Mercados desabam após decisão da Arábia Saudita. Petróleo tem queda de 21%

O Ibovespa fechou a sexta feira em forte queda de 4,1% e baixou dos 100.000 pontos pela primeira vez desde agosto de 2019, fechando em 97.996 pontos, seguindo o movimento das bolsas globais. Porém, os investidores que esperavam notícias mais positivas durante o fim de semana foram surpreendidos pelo anúncio da Arábia Saudita de anunciar uma guerra de preços de petróleo, e comunicado da Itália de colocar em quarentena mais de 16 milhões de pessoas no Norte do país.
Segundo informações dos especialistas da XP Investimentos, os mercados operam em fortes baixas na manhã desta segunda-feira (9), com os índices na Ásia caindo entre 4-7%, Europa em queda de 7% e os futuros do S&P500 nos EUA negociando na mínima permitida para variação diária, que é de -5%.
A busca por ativos de menor risco segue forte, com toda a curva de títulos americanos negociando abaixo de 1% e o mercado passando a precificar que o Banco Central americano (FED) baixe juros já pra próximo de 0% nas próximas reuniões. O Ouro continua subindo, com alta de +0,3% nesta segunda-feira (9), cotado a US$1.677/onça.
No Brasil, a queda do preço do petróleo tende a reduzir a pressão na inflação doméstica e, portanto, deve reforçar o entendimento do mercado de que o Banco Central cortará a Selic em 0,50 ponto percentual na próxima semana, avaliam os especialistas da XP.
No entanto, os efeitos de aversão ao risco sobre o Real e o choque de oferta de diversos produtos vão na direção contrária, aumentando a incerteza sobre o plano de voo do BC. Analistas da XP seguem acreditando que o Banco Central cortará 0,50 ponto percentual, levando a Selic para 3,75%.
Na agenda do dia, o BC fará leilão de US$ 3 bilhão no mercado de câmbio à vista às 9h10, visando acalmar os mercados. Outras moedas de mercados emergentes, como o Peso Mexicano, operam nesta segunda com 5% de queda.
Do lado político, os jornais reportam um aumento na temperatura no embate entre o governo e o Congresso no fim de semana que antecede as manifestações de 15 de março.
Na sexta-feira (6), em São Paulo, Rodrigo Maia afirmou que o governo afasta investidores e que a omissão poderia levar ao “estancamento das reformas”. A resposta veio no sábado (7): Jair Bolsonaro chamou a população aos atos, que disse não serem contra o Congresso, e sustentou que político que tem medo de rua não serve para ser político.
A cúpula do Congresso e do Supremo buscam uma reposta, mas tentam evitar um desgaste que alimente os atos do domingo que vem. Domingo à noite (8), no Twitter, o presidente da Câmara voltou ao tom conciliador, ao chamar a atenção para a necessidade de encaminhamento da agenda econômica.
O aumento no nível do embate pode trazer mais turbulência para a discussão dos PLNs que o Planalto enviou ao Congresso para redistribuir os recursos do Orçamento impositivo vetados por Bolsonaro. Sem esse avanço, crescem as chances de a agenda no Legislativo continuar parada.
A XP publicou um relatório chamado de “Momentos turbulentos pela frente: revisando a carteira Top 10 ações XP” onde responde as principais perguntas que recebeu nos últimos dias.
Bolsa deve cair mais
A principal pergunta é se a Bolsa brasileira pode cair ainda mais? Na avaliação de analistas da XP a Bolsa deve cair mais no curto prazo, apesar das fortes quedas recentes. Isso porque as bolsas nos países desenvolvidos, devem continuar sofrendo por conta do aumento dos riscos para a economia advindos dos impactos das restrições de oferta e demanda impostas pelo alastramento do Coronavírus e pela guerra de preços de petróleo iniciada esse final de semana pela Arábia Saudita.
Coronavírus
A OMS computa 105.586 casos confirmados e 3.584 óbitos em 101 territórios. Neste fim de semana a Itália superou a Coreia do Sul como segundo país com maior número de casos, alcançando 7.375 confirmados. O governo anunciou novas medidas de prevenção que deixam Milão e Veneza em quarentena. No Brasil, já são 25 casos confirmados.








