Aplicação da Selic na atualização dos débitos trabalhistas reduzirá passivo de empresas

Aplicação da Selic na atualização dos débitos trabalhistas reduzirá passivo de empresas

A recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de aplicar a taxa Selic para correção monetária de débitos trabalhistas refletirá em uma considerável redução do passivo das empresas que possuem processos em curso. Na avaliação do Bueno, Mesquita e Advogados, banca especializada em Agronegócio e Direito Trabalhista, a sentença possui respaldo jurídico e econômico para ajudar a pacificar um antigo debate entre empresas, associações e entidades de classe.

Na última sessão plenária de 2020, os ministros decidiram, por maioria dos votos, que a taxa Selic será o índice utilizado para a correção dos débitos trabalhistas já a partir da fase de citação inicial nos processos. O tribunal também decidiu, por unanimidade, pela inconstitucionalidade da aplicação da Taxa Referencial (TR), que vinha sendo utilizada pela justiça do trabalho até então.

Na visão dos ministros, a TR não refletia o poder aquisitivo da moeda, sendo necessário considerar o mesmo critério de juros e correção monetária aplicado nas condenações cíveis em geral. A decisão do Supremo é válida até que o Poder Legislativo delibere sobre a questão.

Economia para as empresas

Para os advogados do Bueno, Mesquita, as empresas saem beneficiadas caso o Congresso Nacional decida levar adiante a decisão do Supremo. “Enquanto a TR é um índice de correção com juros de 1% aplicado, na Selic os juros e correção monetária já são embutidos no próprio índice”, explica Regina Nakamura Murta, advogada responsável pelo Departamento Trabalhista do escritório. “Com a incidência da Selic,  fica vedada a acumulação com outros índices de atualização, mantendo o passivo trabalhista em níveis mais baixos para as empresas”, esclarece Regina.

“Representantes dos trabalhadores defendiam a aplicação de índices mais valorizados, que poderiam render reajustes mais vantajosos, como o Índice Geral de Preços Mercado (IGP-M) e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)”, diz Marco Aurélio Souto Maior, também advogado do Bueno, Mesquita. Os ministros Edson Fachin, Rosa Weber, Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio chegaram a fundamentar seus votos a favor da aplicação do IPCA.

Como exemplo, o Bueno, Mesquita preparou uma condenação trabalhista hipotética para mostrar como o resultado final pode sair mais barato para as empresas. Em uma condenação no valor de R$ 5 mil pelo período de 36 meses, o trabalhador receberia R$ 6.825,00 com a aplicação do índice de correção da TR, que atualmente está zerado. Em cenário idêntico, o mesmo trabalhador receberia R$ 8.084,55 com aplicação do IPCA-E, que hoje atinge o índice de correção de 1,06%. Com a aplicação da taxa Selic, fixada atualmente em 2%, o valor a receber ao fim do período seria de apenas R$ 5.793,78.

O STF definiu ainda pela modulação dos efeitos da decisão. Todos os pagamentos realizados com aplicação da TR ou de qualquer outro índice serão considerados válidos sem rediscussão. Por outro lado, aos processos em curso que estejam sobrestados na fase de conhecimento, independentemente de haver sentença, deverão ser aplicados, de forma retroativa, a taxa Selic, juros e correção monetária.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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