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Varejo vê otimismo para este ano, mas vigor só deve vir em 2020

As definições com relação ao novo governo, com as diretrizes da nova equipe econômica, e o otimismo dos consumidores reforçam a expectativa dos empresários do setor varejista para este ano. Os indicadores observados no segundo semestre de 2018, em especial com relação a eventos como Black Friday, além do desempenho do próprio comércio apurado pelo IBGE na comparação com 2017, faz com que a expectativa seja positiva para 2019. Porém, o crescimento robusto só virá a partir de 2020.

“Há um otimismo em relação ao próximo ano. Esperamos que com as mudanças políticas as famílias se sintam mais confortáveis no consumo”, avalia Clóvis Sousa, fundador da floricultura Giuliana Flores. O empresário afirma que ao avaliar o comportamento do consumidor no ano de 2018, principalmente neste final de segundo semestre, é possível ver otimismo para o próximo ano. Com o aumento da confiança do consumidor na economia, os gastos das famílias devem gerar retornos positivos para os varejistas, segundo Sousa.

De acordo com a Fundação Getulio Vargas (FGV), a confiança do consumidor avançou para o maior nível desde julho de 2014. O índice medido pela instituição subiu 7,1 pontos em novembro, atingindo 93,2 pontos. É o segundo avanço mensal seguido do índice, que acumulou alta de 11,1 pontos no bimestre outubro/novembro, a maior da série histórica iniciada em setembro de 2005.

O empresário diz, porém, que ainda seguirá com cautela para o próximo ano. “Apesar de não acreditar que em 2019 seja possível um crescimento exponencial, considero que teremos números positivos em relação ao ano de 2018, e que será um ano de retomada e rumo a um crescimento mais significativo a partir de 2020”, diz o fundador da Giuliana Flores. Hoje com duas lojas físicas e 22 quiosques, o plano é continuar a expansão em 2019.

Os dados da última Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) divulgada na última semana pelo IBGE mostraram um ritmo ainda lento de recuperação. O comércio varejista nacional variou -0,4% em outubro comparado a setembro, na série com ajuste sazonal. A média móvel trimestral ficou estável em 0,1%. Na série sem ajuste sazonal, frente a outubro de 2017, o comércio varejista cresceu 1,9%. O acumulado no ano subiu 2,2% e o nos últimos 12 meses ficou praticamente estável, ao passar de 2,8% em setembro para 2,7% em outubro.

Na visão de Walter Sabini Junior, do grupo de investimento HiPartners Capital & Work, voltado para o varejo, e sócio-fundador da FX Retail Analytics, 2018 trazia uma expectativa que não foi correspondida. “Todos acreditavam que 2018 seria um ano melhor, mas não foi. Muitos enxugaram operações e fizeram contas miúdas”, afirma. O empresário acredita, porém, que as definições políticas trarão novo fôlego daqui para frente. “2019 promete ser um ano de muito investimento, fusões e aquisições, tanto oriundas do mercado interno, quanto externo”, avalia o empresário.

Sabini Junior aponta, porém, o desempenho do varejo na Black Friday, em especial no varejo físico. A partir da medição feita pela FX Retail Analytics em conjunto com a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), o fluxo nos centros de compras no País na data foi 4,5% superior ao do mesmo período de 2017, e 79% a mais do que um final de semana normal de outubro. “Ou seja, isso certamente é um indicador que já estimula o otimismo do varejista”, aponta.

Quem também acredita que o próximo será importante para pavimentar o caminho de retomada do varejo é Henrique Carbonell, sócio-fundador da plataforma Finanças 360º, especializada em gestão financeira para franqueados e pequenos varejistas. “O governo tem papel fundamental para que o otimismo perdure. É importante que se avance com a reforma da previdência e no corte de gastos”, afirma. Outra reforma que será preciso avançar é a tributária”, complementa.

O empresário, que também é franqueado de lojas do O Boticário, entende que, a despeito dos entraves observados em 2018, como a greve dos caminhoneiros, deve ocorrer uma retomada dos investimentos em 2019. “Nas conversas com lojistas e demais empresários do setor, está claro o otimismo e apetite por novos investimentos. Todos estão esperando resultados positivos para 2019”, diz Carbonell.

No mercado de capitais, as ações das empresas varejistas obtiveram os melhores resultados dentre as empresas listadas no Ibovespa no ano. Destaque para Magazine Luiza e B2W (dona do Submarino e da Americanas.com). Resultado da expansão do comércio eletrônico e da entrega de resultados financeiros acima do esperado pelo mercado. De acordo com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), o setor deve fechar 2018 com um crescimento de 15% ante o ano anterior, com R$ 68,8 bilhões em faturamento.

Mirian Gasparin
Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 44 anos na área de jornalismo, sendo 42 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 11 anos de blog, mais de 20 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 18 prêmios, com destaque para Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.
https://www.miriangasparin.com.br

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