Otimismo do empresário do comércio paranaense é o maior em nove anos

Os empresários do comércio de bens, serviços e turismo do Paraná estão bastante otimistas para esse ano. A Pesquisa de Opinião elaborada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR) mostra que 73,2% dos empresários do Estado esperam ter aumento nas vendas neste 1º semestre de 2019. É uma alta de 21 pontos percentuais em comparação à edição anterior da pesquisa, que era de 51,8% e fazia menção ao segundo semestre de 2018.
O indicador não chegava a este patamar desde o 1º semestre de 2011, quando as expectativas favoráveis chegaram a 80%. A mudança tão radical na opinião do empresariado paranaense é reflexo da esperança de melhora da economia em função dos novos governos federal e estadual.
Outro motivo para tanta animação entre os empresários é a retomada da confiança dos consumidores, que iniciaram o ano mais motivados a consumir. O indicador de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), elaborado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), teve elevação de 4,9% no primeiro mês de 2019, chegando ao melhor resultado em 11 meses.
Além disso, o varejo vem se recompondo desde 2017 e em 2018 deve apresentar o primeiro aumento real no volume de vendas. A Pesquisa Conjuntural da Fecomércio PR revela que até novembro o comércio do Estado cresceu 6,56%.
Comércio X Serviços X Turismo
Dentre os três setores representados pela Fecomércio PR, o comércio varejista possui o maior nível de confiança, com 76,4%. Na edição anterior da pesquisa, os varejistas com expectativas favoráveis correspondiam a 50,7%.
O setor de turismo concentra 74,1% de empresários otimistas, que apesar da oscilação cambial, mostraram maior ânimo do que na sondagem anterior (53,3%).
O setor de serviços possui 67,1% de empresários confiantes, ante 48,8% no 2º semestre de 2018.
Número de funcionários
Os empresários também pretendem contratar mais em 2019. A parcela de empresas que planeja aumentar o número de colaboradores passou de 12,6% no 2º semestre de 2018 para 26,6% neste semestre. Já 63,1% intencionam manter o quadro funcional e apenas 5,9% deverá reduzir sua força de trabalho. No 2º semestre do ano passado, a parcela de empresas que pretendiam fazer demissões era de 16,5%.
Dificuldades previstas
As preocupações dos empresários também tiveram mudança. Na edição anterior da pesquisa, a maior dificuldade relatada era a instabilidade econômica, que passou de 79,8% para 60% neste semestre. Atualmente, o empresariado se mostra mais preocupado com a carga tributária elevada (62%).
Novos investimentos
Os investimentos também devem ser ampliados. Conforme o estudo, 39,5% das empresas pretendem investir em seus negócios neste semestre, contra 26,9% na edição anterior. As principais áreas beneficiadas devem ser reforma e modernização das instalações (22,8%), capacitação da equipe (16,6%) e publicidade (15,8%). Aperfeiçoar a área de informática (11,3%), investir em nova linha de produtos (10,2%), e novos pontos de venda (9,8%) também devem ser alvo de investimentos.
As principais dificuldades
Para o consultor Leonardo Beling, a principal dificuldade do empreendedor é certamente implementar uma nova cultura organizacional. Adaptar o seu negócio atrelado à tecnologia, fugir do modelo de gestão vertical, e entender os comportamentos do seu público-alvo são algumas das árduas tarefas.
Além disso, na nova economia o empreendedor terá o desafio de liderar pessoas de uma forma diferente. “Nesta nova perspectiva econômica, o modelo CLT trabalhando 8 horas por dia está defasado. A nova regra é: gestão por resultado e produtividade. Desta forma, concede-se mais autonomia e flexibilidade para o colaborador, desde que os resultados sejam alcançados”, comenta.
Comportamento do consumidor
A Nova Economia torna o consumidor mais ágil, exigente e impaciente. Um exemplo perfeito disso é relação Táxi x Uber. Com a chegada do aplicativo, quase ninguém cogita chamar um taxista. A plataforma oferece um serviço mais rápido, mas fácil, mais moderno, com mais qualidade e mais barato.
No entanto, as empresas brasileiras ainda estão em um processo de transformação. “Apenas 5% do mercado brasileiro já se adaptou a esta nova realidade. Por isso, ainda há uma jornada longa de evolução e adaptação das organizações”, relata.








