Custo benefício e greve de caminhoneiros fazem cabotagem crescer entre importadoras brasileiras

A greve dos caminhoneiros, ocorrida há cerca de um ano, ainda tem resquícios entre as empresas brasileiras. Mais do que uma crise – desencadeada pela alta no preço do diesel – houve também um consenso de que depender de apenas um tipo de transporte poderia ser extremamente nocivo ao funcionamento do comércio nacional. Com uma malha ferroviária ainda incipiente, houve a necessidade de buscar em outro cenário uma alternativa ao frete rodoviário: a cabotagem, serviço que cresceu 18% neste período, segundo levantamento do Ilos (Instituto de Logística e Supply Chain). Nessa opção, parte da logística é realizada por meios marítimos.

Para Kleber Ronkoski, diretor de marketing e vendas da La Violetera – importadora de alimentos paranaense que existe desde 1928 e transporta 1500 toneladas por mês em todo o território nacional – o serviço tem sido essencial também, para a redução no custo de frete. “O principal benefício está no custo do frete”, aponta, “comparado com o rodoviário, temos em média um ganho de 40% no custo total, considerando carga fechada. Em Manaus, por exemplo, o ganho é ainda maior”.
Já Juarez Martins, responsável pela logística da importadora, aponta outro benefício: o fluxo de informações. “Uma vez que trabalhamos com operadores multinacionais, isso torna nosso sistema muito preciso”, diz.
Como todo serviço com um crescimento inesperado em pouco tempo, a cabotagem também enfrenta alguns empecilhos: a liberação de documentação pode levar até 72h, em alguns casos, quando é necessária a intervenção da Secretaria de Estado da Fazenda (SEFAZ). “Isso acontece por conta do tempo de desembaraço aduaneiro, pois dependemos dos órgãos oficiais para seguir com a viagem”, critica Martins.
Navios também acabam sendo mais custosos que caminhões, o que acaba limitando o investimento de empresas na aquisição de equipamentos. Por outro lado, o potencial de crescimento também está relacionado ao fato dos pontos de entrega no Brasil serem perto de regiões costeiras e portos. “Esse é um fator primordial quando os valores das tarifas são feitos: quanto mais distante do porto, mais a malha rodoviária acaba encarecendo as tarifas”, aponta Martins. “Para nós da La Violetera, vale muito a pena quando fazemos entregas em cidades próximas ao porto, como Salvador, Recife, Fortaleza e Manaus”, completa Ronkoski.
Como destaque dos principais benefícios estão a segurança e pontualidade. Segurança em saber que a partir do momento em que o navio está curso, não existe a preocupação de uma interceptação para roubo de carga, que é um grande risco no transporte rodoviário principalmente quando falamos de grandes distâncias. “Outra questão é o menor risco de avarias: quando nós utilizamos o transporte rodoviário, estamos falamos de dois ou três mil quilômetros e, assim, o risco de acontecer alguma avaria é muito alto, principalmente pela má conservação das nossas estradas na Região Nordeste. Claro que podem ocorrer avarias na cabotagem, mas com um índice muito menor”, avalia Ronkoski, “há uma preocupação por parte da nossa logística e parceiros na paletização e forma de carregamento dos containers, considerando o tipo de embalagem a ser carregado. Do ponto de vista comercial a redução de avarias é um ganho junto aos nossos clientes”, completa.
O projeto da cabotagem na La Violetera vem sendo construído há, aproximadamente, um ano e foi identificado que o ganho com esse modal é muito grande. O projeto alocou esforços da diretoria de operações e também da diretoria comercial, visto que hoje, o frete é um fator determinante no custo do produto.








