Remuneração dos executivos segue imune a Covid-19, mas ameaça saúde das empresas

Remuneração dos executivos segue imune a Covid-19, mas ameaça saúde das empresas

O comportamento de muitas empresas neste período de pandemia tem servido para comprovar, mais uma vez, que há sempre uma distância significativa entre discursos feitos na hora da emoção e a prática. Da mesma forma, nem tudo o que se aplica ao chamado ‘chão de fábrica’ serve para as ‘salas da chefia’.

De uma forma geral, enquanto muitas companhias aproveitaram a flexibilização das leis trabalhistas para reduzir jornadas, salários e antecipar férias dos níveis hierárquicos mais básicos, do ponto de vista do alto escalão, pouco foi feito no sentido de contribuir para preservar a saúde financeira das organizações neste momento de crise.

Apesar das notícias dando conta de que alguns diretores executivos, em uma demonstração de solidariedade, renunciaram a parte das suas remunerações, uma pesquisa da consultoria americana CGLytics, com mais de 3 mil empresas listadas em bolsa, revela que o sacrifício foi mínimo.

De acordo com o levantamento, os cortes foram mais focados nas remunerações variáveis, mantendo a base da folha de pagamentos intacta. Mesmo entre as empresas que cortaram os salários dos executivos, dois terços delas não enxugaram mais do que 10% desse valor.

No atual contexto da pandemia, e consequente crise econômica em escala global, as empresas precisam ajustar suas prioridades e repensar a maneira de conduzir os negócios. O modelo de remuneração dos executivos é um dos processos que necessita ser revisto para garantir o alinhamento com as novas estratégias e prioridades empresariais.

No mercado brasileiro houve uma redução de aproximadamente 20% nos salários praticados para novas contratações em todos os níveis, com o objetivo de reduzir custos e garantir a sobrevivência dos negócios.

A necessidade de reinventar os negócios, ação impulsionada pelas incertezas de uma pandemia que já deixou a marca irreversível de mais de 100 mil mortos no país, e uma taxa de desemprego recorde, demanda das empresas uma atenção maior a métricas ESG (ambientais, sociais e de governança).

É preciso responsabilidade nas tomadas de decisões para que a política de remuneração traga, de fato, impacto positivo para a organização e a comunidade.

As empresas podem ir além do básico e oferecer outro tipo de incentivo à produtividade. Trabalhar a marca do empregador, ou o employer branding, torna-se um grande diferencial. Outras soluções passam pela melhoria do ambiente de trabalho, aumento das oportunidades de crescimento e das chances de desenvolvimento com novos modelos de liderança e outras iniciativas que compõem um arsenal imprescindível para atrair novos talentos e reter os já existentes.

Trazer indicadores que expressem o impacto das altas remunerações no negócio também se torna uma prioridade. Urge revisar métricas financeiras associadas às metas de desempenho, apropriando-se de uma abordagem mais balanceada, também como forma de atender ao princípio da equidade.

O ambiente corporativo vive um momento de revisão conceitual de diversas práticas de governança empresarial. Neste sentido, a gestão de pessoas, sem dúvida, é um pilar extremamente relevante para retomar o ciclo virtuoso de crescimento que o país precisa.

Obter o máximo de engajamento de todos os níveis hierárquicos nesse processo significa proteger a saúde financeira da companhia.

O artigo foi escrito por  Susana Falchi, que é vice-presidente da Orchestra Soluções Empresariais e CEO da HSD Recursos Humanos.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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