Brasil lidera a piora do clima econômico na América Latina

Brasil lidera a piora do clima econômico na América Latina

Na Sondagem Econômica da América Latina referente ao mês de janeiro de 2019 e divulgada em fevereiro foi destacada a liderança do Brasil na melhora do clima econômico da região. O cenário mudou. O Indicador Ifo/FGV de Clima Econômico (ICE) da América Latina— elaborado em parceria entre o Instituto alemão Ifo e a FGV — após dois trimestres consecutivos de recuperação recuou ao passar de 9,1 pontos negativos para 21,1 pontos negativos entre janeiro e abril de 2019. A deterioração do índice foi influenciada pela queda do Indicador da Situação Atual (ISA) e do Indicador das Expectativas (IE). O Indicador das Expectativas (IE) caiu 15,8 pontos ao passar de 25,0 para 9,2 pontos no mesmo período ainda permanece na zona favorável. Já, o Indicador da Situação Atual (ISA) apresentou queda menor, de 9,0 pontos, permanecendo com saldo de respostas negativo.

A queda do ICE da América Latina foi influenciada pela piora dos indicadores do Brasil e do México, considerando que o resultado dos indicadores é ponderado pela participação do PIB de cada país (produto interno bruto), e que juntos são responsáveis por 63% do resultado agregado América Latina. O ICE do Brasil recuou de 3,6 pontos positivos para 21,1 pontos negativos entre janeiro e abril de 2019. Essa devolução é explicada pela deterioração nas expectativas, considerando que o IE caiu 31,7 pontos, mas ainda se mantém positivo, e do ISA com recuo de 19,0 pontos. O nível do ICE do México é menor, mas na comparação com o Brasil a queda entre janeiro e abril foi menor ao recuar de 41,9 negativos para 43,7 pontos negativos.

Em sentido oposto ao da América Latina e ao resultado de janeiro, o Índice de Clima Econômico (ICE) do mundo melhorou liderado pelas expectativas e acompanhado de uma pequena piora na avaliação da situação atual. Os resultados do mês de abril confirmam uma tendência iniciada em abril de 2013 —o ICE da América Latina sempre abaixo do ICE do mundo — e, que só foi interrompida em janeiro de 2019.

Após a piora do clima econômico entre outubro de 2018 e janeiro de 2019 na União Europeia, nos Estados Unidos, no Japão, na Alemanha, França e Reino Unido, houve recuperação do ICE em todos esses países, exceto no Japão. A recuperação do clima econômico é influenciada também pelo cenário mais favorável das expectativas, considerando um arrefecimento da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China e das perspectivas de que não haja aumento na taxa de juros do Estados Unidos nos próximos meses segundo os especialistas consultados pelo Ifo.

No caso dos BRICS, foi registrada melhora do clima econômico da Índia, Rússia e China, embora esses dois últimos países continuem numa zona de avaliação desfavorável. O pior ICE é o da África do Sul, que piora desde julho de 2018, seguido pelo Brasil, que após uma sequência de resultados negativos desde abril de 2018, registrou um momento positivo, em janeiro de 2019.

Resultados para os países selecionados da AL e os principais problemas

O ICE melhorou apenas na Colômbia e Peru registrando em ambos os casos recuperação das expectativas e da avaliação sobre a situação atual. Nos demais países, houve piora do clima econômico, com exceção do Equador que não registrou nenhuma mudança. Ressalta-se que, apesar da piora no ICE, Chile e Paraguai, ao lado da Colômbia e do Peru são os únicos países que estão em zona de avaliação favorável.

Em abril é realizada a enquete sobre os principais problemas que os analistas consideram que limitam o atual crescimento dos países. A tabela ordena os problemas pela ordem de importância para o resultado agregado da América Latina. O verde mais escuro é o principal problema (corrupção), seguido da infraestrutura inadequada (verde menos escuro) e falta de inovação (o verde mais claro). Como é esperado, dada a ponderação pelo PIB, os principais problemas da América Latina coincidem com os do Brasil. Observa-se que como o percentual de 100% no Brasil vale tanto para corrupção como para a infraestrutura, consideramos os dois problemas com a mesma cor e, além da infraestrutura inadequada e a falta de inovação, o quarto problemas são as barreiras legais e administrativas aos investidores.

Definimos problemas relevantes como aqueles que mais de 50% dos especialistas apontaram como limitação. Nesse caso os problemas com o maior número de incidência de respostas nos países foram: falta de inovação (11 países); infraestrutura inadequada (10); falta de mão de obra qualificada (10); falta de competitividade internacional (9); falta de confiança na política econômica (8); corrupção (8); barreiras legais e administrativas para os investidores (8); aumento da desigualdade de renda (7); demanda insuficiente (7); instabilidade política (4); clima desfavorável para estrangeiros (4); falta de capital (4); falta de credibilidade da política do Banco Central (4); barreiras às exportações (3); e, gerenciamento ineficiente da dívida (3).

Os principais problemas estão, portanto, associados à questão da produtividade e competitividade dos países, como os três primeiros citados. Salienta-se, ademais, que os países com melhor avaliação do clima econômico e que tem registrado nos últimos anos um crescimento positivo e estável, como o Peru e a Colômbia, apresentam percentuais elevados de corrupção, falta de inovação e de infraestrutura. Logo outros fatores como abertura de mercados, previsibilidade de regras via acordos assinados com a União Europeia, Estados Unidos, histórico de baixa inflação, entre outros, podem influenciar esse resultado. No entanto, fica claro pela pesquisa Ifo que problemas estruturais afetam a competitividade internacional dos países latinos.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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