Antes de se transferirem para o exterior, empresas familiares devem prestar atenção à tributação 

Antes de se transferirem para o exterior, empresas familiares devem prestar atenção à tributação 

A crise econômica dos últimos anos e a instabilidade política fez com que muitas empresas brasileiras apostassem em oportunidades fora do país. Segundo levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV), o número de operações no exterior ligadas a companhias nacionais, que vão desde indústrias químicas a grifes de moda, passando por restaurantes e academias, cresceu 47% entre 2015 e 2018. Entre os principais destinos estão Portugal, França, Estados Unidos e Argentina.

Eu acabei de receber o Relatório Global de Monitoramento de Impostos sobre Empresas Familiares, feito pela consultoria KPMG, que chama a atenção para o fato de que, no caso de empresas familiares que planejam transferir os negócios de uma geração para outra, as despesas com impostos variam muito nos diferentes países. Alguns, por exemplo, oferecem incentivos fiscais para ajudar essas empresas a serem bem-sucedidas e crescerem. Já outros, tributam as transferências em família como em qualquer outra transação, gerando custos significativos.

De acordo com a Resolução 3854/2010 do Banco Central, é obrigatório que brasileiros declarem anualmente bens e capital que possuam fora do País avaliados em mais de US$ 100 mil. Quando este valor é ultrapassado, a periodicidade passa a ser trimestral. No caso de Portugal, que é hoje um dos destinos preferidos dos brasileiros, a pesquisa da KPMG destaca que este país aboliu o imposto sucessório e também o imposto sobre doações. Porém, em Portugal, é cobrado um imposto de 10% sobre transferências por morte e transferências vitalícias gratuitas, sendo que, para transferências onerosas ou doações de bens imóveis se aplica um imposto adicional de 0,8% ao valor da propriedade.

Agora, quando os destinatários são cônjuges, descendentes ou ascendentes de portugueses, as transferências por morte ou vitalícias estão isentas. Este estudo também destaca alguns exemplos que merecem atenção: Canadá e Venezuela estão entre os países que cobram os impostos mais elevados sobre transferências de empresas familiares; China, Nova Zelândia e Nigéria não cobram nenhum imposto especial sobre transferências. Por sua vez, os alívios fiscais para as transferências de empresas familiares nos Estados Unidos mais do que dobraram devido às recentes reformais fiscais.

Por fim, o relatório da KPMG explora ainda algumas tendências globais que devem alterar o panorama fiscal para as empresas familiares nos próximos anos, como por exemplo, o fato da economia informal estar sendo disseminada em muitos países poderá fazer com que muitas empresas familiares atuem fora das estruturas formais de negócios; já a longevidade crescente deve prejudicar os planos de sucessão, uma vez que os proprietários pretendem continuar ativos no negócio até uma idade mais avançada. Por sua vez, muitos millennials estão pensando globalmente e, em vez que assumir as empresas familiares, podem ter outras ideais sobre como o patrimônio deve ser empregado.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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