Avanço da indústria de gestão de recursos gera ganho adicional de 1,36% ao PIB brasileiro em cinco anos

Avanço da indústria de gestão de recursos gera ganho adicional de 1,36% ao PIB brasileiro em cinco anos

A expansão da base de ativos da economia brasileira e o consequente avanço da indústria de gestão de investimentos contribuem para o aumento do PIB (Produto Interno Bruto), para a geração de empregos e para a arrecadação de impostos. É o que mostra estudo que a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) apresentou nesta quarta-feira (24) no 10º Congresso de Fundos de Investimento. O levantamento também é base para uma agenda de medidas que a entidade lidera entre este e o próximo ano, com o objetivo de responder a uma série de desafios que a atual conjuntura impõe à indústria.

O estudo aponta que, mantidas as atuais perspectivas para o cenário econômico e aprovada a reforma da previdência, a base de ativos da economia brasileira terá um aumento médio anual de 6,1% até 2023. Esse avanço poderá contribuir para um ganho adicional acumulado de 1,36% ao resultado do PIB (acréscimo anual de 0,27%) no mesmo período. O incremento equivale a uma contribuição de 10% no crescimento esperado para o indicador nos próximos cinco anos, que é de 13,2%, de acordo com os cálculos do Comitê de Acompanhamento Macroeconômico da Anbima.

O efeito multiplicador desse avanço alcança a geração de empregos: 402 mil vagas adicionais seriam criadas até 2023, o que equivale a média de 80 mil novos postos de trabalho por ano. Na arrecadação de impostos, o incremento chegaria a 1,53% (alta média anual de 0,30%) nesses cinco anos.

“O crescimento da base de ativos e o desenvolvimento da indústria de investimentos beneficiam todo o ecossistema da economia brasileira. Ganham os investidores, com uma gama de opções que melhor se adequem às suas necessidades de prazo, risco e retorno; ganham as empresas, com mais uma fonte de recursos; e ganham os gestores, com diversidade para a composição das carteiras. E, mais importante, ganha toda a sociedade, com os impactos positivos desse avanço sobre o país”, afirma Carlos Ambrósio, presidente da Anbima.

Segundo o estudo, o aumento da base virá acompanhado de uma mudança na composição das carteiras dos investidores, fruto do crescimento do estoque de ações e debêntures. Ao mesmo tempo, o material aponta que a emissão de títulos públicos poderá decair, dada a menor necessidade de financiamento da dívida pública.

Tendências mundiais e agenda Anbima

Em paralelo aos impactos sobre os indicadores econômicos, o estudo da Anbima analisou os principais mercados internacionais para identificar as grandes tendências mundiais para a indústria de gestão de recursos. Elas são cinco: o movimento global de migração das aplicações para ativos de maior valor agregado; o maior protagonismo dos investidores; a busca dos clientes por um relacionamento mais independente e digital com as instituições; o suitability como diferencial competitivo; e a adoção de novas tecnologias para melhorar a eficiência. O estudo relaciona essas tendências aos desafios impostos ao mercado local e lista as medidas necessárias para respondê-los.

A tendência de mobilização dos gestores para entregar as melhores rentabilidades a partir de ativos de maior valor agregado é um movimento que tende a se expandir com as perspectivas de juros baixos em curto e médio prazos em todo o mundo. Isso tem contribuído para a procura pelos fundos estruturados, que ainda enfrentam entraves regulatórios no Brasil. Para destravar esse mercado, as propostas da Anbima incluem alterações nas regulações dos FIDCs (Fundos de Investimento em Direito Creditório) e dos FIIs (Fundos de Investimento Imobiliário), por exemplo. Além disso, a agenda prevê estudos para avaliar a possível criação de um novo produto de investimento que reduza custos e promova maior eficiência à indústria.

A posição do investidor assumindo cada vez mais o protagonismo em suas decisões de financeiras impõe às instituições a necessidade de reavaliarem a comunicação com esse agente. Entre as iniciativas lideradas pela Anbima está uma proposta de revisão de toda a documentação dos fundos de investimento.

A necessidade de rever o uso do suitability para além de uma obrigação regulatória também é um desafio para a indústria brasileira de gestão de recursos: verificou-se que em mercados mais desenvolvidos, o suitability é aplicado como um diferencial competitivo, considerando uma visão completa do cliente, que inclui informações sobre estado de saúde, hobbies, projetos de vida, prioridades e demais aspectos que influenciam as decisões sobre investimentos. Esta, aliada à última tendência encontrada no levantamento sobre a inovação como base para ganhos de eficiência, expõe os desafios locais de fomento à tecnologia para a simplificação de processos e a redução dos custos de observância.

“Com o estudo identificamos que o aumento da base de ativos do nosso mercado depende de uma combinação de fatores, que envolve o crescimento econômico e ações decisivas por parte da indústria de gestão de recursos, do governo e das entidades representativas do setor. Entendemos que é dever da ANBIMA liderar iniciativas como as que definimos em nossa agenda”, conclui Ambrósio.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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