Recuperação econômica do Brasil desacelera

Após demonstrar sinais de uma recuperação estável para a maior parte dos setores afetados pela crise do coronavírus, a recuperação econômica no Brasil desacelera. Os índices de atividade estão abaixo dos níveis pré-crise, com uma leve tendência de queda observada nas últimas semanas, com exceção de consumo, que apresenta crescimento constante e trajetória de recuperação.
Nas últimas semanas, os setores de saúde, tecnologia, mídia e telecomunicações, transportes e logística, indústria de materiais e processos (química, metalurgia, mineração) indicam atividades estáveis. Por outro lado, os setores automotivo, de energia, as instituições financeiras e produtos de engenharia e infraestrutura estão abaixo dos níveis pré-crise e da média dos outros países analisados.
Esses são os principais resultados da quinta edição do Economic Recovery Pulse Check, índice desenvolvido pelo Boston Consulting Group (BCG) que utiliza mais de cem fontes de informações e inteligência avançada em análise de dados para avaliar a atividade econômica em diferentes setores de nove países. Além do Brasil, integram o estudo Estados Unidos, França, Alemanha, Itália, Espanha, Reino Unido, Japão e China.
Cenário negativo no âmbito global
No âmbito global, o cenário não é positivo e a economia apresenta sinais de declínio, motivados principalmente por indícios de uma segunda onda de coronavírus e novas medidas de isolamento adotadas pelos governos.
Na Europa, especialmente, esse cenário é desafiador: a indústria está se estabilizando abaixo dos níveis pré-crise e a atividade do consumidor, que estagnou no final do verão, agora dá sinais de declínio. Entretanto, é importante avaliar como o cenário estará nos próximos meses e considerar os resultados de medidas mais rígidas sendo reintroduzidas em todo o continente para enfrentar a segunda onda da pandemia.
Já nos dos Estados Unidos, o BCG aponta que as medidas mais flexíveis tomadas pelo governo resultaram em uma recuperação relativamente forte. No entanto, as atividades dos setores analisados começam a desacelerar e observa-se o início de uma queda nos índices. A atividade de consumo, por sua vez, permanece baixa e está estagnada abaixo do nível observado em países da Europa. Essa desconexão entre a recuperação econômica e a atividade de consumo pode ser insustentável para o país no longo prazo.
A China, por sua vez, retornou aos níveis pré-crise durante o verão, mas observa-se que os indicadores de recuperação econômica estão diminuindo significativamente nas últimas semanas. No país, a maioria dos setores – liderados por engenharia, indústria de materiais e processos, e transporte e logística – se beneficiou da ausência de uma segunda onda. Porém, devido às cadeias de abastecimento globais, a China não consegue se recuperar totalmente enquanto o resto do mundo ainda enfrenta a crise.








