Maioria das empresas vai fortalecer processo de gestão de riscos de terceiros

Maioria das empresas vai fortalecer  processo de gestão de riscos de terceiros

Aprimorar o gerenciamento de riscos de terceiros, investindo em talentos e tecnologias, sempre foi um desafio para as organizações do mundo todo. Com a crise que a pandemia da Covid-19 trouxe, as preocupações devem ser redobradas. Para entender esse cenário mundialmente, a Deloitte, maior organização de serviços profissionais do mundo, realizou a “Pesquisa Global de Gestão de Riscos de Terceiros 2020”.

O estudo conclui que muitas organizações vão reavaliar o seu posicionamento e fortalecer seu processo de gestão de riscos de terceiros, como forma de responder a eventos de alto impacto, como a pandemia de Covid-19. Como resultado, a expectativa é de que a curva de maturidade das empresas nesse aspecto se acelere nos próximos meses. O público-alvo de entrevistados da pesquisa englobou responsáveis pela governança e pela gestão de riscos de terceiros em suas organizações: diretores financeiros e líderes das áreas de riscos, conformidade, auditoria interna, tecnologia da informação e gestão de compras e fornecedores.

Os principais temas abordados no levantamento de 2020 foram: custo de incidentes, equilíbrio entre responsabilidade e custos, aumento da atividade regulatória, visão para transformação, assessoria externa especializada e foco mais amplo.

“Essa participação de quase 1.200 executivos de diversos países na pesquisa da Deloitte reforça a importância que a gestão de terceiros tem ganhado nas organizações. A pandemia que vivemos atualmente, assim como os desafios e impactos dela oriundos, tem reforçado diariamente a necessidade de se investir em boa governança e em gestão de riscos de terceiros, bem como de obter a atenção da liderança das organizações. Os líderes organizacionais reconhecerão cada vez mais o papel dos programas de recuperação de custos e receitas em revigorar a jornada de uma organização em direção à maturidade da gestão de riscos de terceiros”, destaca Alex Borges, sócio de Risk Advisory da Deloitte

Custos de incidentes

De acordo com a pesquisa, a exposição financeira pelo não gerenciamento adequado de riscos relacionados a terceiros é estimada em pelo menos US$ 25 milhões para quase metade das organizações respondentes no Brasil. A ocorrência de incidentes de alto impacto de terceiros e subcontratados é de 17%, segundo os respondentes globais – contra 24% entre as organizações entrevistadas no Brasil, o que coloca às empresas do País a demanda por maior atenção ao gerenciamento desses riscos.

O relatório conclui que organizações que são proativas em suas respostas e navegam ativamente com sucesso desenvolvem equipes e capacidades que as diferenciam de seus concorrentes. Tais capacidades poderiam prover melhores resultados para a força de trabalho, otimizar resultados financeiros em meio à crise e tornar as organizações mais resilientes e preparadas para enfrentar crises futuras. Além dos incidentes de alto impacto, os de baixo ou médio também se tornarão mais comuns. As organizações aumentarão o foco no impacto agregado do número crescente de incidentes de baixo ou médio impactos, particularmente quando as causas estiverem relacionadas ou puderem ser recorrentes. Isso exigirá novas dimensões de análise, incluindo uma aplicação mais extensa de visualização.

Equilíbrio entre responsabilidades e custos

Os riscos climáticos e geopolíticos relacionados a terceiros estão entre os quais as empresas pesquisadas na amostra brasileira menos alocam orçamento, no entanto, figuram entre os quais essas organizações mais foram impactadas, e os que mais apresentam riscos. Grande parte dos entrevistados acredita que suas organizações sub investem na gestão de riscos de terceiros.

Dos respondentes no Brasil, 40% conduzem a adequada revisão independente dos riscos de terceiros (incluindo revisões por auditoria interna própria); 37% têm procedimentos específicos para avaliar riscos terceiros de pequeno porte (startups, comerciantes individuais etc.); 34% contam com orçamento adequado para a gestão de risco de terceiros; e 30% possuem o adequado monitoramento contínuo de terceiros (auditoria interna, reavaliações, autocertificação etc.).

De acordo com o relatório da Deloitte, o desejo de ser uma empresa responsável ganha relevância como um dos impulsionadores nos investimentos em gestão de riscos de terceiros. Isso permitirá que as organizações tenham maior capacidade de obter orçamento para essas iniciativas e demonstrar o retorno desses investimentos.

A Covid-19 ampliará e reforçará a continuidade dos negócios organizacionais e as iniciativas de resiliência, aumentando o foco em ações de terceiros. As organizações precisarão considerar as implicações das ações de terceiros no momento de abordar questões globais, como mudança climática, sustentabilidade, segurança de alimentos e produtos e a necessidade de ser ética. O crescente ativismo dos clientes terá um papel muito mais significativo na definição das agendas das organizações para o gerenciamento de terceiros de forma responsável.

Aumento da atividade regulatória

A pesquisa revela que o aumento na atividade regulatória encoraja as organizações a ganhar maturidade na gestão de terceiros – e as empresas que não acompanharem esse movimento ficarão para trás nessa jornada. Quase um terço (32%) aumentou seus investimentos em gestão de riscos de terceiros devido à pressão cada vez maior dos reguladores.

Os princípios regulatórios começarão a convergir em todo o mundo à medida que mais reguladores se concentrarem no risco de terceiros. Uma área em que isso pode acontecer mais rapidamente é a de resiliência operacional e continuidade. Os conceitos de boas práticas, soluções tecnológicas, utilitários e serviços gerenciados continuarão a evoluir e, consequentemente, as organizações precisarão rever suas autoavaliações anteriores de maturidade em intervalos periódicos.

Já a internalização surgirá como uma opção mais atraente, pelo menos por um período, quando a necessidade imediata é manter o controle direto sobre operações e processos críticos enquanto invoca planos de contingência.

Visão para a transformação

As organizações estão desenvolvendo uma visão de longo prazo em relação à gestão de riscos de terceiros. Essa perspectiva envolve uma gestão holística, e não fragmentada, de terceiros, possibilitada por uma fonte segura, centralizada e confiável de informações construída com base em tecnologia de ponta. De acordo com o estudo da Deloitte, 43% desejam explorar uma solução tecnológica diferente para a gestão de riscos de terceiros, mas 41% não sabem qual caminho seguir em relação às tecnologias de gestão de riscos de terceiros.

A pesquisa aponta que, à medida que as organizações se recuperam da pandemia, são esperados investimentos contínuos em iniciativas de transformação de tecnologias na busca por eficiência e eficácia. Não foi observada, no entanto, uma solução tecnológica de destaque, que tenha se diferenciado como habilitadora de gestão de riscos de terceiros.

Portanto, existe oportunidade para os principais fornecedores de plataformas ERP, P2P e de gerenciamento de riscos atualizarem as funcionalidades e a cobertura de suas soluções. As organizações provavelmente aumentarão seus investimentos em robótica e inteligência artificial para tomar decisões estratégicas mais tempestivas. Para isso, as empresas precisarão cada vez mais incorporar um fluxo que considere as fontes, o armazenamento e a integridade dos dados.

Assessoria externa especializada

Um número crescente de organizações usa suporte externo para melhorar e complementar seu programa de gestão de riscos de terceiros, aponta a pesquisa. Entre os participantes, 29% possuem um Cento de Serviços Compartilhados (CSC) com equipe administrativa de apoio a processos de gestão de riscos de terceiros, e 41% Pretendem ter um CSC. Já 27% possuem um Centro de Excelência (CE) com profissionais especializados em gestão de riscos de terceiros, e 32% Pretendem ter um CE.

Embora a terceirização de processos de gestão de riscos de terceiros represente uma opção atraente para recuperar o controle de processos críticos no curto prazo, o uso de suporte externo para melhorar ou entregar programas organizacionais nessa frente será criterioso nos próximos meses. Isso inclui assessoria em inteligência de riscos, serviços gerenciados e o envolvimento de consultores de confiança para um projeto de recuperação após a pandemia da Covid-19.

No futuro, o modelo de serviços gerenciados com base em tecnologia reduzirá drasticamente os custos da gestão de riscos de terceiros e, em certa medida, os custos operacionais, melhorando a qualidade e o rigor dos esforços de gerenciamento de riscos. As organizações vão preferir fornecedores de serviços públicos com maior cobertura de terceiros relevantes e de domínios de riscos, bem como provedores de serviços gerenciados que tenham uma marca confiável e operem globalmente.

Foco mais amplo

Os executivos seniores estão expandindo o foco para além do risco, incluindo uma visão mais ampla da gestão de terceiros. Isso permitirá sinergias a longo prazo, mas cria desafios de coordenação durante a transição. Entre os entrevistados, 41% têm foco exclusivo nas atividades de gestão de riscos, enquanto 59% têm foco em atividades mais amplas na gestão de terceiros, como gestão de contratos, financeira, de desempenho, de dados e de relacionamento.

O uso de tecnologias emergentes está criando inteligência e permitindo a ampliação do foco da gestão de riscos de terceiros para uma gestão corporativa de terceiros, gerando uma capacidade de monitoramento contínuo e em tempo real. De acordo com a pesquisa, 54% planejam usar plataformas em nuvem; 38% pensam em usar análise cognitiva e inteligência artificial; 35% pretendem usar automação robótica de processos; e 35% planejam usar tecnologias de visualização.

A evolução para uma visão mais ampla e estratégica da gestão de terceiros continuará. Essa evolução será conduzida por lideranças executivas e conselhos e será impulsionada por investimentos em tecnologia. A tendência de que a responsabilidade final pela gestão de riscos de terceiros esteja no topo da organização indica uma possibilidade de melhora na coordenação interna entre os diferentes agentes da função, o que também pode representar um desafio significativo para as empresas.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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