Falta de tecido e insumos pode afetar Black Friday

Falta de tecido e insumos pode afetar Black Friday

Milhares de lojistas podem não participar da Black Friday neste ano por falta de estoque. O problema surgiu no começo da pandemia que, por muitos meses, reduziu o consumo no comércio. A queda inicial na demanda levou os fabricantes a pararem a produção de materiais como tecido e outros itens que abastecem a cadeia da moda, entre vários setores. Agora, a procura aumentou, mas não há insumos suficientes para garantir a produção rápida de inventário para o evento que acontece no dia 27 de novembro. 

Segundo Carolina Soares, co-fundadora da Foto.Com, empresa especializada em imagem e conteúdo para o e-commerce brasileiro, “muitos lojistas já não encontram tecido no mercado, como algodão, para produzirem em grande escala. Além disso, quando há oferta, o preço mais alto tem prejudicado os pequenos e médios que possuem um fluxo de caixa mais limitado. Acompanhamos diversas marcas que não só ficarão fora da Black Friday, mas que também podem ficar sem estoque, inclusive, para as festas de final de ano”.

Dificuldade em encontrar matérias-primas

Nesta semana, a Confederação Nacional da Indústria, CNI, divulgou dados de uma sondagem especial realizada entre 1 e 14 de outubro com 1.855 empresas, de 27 setores. No levantamento, 68% delas disseram estar enfrentando dificuldades para encontrar matérias-primas no Brasil.

Em relação aos insumos importados, 56% declararam vivenciar o problema. Entre as entrevistadas, 82% também afirmaram que os preços subiram. Em 10 setores, metade das empresas já assumiu que está difícil atender os pedidos dos consumidores. No mercado têxtil, esta foi a resposta de 65% das entrevistadas.

Viviane Marese, proprietária da loja online Giro no Brás, conta que “muitas marcas não acreditavam no e-commerce, mas, quando viram a oportunidade de vender online, queimaram estoque para sustentar seus negócios e evitar demissões. Agora, não têm inventário e a reposição das coleções está muito cara, com a alta do algodão. Vai faltar produto”.

Peças mais baratas

A empresária que atua com varejo e atacado explica, ainda, que alguns lojistas cogitam a produção de peças mais baratas para entrarem nas promoções do período, enquanto boa parte já desistiu de participar do evento deste ano. 

Outros materiais necessários para o comércio também estão escassos, impactando as operações, segundo a empresária: “está faltando até embalagem e o que tem no mercado está caro demais. O saco de plástico que antes sobrava, porque optávamos pela caixa de papelão, é um exemplo. Estamos buscando soluções, mas muitos fornecedores de caixas só entregarão no começo de fevereiro”. 

Para Carolina Soares, não veremos um equilíbrio da situação no curto prazo. “Esta não é uma questão pontual, mas uma crise que atingiu diversos setores da economia e que está levando milhares de empresas a reformularem toda a sua estratégia de negócios. Noto que ainda teremos problemas por muitos meses, porque, com a alta do dólar, está mais vantajoso para a indústria exportar do que vender internamente. Há uma incerteza no mercado e, enquanto isso, os lojistas estão correndo para se reinventarem”, completa.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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