Mais de 90% dos empresários da construção e serviços sofrem com os efeitos da pandemia

Para 96,2% dos empresários da construção, a pandemia provocada pela Covid-19 impacta muito negativamente ou negativamente nos negócios. O pessimismo é similar para os 94,1% dos empresários do setor de serviços que participaram de pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE). Os dados consolidados de abril mostram o que os coordenadores do estudo já haviam verificado na prévia: os impactos na economia estão disseminados entre os setores.
Na indústria, 89,6% das empresas também sentem os efeitos das medidas de isolamento, enquanto que no comércio 81,1% foram afetados. Colocando lupa nos números, é possível enxergar impactos positivos em alguns dos segmentos, por setor. No comércio, por exemplo, o destaque é o segmento de Hiper e supermercados (19,0%). Da indústria, o segmento com maior percentual de impacto positivo é o de Celulose e papel (16,2%). Na construção, destaca-se Obras de instalações (8,5%), e em serviços, o segmento de serviços audiovisuais, de edição e agências de notícias (6,3%).
“O setor da construção e de serviços são intensivos em mão de obra, por isso as medidas restritivas de isolamento afetam de forma mais intensa ao paralisar grande parte das obras e prestação da maioria dos serviços não essenciais. Os segmentos que registram impacto positivo são reflexos do momento onde há priorização do consumo de bens e serviços essenciais e um aumento o e-commerce e utilização de delivery por parte das empresas”, explica Viviane Seda, coordenadora das Sondagens do FGV IBRE.
Os impactos nos setores parecem ser severos. A média dos empresários consultados no levantamento acredita que a recuperação deve vir em torno de uns 10 meses, em que os primeiros quatro a cinco meses serão de impacto direto nos negócios, com cinco a seis de retomada pós-pandemia. O setor de serviços – com média de 4,7 meses de impacto e mais 6,1 de recuperação – é mais uma vez o mais pessimista.
A indústria espera ser impactada por 4,6 meses. Já o maior tempo para recuperação do setor é verificado entre os empresários do comércio (6,3), que tiveram que baixar as portas em todo o país, exceto os de segmentos essenciais.
Consumidores retraídos
O resultado ruim entre os empresários é corroborado pela pesquisa entre os consumidores: 79,5% dos consultados informaram estar comprando somente o essencial. Esse percentual é ainda superior entre as faixas de renda mais baixas, para as quais a alimentação tem peso maior no orçamento – 86,3% entre as famílias que ganham até R$ 2.100, e 83,8% para as que ganham de R$ 2.100,01 a R$ 4.800,00.
“A cautela dos consumidores ocorre por uma restrição orçamentária, já que muitos consumidores tiveram redução de seus salários, perderam seus empregos ou estão impedidos de trabalhar. O fato é potencializado por um elevado aumento da incerteza econômica, política e principalmente na saúde do país, gerando uma postergação do consumo”, analisou Viviane.
Para a realização da pesquisa foram consultadas 3.603 empresas e 1801 consumidores, entre os dias 01 e 27 de abril, em sete capitais do país: Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Distrito Federal.








