Demanda por crédito em setembro já é 30% maior que o período antes da pandemia

Demanda por crédito em setembro já é 30% maior que o período antes da pandemia

A demanda por crédito no mês de setembro atingiu crescimento de 3% em relação a agosto, levando o resultado acumulado do ano a alcançar o desempenho positivo de 30% durante os nove meses de 2020. O resultado, que reflete a consolidação da retomada da economia, acaba de ser revelado pelo Índice Neurotech de Demanda por Crédito (INDC), que mede o número de solicitações de financiamentos mensais nos segmentos de varejo, bancos e serviços.

Em setembro, o destaque ficou com o setor de serviços que liderou a demanda de crédito com um desempenho de 29%. No mesmo período, no entanto, chamou a atenção o recuo do setor de varejo que registrou uma queda de 5%.

“Os números do varejo indicam um recuo considerável que não podemos tratar somente como desaceleração. Inicialmente, devemos lembrar que agosto tem 31 dias e setembro 30 e neste ano teve um sábado (dia de maior venda) a menos. Isso por si só representaria uma queda estimada entre 3% e 4%, observa o diretor de Produtos e Sucesso do Cliente da Neurotech, Breno Costa.

Cenário continua positivo

De acordo com Costa, outro ponto é que esse comportamento está bem concentrado em lojas de departamentos, principalmente. “Isso é histórico porque setembro é um mês que, tradicionalmente, se tem uma baixa nas vendas. Por isso a avaliação é de que o cenário continua positivo”, destaca.

De acordo com o INDC, as lojas de departamento registraram uma queda de 10% nas vendas entre agosto e setembro, o maior tombo entre todos os segmentos de varejo. Dentre os setores, o de supermercados se destacou, atingindo um crescimento de 13%. Vestuário também teve um desempenho positivo ainda que tímido, registrando um avanço de 2% no período.

No ano, o setor de serviços está na dianteira, apresentando um crescimento de 73%. Como segundo colocado desponta o bancário que avançou 30% de janeiro a setembro. O de varejo, por sua vez, está com um incremento de 12% no mesmo período.

O destaque do setor de serviços pode ser lido como uma busca deste segmento por intensificar linhas de crédito para geração de receita mediante o cenário de crise. Existe uma clara tendência no mercado de verticalização de soluções para as respectivas cadeias produtivas.

Datas festivas alavancam vendas

O diretor da Neurotech chama a atenção para o fato de que os outros meses, em geral, são mais favoráveis ao varejo devido a promoções e comemorações de datas festivas.

“Todo o mês tem algum acontecimento que alavanca as vendas. Saldão em janeiro, fevereiro tem o carnaval, as tradicionais campanhas nos meses de março e abril. Aí temos o dia das mães, dia dos namorados, então começa o inverno. Depois o setor é favorecido pelo dia dos pais, dia da criança e o Black Friday. E dezembro, quando as compras de Natal disparam as vendas”, afirma.

Verificando os segmentos que compõem o setor de varejo, o de vestuário consta entre os melhores desempenhos, registrando 34% entre janeiro a setembro. Chama a atenção o pico nas vendas que o vestuário apresentou entre os meses de maio e junho, quando atingiu o patamar de 157%. “No entanto, observamos que há agora uma tendência de estabilização”, analisa Costa.

Supermercados

Os supermercados, por sua vez, registraram um desempenho de 13% em setembro, mesmo patamar atingido em agosto, mas ainda acumulam um comportamento negativo de 20% no ano. Aqui percebemos um movimento inverso ao do setor de serviços. Este setor foi o menos afetado pela pandemia do ponto de vista de faturamento do varejo. Mas o serviço financeiro carece de investimento em alguns momentos, bem como da presença física dos clientes para tal oferta.

Os eletroeletrônicos, que apresentaram leve retração de 3% em agosto, demonstram estar caminhando para o terreno da estabilidade, com um decréscimo de apenas 1% em setembro.

“Claramente o crédito tem se mostrado uma alavanca para o momento que estamos passando. Muito concessores de crédito retomaram a confiança e as necessidades de consumo continuam latentes, mesmo estando em casa. Podem ter mudando de um setor para outro, mas as necessidades estão lá e crédito também para suportar”, conclui.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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