Estudo da PwC mostra que abrir capital no Brasil é mais rápido e mais barato do que nos Estados Unidos

Embora a abertura de capital de empresas brasileiras seja mais barata e, por incrível que pareça, mais rápida do que nos Estados Unidos, que é um país com forte cultura organizacional ligada ao mercado de capitais, ainda temos um número muito pequeno de companhias que negociam suas ações na Bolsa de Valores.
Só para se ter uma ideia, o Brasil tem hoje mais de 5 milhões de empresas registradas no Cadastro Geral do IBGE, porém, de acordo com a B3Bovespa, apenas 421 companhias estão listadas na Bolsa.

Eu conversei com o diretor da PwC Brasil, Daniel Oliveira, e ele me informou que a consultoria realizou um estudo no Brasil e nos Estados Unidos sobre a abertura de capital como alternativa para impulsionar o futuro das empresas. Esta pesquisa traz dados bastante interessantes. Por exemplo, no Brasil, 73% das empresas ouvidas afirmaram que se preparam em menos de seis meses para abertura de capital. Nos EUA, o tempo de preparação pode levar até 9 meses.
Segundo Daniel Oliveira, um dos possíveis motivos dessa diferença é que no Brasil as empresas que recorrem ao IPO são de grande porte e já contam com uma certa estrutura para abrir capital. Já, nos Estados Unidos, boa parte das empresas que vai à bolsa para captar recursos é de pequeno porte e necessita de um tempo maior para se estruturar.
Outro destaque da pesquisa da PwC, é que os custos médios relacionados com a abertura de capital são significativamente menores no Brasil, variando entre 2,5% a 5,6% do valor captado, enquanto nos EUA a taxa fica entre 4% e 11,7%.
Segundo me disse o diretor da PwC, dois terços dos participantes do estudo no Brasil informaram que seus custos recorrentes como companhia aberta são inferiores a US$ 400 mil. Já nos Estados Unidos, os custos recorrentes são de US$ 500 mil. A explicação para essa diferença é que os americanos precisam seguir regras pesadas de segurança obrigatória, que geram maior custo. Além do que, no mercado norte-americano há maior cobrança de mercado e maior controle sobre a movimentação financeira e prestação de contas.
Eu perguntei ao diretor da PwC Brasil sobre quais são as principais razões que levam uma empresa a abrir seu capital e ele me disse que em primeiro lugar está a necessidade de captar recursos, seguida do aumento de visibilidade da companhia para seus clientes e facilitação para processos de fusão e aquisição.
Por fim, Daniel Oliveira me disse que está otimista com o mercado acionário daqui para frente, principalmente após a aprovação das reformas da Previdência e Tributária, que deverá atrair um número maior de recursos em dólar para o País.
Mirian Gasparin








