5 motivos para tomar cuidado com meritocracia e motivação financeira

“O conceito de meritocracia dentro de uma empresa, apesar de belo no discurso, falha miseravelmente na prática”. Por essa os empresários não esperavam! Segundo a ciência e as constatações descritas pelo consultor, palestrante e professor Luiz Gaziri, a motivação pelo dinheiro é algo que requer cuidado redobrado. No livro A Ciência da Felicidade, publicado no Brasil pela Faro Editorial, o consultor traça cinco motivos para as corporações abolirem ou, então, usar com muito mais cautela esse tipo de ferramenta motivacional.
1 – Fatores externos: Em ambientes de trabalho cada vez mais complexos, dificilmente o desempenho de um funcionário depende apenas da sua dedicação e do seu esforço. Não que esses fatores não sejam importantes, mas hoje a performance de um funcionário depende muito mais de fatores que fogem ao seu controle. Tais como: estado da economia, qualidade dos produtos e serviços da empresa, condições de pagamento, logística, política de crédito, avanços tecnológicos, eficiência de outros setores da empresa, clima, preço, movimentação dos concorrentes, entre outros fatores.
2 – Trabalho em equipe torna-se praticamente impossível: No mundo corporativo, executivos gostam de adotar discursos que enfatizam como em suas empresas o trabalho em equipe é um dos comportamentos mais valorizados, enquanto pagam comissões, bônus, prêmios e participação nos lucros. Nos ambientes invadidos pelos modismos do pagamento por performance e da meritocracia, na qual os indivíduos são pagos, promovidos ou demitidos de acordo com a sua performance individual, o trabalho em equipe torna-se praticamente impossível. “Mérito se conquista em grupo, não individualmente”, alfineta.
3 – Menos disposição para ajudar: Nos mais diversos experimentos que utilizaram estímulos com “dinheiro”, os participantes demoraram mais tempo para pedir ajuda em uma tarefa difícil. A tendência é também passarem menos tempo ajudando um colega durante o trabalho, doarem menos dinheiro, sentarem-se mais longe dos demais, escolherem experiências individuais em vez atividades que várias pessoas poderiam se divertir e, finalmente, optarem por trabalhar sozinhos.
4 – Produção de comportamentos inadequados: Se apenas pensar em dinheiro já produz condutas impróprias, ver uma grande quantidade dele resulta em consequências ainda mais graves, segundo pesquisadores de Harvard e da Universidade de Washington. No experimento, antes de fazer uma tarefa, um grupo de participantes visualizava um maço de notas que somavam US$ 24, e outro grupo olhava para US$ 7 mil em vários maços. O resultado foi que 85,2% das pessoas do grupo que visualizou uma grande quantidade de dinheiro trapacearam na tarefa, contra apenas 38,5% do grupo que viu uma pequena quantidade de dinheiro.
5 – Estímulo a agressividade: Em um estudo ainda não publicado, o professor da Universidade da Califórnia em Irvine, Paul Piff, orientou dois alunos a rivalizarem em uma partida do jogo de tabuleiro Monopoly. Depois de tirar cara ou coroa, um deles ganhava US$ 2 mil na largada com um bônus adicional de US$ 200,00 a cada volta no tabuleiro, enquanto o outro recebia US$ 1 mil no início, e o bônus de US$ 100,00. O aluno na condição “rica” podia jogar dois dados, assim andando mais rápido no tabuleiro; o outro podia jogar apenas um. O resultado foi que, em diversas rodadas, os participantes colocados na condição privilegiada agiam de forma mais agressiva: moviam suas peças fazendo mais barulho, usavam posturas expansivas e de poder, eram agressivos, rudes, competitivos e passavam a desprezar os participantes “pobres”, evitando o contato visual.








