Setor de tecnologia deve continuar ganhando maturidade para avançar com IoT em 2019

Setor de tecnologia deve continuar ganhando maturidade para avançar com IoT em 2019

Embora ainda engatinhando, o avanço da Internet das Coisas deve continuar seguindo forte em 2019. Iniciativas como discussões sobre a implantação da internet móvel de quinta geração (5G) e o aumento em investimentos em equipamentos IoT pelas empresas devem pavimentar a maturidade do uso dessa tecnologia para os próximos anos. Além disso, iniciativas governamentais para estímulo de ações e atração de investimentos devem seguir ganhando contornos neste ano.

De acordo com a consultoria IDC, 26% de um total de US$ 53 bilhões com gastos em tecnologia serão destinados para o segmento de Internet das Coisas. Isso deve representar um ganho de incentivo para o desenvolvimento da tecnologia, a partir de iniciativas já observadas no ano passado. “Em 2018, algumas associações e fóruns de Internet das Coisas fizeram um trabalho significativo na divulgação do Plano Nacional de Internet das Coisas e no fomento da comunidade em torno das tecnologias de IoT e Inteligência Artificial”, afirma Gabriel Dias, Head de IoT da Semantix, empresa especializada em Big Data Analytics.

É esperado que o plano de ação elaborado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o fortalecimento da tecnologia possa seguir avançando. De acordo com o banco de fomento, o benefício esperado para o país com a plataforma pode chegar a até R$ 200 bilhões em 2025 em quatro verticais: campo, cidades, indústria e saúde. “Em 2019, a tendência é que essas discussões passem a ser cada vez mais direcionadas para verticais diferentes, também fora dos setores industriais, como agronegócios, saúde, manufatura, entre outros”, ressalta Dias.

Tecnologia 5G
Ponto importante para o avanço da IoT no país, as discussões sobre como será o processo de implantação da tecnologia 5G devem esquentar, especialmente por parte de fornecedores de equipamentos e das operadoras de telecomunicações. As empresas brasileiras já comentaram que não pretendem correr com a implantação. Se depender da Telefônica Brasil, nem mesmo as frequências da nova geração de redes móveis devem ser alvo de leilão.

Mesmo em mercados maduros, como Coreia do Sul, Japão e Estados Unidos, a tecnologia ainda segue em fase embrionária. Porém, uma vez em operação, o avanço deve ser exponencial. Com o 5G, somente conexões de IoT celular ultrapassarão a marca de 4 bilhões até 2024, segundo o estudo Mobility Report da Ericsson. Internet das coisas e 5G estão diretamente ligados. “Empresas, centros de pesquisas e institutos internacionais de engenharia estão engajados para chegar em uma definição sobre os detalhes e especificações do padrão 5G em 2020”, afirma o executivo da Semantix. “Antes disso, em março deste ano, uma versão inicial do padrão deve ser proposta para testes em larga escala e algumas empresas já indicaram que devem começar a investir em projetos-pilotos no Brasil. Não há, porém, a pretensão de atingir escala comercial, que deve chegar apenas em 2021”, complementa.

Indústria 4.0
O avanço da tecnologia também tem por objetivo estimular o uso por parte da indústria para aumentar o seu grau de inovação e ganho competitivo. No fim do ano passado, entidades como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), o BNDES e a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) lançaram um edital para financiar a implantação da Internet das Coisas na chamada Indústria 4.0. A iniciativa oferece R$ 15 milhões às indústrias interessadas em promover a inovação no país.

A ideia do edital partiu de um estudo financiado pelo banco para a implantação da tecnologia no Brasil. O levantamento verificou o potencial aumento na produtividade, o que pode alavancar a lucratividade das indústrias. O impacto econômico estimado é de US$ 50 a 200 bilhões por ano, valor que representa cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB).

“Definitivamente, o Brasil tem um potencial maior do que outras economias quando o assunto é Indústria 4.0. Apesar dos avanços tecnológicos e modernização das máquinas nos últimos anos, a alta carga de impostos e a complexidade de importação de dispositivos físicos deixou grande parte das indústrias brasileiras aquém de outras economias mais abertas ao mercado internacional, como China e EUA”, aponta Dias, da Semantix.

O especialista afirma que a indústria 4.0 possui um pilar muito importante baseado em algoritmos de Inteligência Artificial. “Por esse motivo, as indústrias (principalmente multinacionais) podem esperar um avanço maior em suas plantas brasileiras do que em países que já possuem altíssimos níveis de produtividade e qualidade. Para que isso se torne realidade, as áreas de negócio das empresas precisam visualizar o potencial dos resultados que podem ser atingidos por projetos de IoT e Inteligência Artificial. Isso deve embasar decisões de investimento e modernização das indústrias”, pontua.

Novo momento do País
Especialistas avaliam que a evolução da Internet das Coisas no país depende, sobretudo, de mudanças na tributação. Eles também acreditam que é preciso assegurar a privacidade dos usuários para permitir o crescimento dessa tecnologia no Brasil. Nesse aspecto, a aprovação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), em 2018, fez a discussão sobre novos projetos também tomar um caráter legal sobre a responsabilidade da coleta, armazenamento e processamento de dados. A tendência é que essa discussão se estenda também em 2019.

Além disso, a mudança de viés programática verificada com o novo governo recém-empossado também pode servir como gatilho para o avanço em iniciativas e investimentos nesse sentido. “A nova equipe econômica tem propostas mais liberais e menos regulatórias que as anteriores. Consequentemente, podemos esperar destaque para os investimentos privados, que devem expandir e ganhar importância e força motivados pelos avanços tecnológicos que já começam a gerar resultados em países europeus, na China e nos EUA”, afirma Dias.

O surgimento de novas empresas, como startups, leva a Internet das Coisas a atingir um nível de maturidade potencializada por aplicações de algoritmos de Inteligência Artificial. “O aumento do número de startups brasileiras com projetos IoT e o investimento de grandes empresas em iniciativas de Indústria 4.0 indicam que projetos maiores devem se tornar realidade já em 2019. O Brasil tem potencial de criar cases de sucesso e se tornar referência no cenário internacional e as grandes empresas já começam a enxergar essa oportunidade”, complementa o executivo da Semantix.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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