Dicas para ajustar as finanças da sua empresa em tempos de pandemia

Dicas para ajustar as finanças da sua empresa em tempos de pandemia

Falar de finanças e tentar elencar algumas dicas para ajudar empreendedores e líderes neste momento não é uma missão fácil. Para início de conversa, preciso lançar mão de um clichê extremamente necessário: se alguém ousar dizer que sabe exatamente o que acontecerá ao final da pandemia, pode desconfiar. Só a história dirá se as decisões que estamos tomando são corretas ou não. Por isso, antes de tudo, queria incentivar que você desconstrua o que eu escrever aqui. Abordei alguns pontos financeiros que acredito serem úteis para casos recorrentes de empresas em tempos de crises, mas faça o exercício de aplicar ao seu contexto apenas aquilo que fizer sentido.

1. Entenda suas possibilidades e suas prioridades

A crise revelou algumas perguntas cujas respostas já delinearam caminhos para que colocássemos nossas empresas em uma situação sustentável: qual é nossa liquidez hoje? Existe algum processo de captação ou funding disponível na mesa de opções?

O modelo de negócios da empresa também deve ser considerado. É natural que ao longo da vida da empresa ela vá evoluindo constantemente, conforme os produtos e serviços evoluem (ou novos nascem), para atender às necessidades e desejos dos clientes. Mas é importante avaliar quais, de fato, trarão uma garantia de retorno com margem positiva e quais têm possibilidade de escalar nesse período. A mudança de estratégia e priorização neste momento é natural.

2. Planejamento de cenários x consequências e atuação do time financeiro no dia a dia

Uma metodologia simples, mas extremamente eficaz para a grande maioria dos negócios é trabalhar com o desenho de cenários.

A ideia é simples: cruzar alguns cenários, do mais realista ao mais pessimista, em termos de perda de receita (fora do nosso controle) com as potenciais estratégias que se pode adotar (dentro do nosso controle) e, a partir disso, extrair um mínimo de direção e previsibilidade de caixa. Sempre há pontos cegos e é natural que alguns efeitos da crise nos surpreendam, mas o desenho dos cenários confere aos negócios uma “linha guia”, para que a sua equipe entenda as principais incertezas e qual a estratégia para confrontar cada uma delas.

Um ponto de atenção pertinente, no entanto, é que quando se fala de cenários incertos ou não controláveis, é essencial considerar não somente consequências de mercado diretamente relacionadas ao seu principal produto ou serviço (consequências de primeira ordem), mas todos os stakeholders e contextos relacionados ao core que podem também ser afetados (consequências de segunda ordem).

Mas lembre-se, só planejar, simular e imaginar não é suficiente. É preciso agir rápido, atuar direcionado pelos dados e conclusões, acertar rápido. E, é claro, se errar, que também seja rápido e que aquele erro traga aprendizado para evitar incorrer no mesmo problema.

3. Duas dicas valiosas

No Brasil convivemos com crises econômicas o tempo todo, ainda que não na dimensão da pandemia do COVID. Por isso, ficam aqui algumas dicas finais que deixaria para os meus colegas, profissionais da área financeira:

A Transformação Digital já está nos atropelando. Vimos o movimento de digitalização forçada da operação de várias empresas e com a área financeira não vai ser diferente. Em um momento de reestruturação da empresa, pode ser muito benéfico, para aquelas que podem, tirar das pessoas o trabalho repetitivo e automatizado de tratamento de dados, digitalizando esse processo, para então deixar estas mesmas pessoas (que carregam tanta experiência) livres para atuar em outros processos que requerem alto nível de julgamento. Essa é a melhor contribuição para que elas ajudem a entender os cenários e sejam parte das possíveis soluções.

Por fim, mas não menos importante, por favor continuem investindo tempo e cuidado no desenvolvimento das pessoas. Uma vez ouvi uma frase que passei a carregar comigo: “para empreender no Brasil, você tem que ter um palmo a mais de peito”. Para empreender em uma crise então, nem se fala. Você vai precisar de gente tão boa quanto ou até melhor do que você para passar por um momento como esse, e o desempenho delas é diretamente proporcional ao tempo que você, como liderança, vai dedicar para fazê-las se desenvolverem. Quando tudo isso passar, a única certeza é que teremos times fortes e mais bem preparados, e com muito amor e comprometimento pelo que fazem, por terem sido parte fundamental das soluções e decisões que nos ajudarão a superar esse período.

O artigo foi escrito por Aury Ronan Francisco, que é diretor financeiro do Grupo Movile. 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *