Melhora clima econômico nas maiores economias da América Latina

Melhora clima econômico nas maiores economias da América Latina

O Indicador Ifo/FGV de Clima Econômico (ICE) da América Latina — elaborado em parceria entre o Instituto alemão Ifo e a FGV — melhorou entre julho e outubro, embora continue registrando clima desfavorável com um saldo negativo de 10,7 pontos. A melhora foi puxada pelo Indicador das Expectativas (IE) que passou de um saldo zero para um positivo de 21,6 pontos. O Indicador da Situação Atual (ISA) também registrou uma melhora, mas foi de apenas de 1,7 pontos e permanece negativo, com saldo de 38,3 pontos.

O comportamento do clima econômico da América Latina não coincidiu com o do mundo que piorou, passando de um indicador com saldo positivo para um de saldo negativo (-2,2 pontos). É interessante notar que após julho 2013, o ICE da América Latina tem ficado negativo, exceto janeiro de 2018. Por outro lado, o ICE do mundo ficou positivo no mesmo período, exceto entre outubro de 2015 e outubro de 2016 e, agora, na Sondagem de outubro. O distanciamento dos resultados do ICE da América Latina e do Mundo sinaliza que fatores domésticos na região latina aumentaram o seu peso na determinação do clima econômico da região.

A piora do ICE do mundo não foi uniforme entre as maiores economias do mundo. Enquanto na União Europeia o ICE recua em 10,2 pontos na comparação dos saldos entre julho e outubro, nos Estados Unidos aumenta em 8,2 pontos e no Japão em 11,5 pontos. Observa-se que todas as economias antes citadas registram clima econômico favorável. No caso dos países que compõem o BRICS, todos apresentam clima econômico desfavorável, exceto a Índia, sendo o maior saldo negativo, o do Brasil (-33,8) seguido da África do Sul (-27,0). Em outubro apenas Brasil e África do Sul melhoraram o clima econômico.

Resultados para os países selecionados da América Latina

Os resultados do ICE para os países selecionados da América Latina levam a identificação de dois grupos. O primeiro composto pelas maiores economias da região – Brasil, México, Argentina, Colômbia, Chile e Peru – onde todos registraram melhora no clima econômico, exceto a Colômbia. Em adição, as três maiores economias (Brasil, México e Argentina) mostram clima econômico desfavorável e as outras três, clima positivo. Em outubro, o maior ICE foi o do Chile (44,4 pontos).

No Brasil, o ICE continua negativo desde julho de 2013, com um breve intervalo em janeiro de 2018, quando os principais institutos de pesquisa projetavam crescimento do PIB ao redor de 3% e possível aprovação da Reforma da Previdência. Ao logo dos meses seguintes, o reconhecimento da baixa probabilidade da aprovação da Reforma considerada fundamental para melhorar o déficit fiscal e a divulgação dos resultados do nível de atividade que sinalizavam um crescimento menor que o esperado no início do ano explicam a piora do clima econômico em abril e agosto. Além disso, as incertezas que rondavam a eleição presidencial contribuíram para um clima econômico desfavorável. A partir de setembro, entretanto, foi ficando claro que era quase certa a vitória do candidato com um programa mais afinado com as reformas econômicas, como a da previdência, tributária, privatizações e abertura comercial. Em outubro, com a eleição do novo presidente, o Indicador positivo das Expectativas melhorou e o ISA continuou negativo, mas recuou 10,2 pontos.

Na Argentina, durante o ano de 2017 e até abril de 2018, o ICE era positivo, embora com tendência de queda, desde outubro de 2017. Era esperado que as medidas tomadas pelo governo Macri conseguissem reverter o processo inflacionário e o país voltasse a crescer. No entanto, o colapso da safra agrícola junto com a forte desvalorização da moeda do país levou a uma reversão no sinal do ICE que passou de 10,7 pontos em abril para um saldo negativo de 51,3 pontos, em julho. Em junho o país obteve um empréstimo de US$ 50 bilhões do FMI, mas que não foi suficiente para reverter o quadro negativo da economia. Um novo empréstimo foi negociado no final de setembro, o que ajuda a explicar a melhora nas expectativas que passaram de um saldo negativo de 30 pontos para um positivo em 28,6 pontos o que levou a um recuo do ICE de 17,9 pontos, porém permanecendo com sinal negativo. A avaliação da situação atual piorou e, dadas as condicionalidades do acordo com o FMI, como zerar o déficit fiscal até 2020, o retorno a taxas positivas de crescimento econômico não deverão ocorrer no próximo ano.

Destacamos os casos do Brasil e a Argentina, onde fica clara a influência dos fatores domésticos para explicar a melhora do ICE.

Para a segunda maior economia da América Latina, ressalta-se o término das negociações da revisão do NAFTA (North American Free Trade Agreement) que passou a se chamar United States—Mexico- Canada Agreement (USMCA), no final de setembro. Esse resultado deve ter contribuído para a reversão no sinal do Indicador das Expectativas que passou de negativo (23,5 pontos) para positivo (5,9 pontos) puxando a melhora do ICE, que continua na zona desfavorável.

A melhora do clima econômico no Chile e no Peru foi liderada pelas expectativas positivas. Observa-se que a melhora no Chile se traduziu num aumento na projeção do crescimento do PIB para os próximos 3 a 5 anos, segundo os especialistas consultados pelo Instituto Ifo. Em outubro de 2017, essa projeção era de 3,2% e, agora passou para 3,6%. No caso do Peru foi mantida igual no valor de 3,9%. Na Colômbia, a piora do ICE foi de 2,7 pontos e liderada pelas expectativas que continuam com saldo positivo elevado (62,5 pontos), mas diminuíram em relação à Sondagem de julho. No tocante à projeção do crescimento do PIB, essa passou de 3,4% para 3,3%.

Para o grupo das economias menores, o ICE melhorou para o Equador, Paraguai e Uruguai, mas apenas o Paraguai apresenta saldo positivo. A melhora do Paraguai e Uruguai é influenciada pelos resultados do Brasil e da Argentina, que são importantes mercados para esses países. Na Bolívia, o clima econômico piorou, mas continuou favorável.

Em suma, a melhora do ICE da América Latina está fortemente relacionado aos resultados das 3 maiores economias que juntas explicam 72% do PIB da região. A Sondagem de outubro traz o ranking dos principais problemas que os especialistas apontam como obstáculos ao crescimento econômico. São considerados problemas relevantes, os que têm valor acima de 50 pontos e quanto maior a pontuação, mais relevante é o problema. Destacam-se por número de países que consideram os problemas relevantes: falta de inovação (em todos os 11 países selecionados); infraestrutura inadequada (9 países); corrupção (9); falta de competitividade internacional (9); falta de mão de obra qualificada (8); falta de confiança na política do governo (7); demanda insuficiente (7); barreiras ao investimento (7); desigualdade de renda (6); falta de capital (5); clima desfavorável para estrangeiros (4); instabilidade política (5); gerenciamento da dívida (3); barreiras às exportações (2); e, política do Banco Central (2).

Os principais obstáculos em quase todos os países, além da corrupção, são questões associadas às políticas de desenvolvimento/crescimento econômico como falta de inovação, infraestrutura e mão de obra qualificada que se refletem na falta de competitividade internacional.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *