Em plena pandemia setor de seguros cresce 3,4%

Em plena pandemia setor de seguros cresce 3,4%
Em 2020, o setor de seguros foi impactado não apenas pela pandemia, mas também pela taxa de juros, muito baixa – que afetou a rentabilidade do setor – pela redução da massa salarial e pela volatilidade de ativos, que influencia a rentabilidade dos planos de acumulação e capitalização, além das provisões técnicas das seguradoras em geral.

“O choque foi muito forte a partir de março. Em janeiro e fevereiro nós tínhamos o desempenho equivalente ao que tivemos no ano passado e progressivamente alcançando todos os ramos. Veio a pandemia em março, em abril fomos ao fundo do poço e em maio começou uma lenta recuperação gradual. É claro, não no mesmo patamar dos outros anos”, afirmou Marcio Coriolano, presidente da CNseg durante entrevista coletiva online realizada nesta segunda-feira.

Ainda assim, Coriolano avaliou de forma positiva o desempenho do setor. “O ano de 2019 foi superlativo, com uma arrecadação perto de quase R﹩ 490 bilhões, incluindo Saúde Suplementar. Sem Saúde, o faturamento também foi muito bom para todos os ramos, R﹩ 270,2 bilhões (seguros, previdência e vida, e capitalização), uma variação nominal de 12,1% sobre 2018, o que significou 9% de crescimento real.
 
Em 2020, com a crise da pandemia, o desempenho ainda é positivo, de 3,4% em 12 meses móveis até setembro de 2020″, explicou. O presidente da CNseg frisou que uma caraterística do mercado segurador é a resiliência, o que explica o crescimento real do setor de 2,8% até setembro de 2020 sobre o PIB negativo de 4,8%.

Entretanto, na avaliação por segmentos, Coriolano observou que a pandemia afetou todos os ramos. “O desempenho de Danos e Responsabilidades foi o que menos sofreu em termos de taxa de crescimento, com 4,6% em 12 meses móveis até setembro de 2020, ainda que abaixo da observada em 2019, que foi de 5,3%”.

Por outro lado, os Seguros de Vida/Riscos e os Planos de Acumulação foram os que mais sofreram. Em 12 meses móveis até setembro de 2020, a taxa de crescimento de seguros de vida foi de 4,6%, contra 13,9% em 2019, e planos de acumulação de 3,1% contra 16,8% no mesmo período.

“Além da queda da massa da renda, houve toda uma exacerbação de expectativas, que alcançou o mercado financeiro, gerando volatilidade que atingiu bastante o PGBL e o VGBL. O mesmo aconteceu com Capitalização. No caso da Saúde Suplementar, ela deve fechar com os mesmos 8,7% do ano passado, em razão da dinâmica dos custos médicos e hospitalares”, avaliou.

Pandemia

Para Jorge Pohlmann Nasser, presidente FenaPrevi, a pandemia fez o brasileiro ficar mais sensível sobre a importância da aquisição de seguros.

“Nos seguros de Pessoas, temos que falar que cumprimos uma missão muito importante, que foi desconsiderar a cláusula de exclusão de pandemia no seguro de Vida. Chegamos ao final de setembro com R﹩ 13, 4 bilhões de pagamentos de indenizações no Vida. Isso é, sem dúvida, um valor fantástico, 26% maior que o ano passado. O setor mostrou resiliência em provisionamento para conseguir garantir a solvência das suas empresas, das associadas e cobrir uma cobertura que não era contemplada nos contratos e, mais do que isso, atender a tempo e a hora os nossos participantes”, destaca,

Atividades do setor durante isolamento social

O presidente da CNseg, Marcio Coriolano, avalia que nenhuma atividade do setor segurador foi prejudicada com o isolamento social. “A boa notícia é que todos os planos de contingência das seguradoras funcionaram, principalmente o teletrabalho, e também as plataformas digitais. Ou seja, em todo esse período, nós não tivemos nenhum comprometimento maior dos nossos fundamentos”, avaliou Coriolano

Para o presidente da CNseg, Marcio Coriolano, houve preocupação porque diversos projetos de lei não levaram em conta os principais fundamentos do seguro, colocando em risco sua integridade, se fossem à frente.

“Do ponto de vista Legislativo, tivemos leis federais e estaduais prevendo toda sorte de facilidades e ampliação de coberturas. Foram sete mil projetos de lei, o que teve impacto na nossa atividade corporativa. Também tivemos, no Judiciário, novos processos pedindo coberturas extraordinárias e de julgamentos de processos importantes para o mercado segurador. A resposta do setor veio por meio da flexibilização dos contratos de vida e de seguro saúde. Todos sabem que, embora não estivesse prevista a cobertura de catástrofes em seguro de vida, alcançando aí a pandemia, houve um entendimento com a própria Susep para pacificar muitas das questões de mercado, dando cobertura de morte e também de doenças decorrentes de pandemias que não eram previstas nos contratos de vida e de saúde. Trocamos muitas informações com essas entidades internacionais, como Fides e GFIA, que sofreram pressões parecidas em seus países”, avaliou Marcio.

Reajustes dos planos de saúde

Para João Alceu Amoroso Lima, da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), é importante a reposição ao longo dos 12 próximos meses dos reajustes suspensos dos planos de saúde nos meses de setembro a dezembro.

“É fundamental manter a solvência do sistema. Não se pode suspender reajustes previstos em contratos, e não recuperar isso. Caso contrário, pode haver problemas mais adiante e custar mais caro para todos”, avaliou.

DPVAT

O presidente da FenSeg, Antonio Trindade, afirmou que, até o final de 2020, o mercado deve tomar conhecimento de como será administrado o Seguro DPVAT. “A gente ainda não tem certeza de quem vai estar operando o sistema de Seguro DPVAT, ou se a Caixa Econômica é uma das alternativas para essa administração ao longo de 2021. Ainda não está decidido a que preço esse seguro será comercializado – se a custo ínfimo ou se eventualmente a custo zero. O que se pretende – e estamos conversando enquanto indústria com o regulador – é repor o DPVAT, um seguro extremamente importante do ponto de vista social e acertar algum formato que gere concorrência, em vez de monopólio. O formato também deve beneficiar a indústria, o consumidor e a República. Esse é o Norte que estamos desenhando”.

Novas tecnologias

Para o presidente da Federação Nacional de Capitalização (FenaCap), Marcelo Farinha, a tecnologia pode ser muito útil para a distribuição de títulos de capitalização.

“No primeiro momento, a pandemia afetou com a queda da demanda pelo fechamento das unidades físicas de distribuição. Em resposta, nossa distribuição que era física passou por uma transformação silenciosa, possibilitando um acesso maior a plataformas digitais. A crise intensificou algo que já estava acontecendo, permitindo um ambiente propício para novas formas de relacionamento”, avalia.

Perspectivas para 2021

O presidente da CNseg, Marcio Coriolano, avalia que qualquer previsão para 2021 depende dos cenários econômico e político. Além disso, não há perspectivas de as seguradoras deixaram o home office ou voltaram a fazer eventos presenciais.

“Não temos data para voltar. Estamos trabalhando com a premissa básica de que não vamos colocar em risco a saúde dos colaboradores das empresas do setor de seguradoras, de jeito nenhum”, explicou o executivo, destacando que tem voltado a aumentar a ocupação dos hospitais por causa do aumento do contágio.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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