Ociosidade da indústria e tendência de queda no consumo de aço ameaçam a sustentabilidade das siderúrgicas

Ociosidade da indústria e tendência de queda no consumo de aço ameaçam a sustentabilidade das siderúrgicas

Os desafios impostos à indústria siderúrgica no Brasil e no mundo não são pequenos. Excesso de capacidade instalada e de barreiras comerciais, redução do consumo aparente e o impacto da China no mercado global são algumas das ameaças que põem em risco a competitividade e a sobrevivência das empresas. Mas, apesar do cenário difícil, é possível minimizar essa situação.

“Há duas opções. Ou sentamos, choramos e desistimos, ou partimos para ação, seja individualmente em nossas plantas, seja setorialmente”, disse Marco Polo de Mello Lopes, presidente-executivo do Instituto Aço Brasil. Lopes participou da plenária “Os desafios da indústria siderúrgica”, realizada no dia 2 de outubro, em São Paulo. O evento foi uma das atrações da ABM WEEK 2019 e contou com a coordenação de Francisco Coutinho Dornelas, diretor da regional da ABM no Espírito Santo, e de Débora Oliveira, diretora de assuntos corporativos do Instituto Aço Brasil.

A uma plateia cheia, Marco Polo revelou dois dados alarmantes. O primeiro deles é a expectativa de crescimento da produção de aço no Brasil inferior a 0,4%. Também é preocupante a ociosidade da capacidade instalada. Hoje a siderurgia brasileira opera com apenas 64% de sua carga total. “Para agravar ainda mais a situação, após a tragédia de Brumadinho, o minério de ferro teve um reajuste e exigiu que as empresas fizessem um verdadeiro malabarismo logístico para manterem-se abastecidas”, comentou Lopes.

Wieland Gurlit, líder na área de metais e mineração para a América Latina da McKinsey & Company, também apresentou um cenário preocupante baseado em estudos realizados pela consultoria.

“Fragilidades na cadeia de abastecimento de carvão metalúrgico e de minério de ferro, necessidade de incorporar tecnologias alternativas para a produção de aço para atender novos padrões de emissões, além de disrupções na demanda global são questões com as quais as indústrias precisam lidar”, citou o consultor, segundo o qual, “o crescimento da demanda de aço tende a diminuir mesmo se houver maior crescimento econômico”.

Gurlit pontuou que as empresas brasileiras têm desafios adicionais, como o excesso de capacidade estrutural e a baixa produtividade da mão de obra. “Em comparação à União Europeia e aos Estados Unidos, o Brasil apresenta um gap importante de produtividade, sobretudo na área de apoio à produção e em serviços terceirizados”, disse o consultor.

Mas é possível, e recomendável, fortalecer as empresas nesse contexto tão adverso. O consultor da McKinsey & Company sugere três medidas:

1) Fortalecer a integração da cadeia de valor, uma vez que a siderurgia ganha ou perde junto com a indústria de transformação;

2) Adotar, na medida do possível, mais flexibilidade no uso de matérias-primas. Na Europa, por exemplo, as empresas estão apostando na ampliação do uso da sucata;

3) Buscar novas rotas de produção. “Vemos no futuro poucas oportunidades para usinas integradas. Se houver crescimento de capacidade instalada, ele vai se dar em usinas que utilizam fornos elétricos ou novas tecnologias alternativas”, disse Gurlit, que aposta no desenvolvimento de novos métodos de produção sustentável e tecnologias lean.

O professor Germano Mendes de Paula, do Instituto de Economia da Universidade Federal de Uberlândia, também vê na adoção de novas tecnologias, em especial na Indústria 4.0, uma saída para a crise do setor siderúrgico. Segundo ele, diante do excesso de capacidade instalada global e das perspectivas de crescimento muito tímidas, resta à indústria modernizar as plantas já existentes e fechar as unidades que estão defasadas.

‘Quando observamos os investimentos em Indústria 4.0, percebemos que eles são relativamente baixos e o payback é muito rápido”, diz o professor, citando como exemplo a norte-americana Big River Steel. Com 50 mil sensores espalhados em sua planta, a usina é uma mini-mill de aços planos que entrou em operação em janeiro de 2017 já concebida na geração 4.0.

“Os resultados que a Big River vem tendo com relação à produtividade e a lucro por empregado chamam a atenção. Nao à toa, ela acabou de ser parcialmente adquirida pela United States Steel Corporation por 700 milhões de dólares”, comentou Germano.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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