Preço deixa de ser único fator de decisão na escolha de fornecedores de combustíveis

Preço deixa de ser único fator de decisão na escolha de fornecedores de combustíveis

A A.T. Kearney, consultoria global de gestão estratégica, acaba de divulgar os resultados de uma recente análise do mercado brasileiro de downstream O levantamento ouviu representantes das principais distribuidoras de combustíveis do país e identificou os atributos considerados na hora de escolher seus fornecedores. Com a potencial abertura do mercado, os parâmetros mudam e, a partir da expectativa por aumento de opções, as distribuidoras darão preferência a parâmetros como disponibilidade de produto, qualidade e preço. Além disso, o estudo aponta as expectativas das distribuidoras em relação à abertura do refino no país.

De acordo com a análise, o preço continua tendo muita influência nas decisões, sendo citado por 100% dos entrevistados. Mas, com a abertura do refino, as distribuidoras buscarão refinadoras com estruturas comerciais dedicadas. “Em cadeias de margens apertadas, o preço sempre será o principal fator de decisão. No entanto, manter estrutura dedicada é importante para garantir agilidade na resposta dos fornecedores”, analisa Sérgio Eminente, principal da A.T. Kearney Brasil especializado no mercado de Oil & Gas e um dos responsáveis pelo estudo.

Outros dois fatores apontados como críticos por todos os entrevistados foram a flexibilidade de contratos e a disponibilidade de produto, fundamentais para garantir a venda em uma dinâmica em que o cliente não é fidelizado a postos específicos.

Entrega por dutos, abrangência nacional e multimodalidade de entrega também foram citados pelos entrevistados. “A abrangência nacional é relevante para permitir transferência de produtos e flexibilidade na logística, e as empresas com essa característica e altos volumes requerem integração dutoviária”, explica Bruna Viersa, especialista em Oil & Gas da A.T. Kearney e uma das autoras do estudo.

Redesenho de propostas de valor

Eminente observa que, de maneira geral, as distribuidoras possuem expectativas positivas com a abertura do refino no Brasil. De acordo com o levantamento da A.T. Kearney, as distribuidoras esperam:

• Mais transparência na formação de preços;
• Potencial redução de preços decorrente da maior competição;
• Aumento nas opções de fornecimento, privilegiando empresas que não possuam estrutura logística para importação;
• Redução no nível de dependência da Petrobras;
• Maior equilíbrio nas relações.

O desinvestimento da Petrobras e a consequente diversidade de players no mercado, prevista para acontecer entre o segundo semestre deste ano e o início de 2020 vai exigir que os refinadores redesenhem suas propostas de valor, adequando-se ao novo contexto competitivo.

“Para tirar proveito desse cenário, no entanto, os refinadores precisarão focar esforços para adequarem-se ao novo contexto competitivo”, diz Eminente. As mudanças, de acordo com a A.T. Kearney, devem passar por todos os estágios do negócio. O redesenho deve incluir desde a apresentação da empresa, com o posicionamento de qualidade de produto e de conhecimento do mercado, até a otimização de processos, promovendo a garantia da qualidade e do nível de serviço, e a automação desses processos, alavancando as áreas de digital, análise de dados e inteligência de negócios.

Além disso, será importante rever políticas de preços, descontos por volume e prazo de pagamento, bem como a criação de melhores processos de comunicação com clientes e o desenvolvimento de capacitação dos times comercial e logístico de acordo com o novo contexto.

Na visão de Bruna, a vizinha Argentina pode servir de bom exemplo para os players no Brasil. “A exemplo do Brasil, o isolamento geográfico da Argentina em relação aos fluxos de petróleo e derivados reduz os incentivos à exportação e intensifica a competição interna”, analisa Eminente.

“Na Argentina, assim que ocorreu a abertura de mercado e venda de ativos públicos, o mercado downstream tornou-se mais competitivo”, avalia. “A YPF, por exemplo, promoveu um significativo reposicionamento estratégico em resposta à mudança do ambiente corporativo. Como resultado, criou inúmeras oportunidades e aumentou a sua rentabilidade”, diz a especialista. “É importante que as empresas com operação no Brasil também revisem suas propostas de valor previamente à abertura do refino”, completa Eminente.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Um comentário em “Preço deixa de ser único fator de decisão na escolha de fornecedores de combustíveis

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *