Perspectivas altistas para inflação este ano

Os resultados econômicos do Brasil no primeiro trimestre frustraram as expectativas do mercado. Segundo análise feita pela Mapfre Investimentos S/A as projeções macroeconômicas foram revisadas sucessivamente, sempre com viés pessimista. Projeções que, até as últimas coletas, não demonstravam recuperação. Para a retomada do nível de atividade, a inflação tem papel importante porque uma evolução indesejada do IPCA inviabiliza a política monetária expansionista.
Neste contexto, o desempenho de alguns preços é determinante para que o Banco Central cumpra a função primária de buscar o centro da meta de inflação, fixado em 4,25% neste ano. Entre eles, destacam-se os de combustíveis e a energia elétrica. As surpresas inflacionárias advindas de ambos os itens podem ser positivas ou negativas, mas diante do cenário atual, o risco de sermos surpreendidos negativamente é mais elevado, a começar pela energia elétrica.
O ano iniciou com a bandeira verde no caso das tarifas de energia elétrica. Isto significa que qualquer resultado diferente, ao findar 2019, implica em mais inflação. Somado a isto, a Aneel propôs um reajuste tarifário no sistema de bandeiras. Caso seja aprovado, a taxação excedente poderá variar entre 16% e 50%, de acordo com a bandeira.
Os preços dos combustíveis também podem surpreender. Segundo o FMI, o petróleo deve ficar aproximadamente 13% mais barato neste ano. O que tem acontecido, todavia, é exatamente o oposto. No acumulado dos quatro primeiros meses, os preços do petróleo Brent foram reajustados em mais de 20%. Isto sem levar em conta a variação cambial. Para mapear o efeito destes preços no IPCA, foram estressadas variáveis de combustíveis e energia elétrica. A Mapfre Investimentos S/A Identificou as trajetórias abaixo.
No cenário que se desenha, as surpresas positivas, além de deslocarem a curva da projeção inicial com menos intensidade, estão mais distantes de acontecer. Já as surpresas negativas, que pareciam pouco prováveis no início do ano, ganharam força.
O Banco Central intervém, por meio de taxa de juros, para conter os efeitos secundários de um choque inicial. É verdade que a variação pontual destes itens não é suficiente para a autoridade monetária elevar a taxa Selic, algo que seria danoso para a atividade econômica. Por outro lado, A Mapfre Investimentos acredita que novas reduções de taxa Selic encontram cada vez menos espaço.
Sob a fumaça de Brasília mercados andam de lado, a reboque dos EUA
Após atingir os 100 mil pontos no início de março, o Ibovespa não foi mais o mesmo. Pressionado pelos reveses da articulação política do Planalto na reforma da previdência e os contínuos atrasos em sua tramitação em meio a um deserto de notícias positivas quanto ao desempenho da economia, o índice acionário seguiu à deriva e andou ‘de lado’, com sessões positivas cada vez mais dependentes do noticiário no cenário externo.
Para qualquer indicador de atividade que se olhe (PIB, Vendas, criação de postos de trabalho), as leituras seguem negativas e com viés de deterioração na margem, indicando grandes chances de mais um ‘ano perdido’, a exemplo de 2017 e 2018. Idem para inflação, que assiste a um repique pontual puxado pelos preços de energia e alimentos, este último capitaneado por um choque externo vindo da China, vítima de uma epidemia de gripe suína que espera-se venha dizimar entre um quarto e um terço de seu plantel.
Todo o viés altista dos mercados verificado no início do ano se esvaiu sob o peso da realidade política de que a reforma possível será distante da ideal, de que a demanda e o consumo seguem à míngua frente ao alto nível de desemprego e que a enorme capacidade ociosa do setor produtivo deverá ser ocupada antes que os investimentos reajam com maior intensidade.
No cenário externo, ao contrário, os receios de uma desaceleração global sincronizada foram rapidamente substituídos em face dos fortes números do PIB dos EUA no primeiro trimestre – com crescimento anualizado superior a 3% e abertura de postos de trabalho bem acima do esperado, levando a taxa de desemprego a 3,6%, em seu menor nível em uma geração. Já na China, a rodada de estímulos fiscais e monetários promovidos desde o final do ano passado começou a surtir efeitos, logrando sustentar o nível de atividade em níveis adequados e afastando os prospectos de um crash landing.
Como contraponto, a ameaça do presidente Donald Trump de sobretaxação adicional de produtos da pauta de exportações chinesa incorpora considerável fator de incerteza sobre o êxito das atuais negociações comerciais, deflagrando um sell-off nos ativos de risco globais. Nesse sentido, a proximidade do índice composto MSCI All Country de suas máximas desde agosto de 2018, com destaque para os índices acionários americanos, introduz a nosso ver uma relação assimétrica de risco e retorno no curtíssimo prazo, com novas altas condicionadas a lucros corporativos crescentes e um patamar de valuation menos ‘esticado’ para padrões históricos.
Em relação à performance dos fundos administrados pela MAPFRE Investimentos, a carteira de renda fixa seguiu se beneficiando do fechamento da curva de juros e da devolução de prêmios, apesar da considerável volatilidade verificada no período, especialmente do dólar. Na renda variável, em abril a performance foi inferior à dos índices de referência, devido ao fluxo negativo de notícias no segmento de concessões, resultados corporativos abaixo do esperado e adiamento pontual de eventos corporativos relevantes para a maturação de nossas teses de investimento, porém sem mudanças materiais nos fundamentos.
Para os próximos meses, a Mapfre Investimentos avalia com interesse as medidas do governo federal em gestação em diversos mercados, que se confirmadas podem abrir um leque de novas oportunidades no segmento industrial, com reflexos nos investimentos, na atividade econômica e nos ativos de renda variável, assim como a tramitação da reforma da previdência vis-a-vis a dinâmica inflacionária.








