Saiba quais são os impactos das eleições americanas na economia brasileira

Saiba quais são os impactos das eleições americanas na economia brasileira

A corrida pelas eleições presidenciais americanas domina as principais manchetes pelo mundo, e com razão. Está em jogo a eleição do próximo homem mais poderoso do mundo, o novo líder político da maior economia do planeta.

Por se tratar dos Estados Unidos, qualquer decisão trará impactos nos outros países, e com isso o mercado mundial sofre com as incertezas dos possíveis resultados. As eleições já acabaram, os votos estão sendo apurados e são muitas especulações.

Caio Megale, economista-chefe da XP Investimentos, afirma que “no curto prazo, os impactos da eleição dos EUA na política econômica estão restritos e pressionados pelos impactos da Covid-19. Ainda que houvesse condições para Joe Biden implementar políticas agressivas, em momentos delicados como esse é muito difícil forçar pacotes de aumento de regulação e de impostos. O foco será na aprovação do pacote fiscal e monetário que irá dar suporte para a economia para o ano que vem. A economia americana vem em um ritmo bom, tanto nos indicadores de atividade econômica, quanto para o futuro, como investimentos”.

Megale chama a atenção para o fato de que a visão de mundo do partido democrata é ligada a mais impostos e de regulação, em comparação com os republicanos. “No médio prazo, medidas como estas podem ser mais discutidas no Congresso, o que pode trazer incertezas para a economia. Mas com o legislativo dividido, é mais difícil fazer mudanças grandes. Além disso, a capacidade de intervenção do governo nas empresas e setores é menor nos EUA do que no Brasil, por exemplo”.

Em relação à China,  o economista-chefe da XP Investimentos destaca que com Biden o nível de tensão deve diminuir e isso acaba sendo fator positivo para os fluxos internacionais de comércio. “A redução de incertezas é correlacionada com o aumento do comércio, que por sua vez está relacionada com melhora da economia global”.

Bolsa e dólar

Caio Megale chama a atenção para o fato de que o dólar tem tido uma tendência de enfraquecimento global nos últimos meses. Quanto maior o pacote fiscal e monetário, maior tende a ser a perspectiva de desvalorização da moeda.

“Diferente da Bolsa, que pode cair ou subir no mundo inteiro, câmbio é uma paridade. Não é óbvio que o dólar vai se desvalorizar contra o Euro, por exemplo, que está passando por uma segunda onda da pandemia e cujo Banco Central também deve adotar medidas expansionistas adicionais. Mas, talvez, haja depreciação contra moedas da Ásia e em relação aos países emergentes que tem experimento aumento em seus preços de exportação. Para o Real, o impacto tende a ser menos evidente, pois este está reagindo mais às incertezas fiscais domésticas do que ao cenário global.”

Cenário de equilíbrio é melhor para as Bolsas

Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP Investimentos, destaca que “não tivemos a esperada onda azul, como as pesquisas mostraram, que daria ampla maioria na Câmara e Senado. Se Biden se tornar presidente, vai ser por uma margem pequena e não devem levar a maioria do Senado. Desde 1901, este cenário de equilíbrio tende a ser o melhor para as Bolsas. Os Democratas não devem conseguir aprovar alta de impostos ou aumento de regulação. O mercado está mais preocupado com a eleição no Congresso do que na Presidência”.

Ferreira explica que é mais importante para um presidente americano, em qual momento do ciclo econômico ele é eleito, e menos importante de qual partido ele faz parte. “O fato de estar em um começo ou em um final de ciclo, conta mais para os retornos do S&P 500 do que se o presidente é Democrata ou Republicano. Hoje, passamos por um início de ciclo, que agregado com o fato de o governo estar dividido, formando um bom cenário para as Bolsas”.

O estrategista-chefe da XP Investimentos informa que os mercados subiram nesta quarta-feira (4) por conta do equilíbrio da eleição e porque houve proteção prévia por parte dos investidores. “Desde a semana passada, houve muita compra de proteção da carteira, retirada de riscos da mesa e aumento de caixa. Essa proteção gera um alívio técnico do mercado, uma posição mais leve, que gera os bons resultados do dia”.

Incerteza nos investimentos brasileiros

Apesar desse momento ser um evento mais que especial, pois as votações via correio aumentaram, devido à pandemia, e por dar um breve fôlego na crescente desvalorização da moeda do Brasil, que já acumulou 35% da perda do valor diante ao dólar, qualquer resultado trará de alguma forma uma incerteza nos investimentos brasileiros, alerta o CEO da Vallus Capital, fintech de fomento, Caio Mastrodomenico.

O executivo explica que Joe Biden tem projetos mais rígidos com a política ambiental, e a imagem negativa que o Brasil tem mundo afora em relação a isso pode afetar as relações do candidato com investidores. “Caso Biden seja eleito, seria necessário que o Brasil se adequasse com multas mais rigorosas para desmatamentos e queimadas, principalmente na floresta amazônica, o que pode ser muito improvável, considerando a opinião de empresários e políticos”, explica.

Em contrapartida, Caio Mastrodomenico diz que os ideais de multilateralismo de Biden seriam muito bons, já que nós exportamos produtos para diversos países, gerando uma boa parte de nossa economia interna. Ao contrário de Trump, que protege mais a entrada de recursos vindo de fora dos Estados Unidos e que já gerou uma preocupação em grandes produtores por conta das sobretaxas.

Na avaliação do CEO da Vallus Capital, Trump é mais liberal em relação às pressões ambientais, e nesse quesito o Brasil sofreria menos impacto. De qualquer forma, haverá impactos consideráveis, e será preciso mudanças e adequações para não ficarmos em uma constante incerteza no mercado econômico.

Equilíbrio entre poderes é positivo

Para o analista político da XP Investimentos, Richard Back, “hoje o cenário mais provável é que o colégio eleitoral aponte a vitória muito apertada de Joe Biden, mas com divisão na câmara dos deputados e no Senado. Este equilíbrio entre poderes é positivo para o mercado global como um todo”

Segundo Back, pode haver alguma indefinição caso o Trump conteste os resultados, já que ele indicou essa possibilidade. Mas importante destacar que essa possibilidade não teve muito apoio, exceto alguns seguidores mais fervorosos.

“Os institutos de pesquisas, em todo o mundo, precisam se atentar mais às tendências de voto nos momentos finais da eleição para apontar probabilidades, e não apenas os números das pesquisas finais. Vimos isso nos EUA em 2016 e em 2020, como também vimos na Argentina na eleição do Macri ou no México na eleição do Lopez Obrador. E até mesmo no Brasil, nos primeiros turnos das duas últimas eleições”, lembra o analista da XP Investimentos.

“Caso se confirme a eleição de Joe Biden, é improvável que haja sanções formais ao Brasil por conta das questões ambientais. O Brasil, que hoje se comunica muito mal em relação a essas questões, precisará fazer um reposicionamento rápido sobre o tema. Com uma boa organização, há uma oportunidade de manter alinhamento com um governo democrata e se manter em situação favorável na mesa de negociações mundial”, avalia Richard Back.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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