Investidores brasileiros e empresas estão de volta à bolsa

Depois de mais de dez anos de crescimento lento e fuga dos investidores, a Bolsa de Valores experimenta um novo momento de euforia, com diversas aberturas de capital e ofertas públicas no radar do mercado que vem trazendo um número cada vez maior de pessoas físicas ao mercado. Até setembro deste ano, o mercado brasileiro registrou mais de um milhão de CPFs inscritos, segundo dados da B3.
Essa agitação pode ser atribuída aos sinais de melhora macroeconômica, conforme comenta o Head de Renda Variável da Messem Investimentos, William Teixeira.
“O último grande movimento de abertura de capital foi em 2007, quando dezenas de empresa vieram para a Bolsa. De lá para cá, as atividades ficaram bem enxutas. Agora, o cenário está mais propício, com pessoas físicas e investidores institucionais retornando ao jogo”.
A queda na taxa básica de juros e a projeção de queda para a inflação também explicam o crescente interesse de pessoas físicas e investidores institucionais em renda variável. “Com as principais casas projetando a Selic em 4,75% ou 5% e juros reais de menos de 2%, com inflação baixa, não faz sentido se manter só em renda fixa. O investidor está buscando outra oportunidade”, pontua Teixeira.
As reformas em curso também têm contribuído para incrementar o número não só de investidores, como também de empresas que buscam no mercado de renda variável uma oportunidade. “Começamos a desenhar um cenário um pouco mais produtivo, algo mais otimista. As empresas estão querendo se financiar, buscando recursos na bolsa, tentando voltar a investir para crescer. Criou-se um círculo virtuoso”, explica.
Perfil dos investidores
Os IPOs (oferta pública inicial de ações) e as OPAs (oferta pública de aquisição) tem atraído dois perfis distintos de investidores, conforme explica o Head de Renda Variável da Messem. Um deles é o especulador, que “tenta surfar uma onda de curto prazo” e o investidor de médio ou longo prazo.
Para quem não quer permanecer muito tempo no mercado e quer negociar rapidamente as ações compradas, Teixeira recomenda que o investidor participe de todas as ofertas, sempre aplicando naquelas com valor reduzido. “É uma estratégia acertada. Minimiza o risco”, alerta.
Já para quem planeja colocar capital para se tornar sócio daquela empresa, a recomendação principal é informação. “Tente investir em negócios que são mais conhecidos. O preço é mais alto, mas vale a pena. É importante estudar bem sobre a empresa e sua atuação. Investir em cursos ou conversar com seus assessores de investimento são atalhos para adquirir o conhecimento necessário a respeito da aplicação escolhida”, sinaliza Teixeira.
O que aprender com o momento de euforia na Bolsa?
Em relação a esse novo momento de euforia, o especialista explica que é necessário investir em estratégia e conhecimento, além de ter persistência, mesmo em momentos onde o mercado não responda com tanto otimismo e velocidade quanto o investidor espera.
“O mercado de ações é cíclico, como a economia. A renda variável antecipa os movimentos. A primeira coisa que temos de aprender é isso, é um mercado de tendências, que nem sempre vai ser de alta. Quando o mercado cai, a primeira reação do investidor é sair fora. Mas, se entendermos que compramos uma empresa boa e consolidada, podemos manter a posição. Por isso, ressalto que investir em estratégia, estudo, conhecimento é importante. Investidor que é investidor compra sempre. Mesmo nos momentos mais críticos da economia”, conclui.








