Estratégias implementadas por shoppings não funcionaram na pandemia

Estratégias implementadas por shoppings não funcionaram na pandemia

 A crise provocada pela pandemia da Covid-19 mexeu com os mais diversos setores e o shopping centers foi um deles. No ano passado, o segmento registrou uma queda de 33,2% no faturamento, segundo a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). O número de postos de trabalho caiu 9% e a taxa de vacância atingiu 9,3%, o dobro do ano anterior.

Para fugir do cenário de crise, muitos shoppings aplicaram ideias para atrair o público. O problema, em diferentes centros comerciais, é que algumas das soluções aplicadas não tiveram o efeito desejado, segundo Maurício Romiti, Diretor Financeiro e administrativo da Nassau Empreendimentos, empresa que atua há quase 30 anos no mercado de shopping centers nacional e possui uma carteira de clientes diversificada com mais de 100 projetos. 

“Sabemos que a realidade dos shoppings está bastante difícil, mas é preciso harmonizar estratégias de negócios à realidade que estamos vivendo. Se estamos fechados agora, temos que buscar, como setor, novas formas de nos adaptar e continuar seguindo o nosso fluxo de vendas. Para chegar nisso, não existe uma fórmula e algumas alternativas não funcionaram conforme o planejado”, explica o Diretor. 

Veja algumas delas:

1 – Carros no interior do shopping

Na tentativa de driblar a fase vermelha do Plano São Paulo, em 2020, um shopping do interior paulista instalou um “drive-in thru”. Ou seja, permitiu que carros andassem dentro do centro comercial. O local chegou a estabelecer algumas regras como: uso de máscara pelos motoristas e “mãos” de tráfego no estabelecimento de modo a evitar trânsito.

“A gente entende que o setor tem pressa para voltar a atuar, mas nesses últimos meses é necessário redobrar os cuidados por conta da pandemia. No caso do “drive-in thru”, acidentes poderiam ter acontecido gerando prejuízos até mesmo para o estabelecimento, o consumidor e para o lojista”,  conta Maurício.

2 – Show e Salva de palmas

Ainda no ano passado, após o governo de Santa Catarina autorizar a reabertura do comércio, um shopping no interior do estado promoveu dois eventos: uma salva de palmas e um show. Os eventos causaram aglomerações e a ação do centro comercial foi parar na justiça.

“Esse caso foi muito marcado na época. O objetivo era festejar a volta da abertura do estabelecimento, mas a pandemia não acabou ainda. Era preciso tomar mais cautela para uma situação como essa ”, explicou.

3 – Grandes liquidações na loja física

No ano passado, diversos shoppings centers por todo o Brasil realizaram promoções. Mais recentemente, em fevereiro de 2021, um shopping no interior de São Paulo e outro da capital paranaense realizaram a grande “Queima de Verão”, com descontos de até 70%.

“Sabemos que os lojistas precisam dar fluxo aos seus produtos. Eles dependem das vendas para honrar todos os seus compromissos. Mas em um momento onde o País enfrenta uma nova onda de casos da Covid-19, promoções deste porte podem causar aglomerações e, assim, manter o vírus circulando e aumentando o número de infectados. Talvez a melhor alternativa para essas liquidações fossem os canais online das lojas”, afirma Maurício. 

4 – Metade aberto e metade fechado

Ao atingir a ocupação total de leitos da UTI, uma cidade do interior paulista decidiu retroceder para a fase vermelha do Plano São Paulo. Mas um shopping, que fica exatamente na divisa deste município com o vizinho, optou por abrir a metade do centro comercial que ficava no território da outra cidade.

“A ideia foi boa, mas não para esse momento, talvez em uma Black Friday ou antes do Natal, mas em condições normais e não durante uma pandemia. Isso porque se o shopping center tem uma metade em uma cidade e a outra no município vizinho, fechar somente uma metade não é a melhor das soluções. Isso é prejudicial aos lojistas da parte fechada e não ajuda na contenção de novos casos da doença da parte aberta”, finaliza Mauricio.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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