprometido.

Em uma conversa informal com o proprietário de uma pequena loja de confecções, ele me disse todo animado que seu objetivo era dobrar o faturamento no período de um ano. Para tal, não mediu esforços e conseguiu bater a meta, mas pouco tempo depois teve que fechar as portas, porque vendeu mal e não conseguiu receber. Para não repetir esse exemplo é fundamental fazer uma análise criteriosa de clientes, que aliás, é uma das atribuições do empreendedor que quer ter sucesso.

Um item que o empresário deve prestar atenção é o aviso de vencimento. Pesquisas mostram que entre os principais motivos pelos quais as pessoas não pagam as contas estão a falta de dinheiro ou simplesmente por que esqueceram de pagar ou então por que o boleto não chegou. A sugestão é criar um lembrete que pode ser enviado para o e-mail ou celular do cliente. Dessa forma, no dia do vencimento, o cliente é avisado, a desculpa do esqueci é eliminada e a inadimplência é evitada.

Outro atributo da gestão financeira é saber negociar. Se o cliente foi avisado e não pagou, não dá para ficar esperando. Então é bom pegar o telefone e ligar para saber o que aconteceu e, se for o caso, tentar receber de forma parcelada.

Parece curioso, mas uma outra forma de receber o fiado é continuar vendendo. E o especialista em vendas, Erik Pena dá um exemplo interessante. Se o cliente está devendo R$ 300,00 no seu comércio, e aparecer para comprar mais R$ 100,00, o lojista não deve deixar de vender. Mas, desde que o cliente pague à vista 150,00, ou seja, R$ 100,00 da compra à vista e R$ 50,00 referentes a conta anterior, mantendo, assim, o consumidor ativo e amortizando a dívida antiga.

Para quem vende no crediário e quer diminuir esse tipo de venda a prazo com maior risco de não receber, vale a pena apostar num preço diferenciado. Vamos imaginar uma camiseta que, no crediário, custa R$ 50,00, mas, se o cliente optar por pagar em dinheiro ou no cartão de crédito sairá por R$ 40,00. É uma forma de direcionar as vendas para um meio de pagamento mais seguro.

Por fim, para os clientes onde não houve êxito na cobrança, vale a pena tentar a ajuda no Juizado Especial Cível, ou seja, o famoso Pequenas Causas. Um conciliador irá chamar as partes envolvidas para tentar viabilizar um acordo. Diversos casos têm sido resolvidos em 90 ou no máximo 120 dias. E, se nada disso adiantou, a solução é negativar o cliente. O custo gira em torno de R$ 4. Dessa forma, quando o mau pagador precisar do nome limpo para comprar novamente, terá primeiro que pagar o que deve.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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