Setor de papelcartão fecha 2018 com crescimento de 5%

Setor de papelcartão fecha 2018 com crescimento de 5%
Júlio Guimarães

Um segmento que passou ileso à crise econômica dos últimos anos foi o de papelcartão, utilizado para confeccionar caixas e embalagens de alimentos, cosméticos, medicamentos, bebidas, e até capas de livros. Em 2018, o mercado brasileiro de expedição de papelcartão deve registrar crescimento de 5% e as indústrias do setor estão bastante otimistas para os próximos anos. Eu conversei com o diretor comercial da Ibema, que é a terceira maior fabricante de papel para embalagens do Brasil, o executivo Júlio Guimarães, e ele me disse que desde a definição do novo governo, e com juros e inflação relativamente baixos, muitas empresas voltaram a anunciar diversos planos de investimentos em expansão. Esses movimentos, segundo o executivo, tendem a ajudar na redução das taxas de desemprego, que ainda estão em um nível elevado, e que afetam diretamente o consumo de produtos na ponta.

Três anos atrás, a paranaense Ibema, se associou à paulista Suzano, que é líder de mercado. De acordo com Júlio Guimarães, a associação tem trazido vários benefícios para a indústria paranaense de papelcartão, principalmente em relação a captação de recursos. É que junto com a Suzano, a credibilidade da Ibema se tornou mais atrativa, e está sendo possível captar recursos a taxas mais competitivas. Além disso, existem questões ligadas à sinergia de produção, pois a fábrica de Embu das Artes, que veio com a associação, tem uma máquina que permite criar e trabalhar com vários produtos de nicho. Outro ponto positivo foram os clientes, que viram a associação de forma positiva em relação ao futuro da companhia paranaense, que tende a atuar cada vez mais forte no mercado de embalagens.

Eu perguntei ao executivo da Ibema como está se comportando o mercado externo de papelcartão e ele me explicou que quando há muita instabilidade de câmbio, o efeito é o mesmo nas vendas. Ou seja, quando se exporta com um câmbio mais alto, os resultados tendem a ser melhores nas vendas, mas, pelo viés comercial, isso não é a única vertente a ser considerada. Isso porque, na América Latina, a moeda de alguns países, como o peso argentino, acabaram se desvalorizando muito em relação ao dólar. Com isso, os produtos exportados para a Argentina, que possuem referência nessa moeda, se tornaram muito caros, gerando grande impacto no custo produtivo de alguns setores e que não conseguiram ser repassados para a ponta na mesma velocidade. Para quem exporta, o risco aumenta, e as vendas tendem a diminuir. Diante dessa situação, Júlio Guimarães destaca que o crédito para exportar diminui e a seguradora de crédito faz restrições para evitar o aumento da inadimplência.

Eu também perguntei ao diretor da Ibema sobre qual é a cotação ideal do dólar, para que as exportações se tornem mais rentáveis e ele me respondeu que isso é muito relativo, pois é necessário fazer o balanceamento entre o efeito da receita em dólar comparando-se com o impacto de custos de importantes insumos que temos também na mesma moeda, e essa conta é muito afetada pelo mix de produtos vendidos. Quando o câmbio sobe, ele traz proteção de preço ao mercado doméstico, porque os produtos importados acabam chegando aqui num patamar um pouco mais alto. Na sua opinião, um câmbio em torno de R$ 3,50 é algo administrável tanto no viés preço quando no custo.

Quanto às maiores dificuldades que o setor enfrenta, Júlio Guimarães destaca que há pelo menos três elos nessa cadeia, começando pelo fabricante de papelcartão nacional. “Se você somar a capacidade produtiva dos principais players do Brasil, ela atende à demanda nacional e ainda sobra um porcentual representativo para exportação. Apesar de os produtores nacionais verticalizados serem muito competitivos com relação a custo de celulose, quando se olha exclusivamente a produção de papelcartão você tem máquinas maiores e mais tecnológicas em players internacionais, o que lhes dá escala e diferencial de custo nessa etapa do processo. Esse é um desafio ao produtor local, já que, para investir numa máquina nova, ele precisa basicamente fazer uma conta de payback para exportação”, ressalta.

Já o elo da cadeia do mercado gráfico é bem pulverizado, com muitas gráficas e oferta de hora/máquina maior que a demanda instalada no Brasil, justifica o diretor da Ibema. Por conta disso, esse elo é muito pressionado na ponta pelos grandes end users. Sabendo dessa sobra de capacidade, eles pressionam e tomam parte da margem desse elo gráfico. Por último, a parte de consumo de embalagem é muito ligada ao PIB. “Como passamos por um processo de recessão econômica, mudaram os hábitos de consumo, reduzindo a compra de itens não essenciais”, conclui.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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