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Blockchain além da tecnologia: livro mostra aplicações de forma prática

Blockchain. Você já deve ter ouvido falar sobre isso recentemente. O conceito da blockchain surgiu junto com as criptomoedas, para que o envio e recebimento dos valores de bitcoins ficassem registrados de forma segura e inviolável. Porém, o conceito da blockchain vai muito além. A tecnologia tem potencial para provocar uma ruptura de paradigmas no modo de se conceber as relações econômicas, jurídicas, políticas e sociais.

Para abordar o enorme potencial revolucionário desta tecnologia de registros, a administradora Adriana Siliprandi e o advogado Fernando Lopes, especialistas no tema, estão publicando o livro Blockchain, Bitcoin e Smart Contracts: a revolução dos ativos digitais (Editora Tirant). O lançamento está marcado para próximo dia 20, na Livraria da Vila, no Shopping Pátio Batel, em Curitiba.

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Adriana Siliprandi e Fernando Lopes.

A obra mostra que a injustiça e a ineficiência econômica são apenas sintomas da existência de uma desigualdade social produzida pelas diferentes inter-relações entre a moeda, o direito, o contrato e a propriedade. Os autores propõem a utilização da blockchain para gestão da propriedade e da informação, substituindo as moedas pelas criptomoedas e os contratos pelos smart contracts.

Segundo Fernando Lopes, essas tecnologias embutem potencial para resolver graves problemas sociais. “A desigualdade social e econômica, a corrupção, a insegurança nas relações contratuais, a degradação do meio ambiente, dentre outros problemas, podem ser combatidos por meio da blockchain”. Mas, faz um alerta para o risco de o apetite regulatório dos Estados acabar anulando o potencial disruptivo da nova tecnologia. “Se o poder público não atentar para a especificidade do fenômeno e buscar uma regulamentação nos moldes jurídicos tradicionais, os efeitos podem ser catastróficos para a sociedade”.

Adriana acrescenta que estas tecnologias são a solução dos atuais problemas. “É preciso que os agentes do Estado compreendam que a blockchain, os smart contracts, e os criptoativos não são problemas para o Estado, mas as soluções, a exemplo da extensa folha de pagamento do funcionalismo, da ineficiência dos serviços públicos, da corrupção e da dificuldade para gerir um orçamento cada vez mais reduzido”, explica.

Mas, afinal de contas, o que é blockchain?

A blockchain (corrente de blocos, em tradução literal) é uma espécie de grande livro contábil, que registra as diferentes transações espalhadas em vários computadores. O sistema blockchain é formado por uma cadeia de blocos, ou seja, blocos com conjuntos de transações que são trancados por uma forte camada de criptografia, tornando impossível alterar ou apagar as informações ali registradas.

A blockchain utilizada para registrar as transações com bitcoin é pública: qualquer pessoa pode verificar e auditar as movimentações registradas nela, sendo protegida a identificação real dos usuários. Empresas como a International Business Machines Corporation (IBM), no entanto, têm se dedicado a desenvolver sistemas blockchain privados, mais adequados à atividade empresarial.

Os autores destacam que, com a blockchain, o Estado pode se desburocratizar significativamente, economizando gastos com funcionários públicos e, ao mesmo tempo, obter um aumento da eficiência e qualidade dos serviços, como, por exemplo, iniciativas nos Estados Unidos que têm provocado uma redução de 50% no custo da energia. Além disso, a confiança de que os agentes públicos não irão se corromper por medo das sanções criminais é substituída por provas criptográficas e mantida por uma rede de computadores confiáveis que garantem a higidez dos atos administrativos.

Lopes ainda faz uma analogia com a invenção do telefone ao explicar por que ainda é difícil discutir esse assunto, justificando a relevância do livro. “Quando Graham Bell falou da invenção do telefone para Sir Willian Preece, que era o engenheiro chefe no British Post Office, este achou a invenção inútil, porque eles tinham muitos mensageiros para levar as informações. Ou seja, as pessoas tendem a ter dificuldades para entender os impactos de fenômenos disruptivos”, conclui.

Siliprandi, por sua vez, explica que a falta de regulamentação específica no Brasil em relação ao mercado de criptoativos exige um debate sério e profundo sobre o tema, para que o propósito da tecnologia não seja desfigurado. Destaca ainda a importância de utilização da blockchain e dos smart contracts para a proteção dos consumidores no comércio eletrônico, que hoje são vítimas de inúmeros danos, devido à sua condição dependente.

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Mirian Gasparin
Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 44 anos na área de jornalismo, sendo 42 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 11 anos de blog, mais de 20 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 18 prêmios, com destaque para Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.
https://www.miriangasparin.com.br

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