Com pandemia, governo adia venda de ativos da União para o ano que vem

Com pandemia, governo adia venda de ativos da União para o ano que vem

A crise econômica provocada pela pandemia do novo coronavírus fez o governo adiar para 2021 a venda de ações do governo em empresas privadas ou de ações excedentes em empresas públicas que estavam no cronograma para este ano. A informação foi dada nesta quarta-feira (22) pelo secretário especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados do Ministério da Economia, Salim Mattar (foto). Ele, no entanto, prometeu retomar o programa com mais intensidade a partir do próximo ano.

De acordo com o secretário, a recessão econômica global desvalorizou o preço dos ativos, inviabilizando qualquer venda neste momento. Ele admitiu que a meta de vender, em 2020, 300 ativos federais avaliados em R$ 150 bilhões não será cumprida. Essa meta tinha sido estabelecida no início do ano.

“Nossa meta ambiciosa era de R$ 150 bilhões, e vocês viram que, depois de fevereiro, não houve venda, nem há clima para venda”, declarou o secretário especial. Diante das incertezas em relação à economia, ele disse que não apresentará uma meta nova.

“O ambiente é de incerteza. Não temos certeza se poderemos fazer a venda de ativos no segundo semestre, no quarto trimestre. Esperávamos fazer a capitalização da Eletrobras até outubro. Esse plano foi postergado. Não há ambiente no mercado para a venda de participações e ativos. Essa crise nos surpreendeu”, acrescentou.

Segundo o secretário, o governo pretende enviar ao Congresso um projeto de lei para a reinclusão da Eletrobras no Programa Nacional de Desestatização (PND), outros projetos para autorizar a quebra de monopólio de três estatais: Correios, Casa da Moeda e Empresa Brasil de Comunicação (EBC). A desestatização da Hemobrás, estatal de produção de hemoderivados, necessita de proposta de emenda à Constituição (PEC), segundo Mattar.

No caso da EBC, o governo pretende incluir a empresa num programa de parcerias de investimentos em 2022, segundo a apresentação mostrada aos jornalistas. Editada em novembro do ano passado, a medida provisória que quebrava o monopólio da Casa da Moeda caducou no último dia 15.

O cronograma apresentado hoje ainda inclui duas desestatizações para este ano: a venda de parcela de garantia da Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias (ABGF) e a venda da Empresa Gestora de Ativos (Emgea). A venda de parte da ABGF ficaria para o terceiro trimestre e a da Emgea para o último trimestre.

O secretário não definiu um prazo para o envio dos projetos ao Congresso, mas disse que as privatizações são importantes para trazerem investimentos privados que acelerem a recuperação da economia após o fim da pandemia. “Passada a pandemia do coronavírus, o Congresso vai ter que tomar sérias medidas. A economia brasileira está combalida. O Congresso sempre se mostrou sensível, sensato e responsável. Depois que acabar a pandemia, o Congresso vai estar sensível para votar os projetos para retomarmos o crescimento e gerar novos empregos”, disse.

Balanço

Mattar apresentou um balanço do que o governo vendeu e do que as estatais deixaram de executar em 2020, antes do início da pandemia. Até o momento, a equipe econômica obteve R$ 29,5 bilhões com venda de ativos. Desse total, R$ 22,5 bilhões referem-se à venda de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na Petrobras e na Light, R$ 6 bilhões em desinvestimentos da Petrobras e R$ 1,1 bilhão de venda de ações excedentes da União no Banco do Brasil.

Para este ano, o governo planejava vender R$ 70 bilhões em participações da União e do BNDES. O secretário disse que elaborará uma nova meta “ambiciosa” de desestatizações para 2021.

Plano Marshall

Em relação à elaboração, pela Casa Civil, de um plano para elevar os investimentos públicos em infraestrutura depois do fim da pandemia, Mattar disse que os gastos no enfrentamento ao novo coronavírus esgotaram a capacidade de financiamento do Estado e que somente a iniciativa privada pode elevar os investimentos no país.

“Não precisa o governo brasileiro querer financiar infraestrutura, basta dar segurança a investidor. O que estão chamando de Plano Marshall é uma ideia embrionária que é diferente dos planos do Ministério da Economia. O Plano Marshall dependeu de dinheiro dos Estados Unidos, mas o Brasil não tem dinheiro mais”, declarou. Por meio do Plano Marshall, os Estados Unidos financiaram a própria recuperação e a recuperação de países atingidos pela Segunda Guerra Mundial.

Agência Brasil

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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