Faturamento cai, mas empresários do Paraná buscam se reinventar

Faturamento cai, mas empresários do Paraná buscam se reinventar

Depois de uma melhora no faturamento no segundo semestre do ano passado, os micro e pequenos negócios do Paraná voltaram a sentir os reflexos da pandemia neste primeiro trimestre de 2021. A 10ª edição da pesquisa “O Impacto da Pandemia do Coronavírus nos Pequenos Negócios”, realizada pelo Sebrae, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), revela que 76% dos empresários paranaenses tiveram queda no faturamento.

Na pesquisa anterior, feita em novembro, a redução das receitas foi uma queixa de 70% dos empresários. Como a pesquisa foi realizada no período de 25 de fevereiro a 1º de março, portanto antes do lockdown, a queda no faturamento deve ter se agravado ainda mais.

2 "Amberson Silva" profiles | LinkedInEu conversei com o coordenador estadual de capitalização  e serviços financeiros do Sebrae Paraná, Amberson Bezerra da Silva (foto) e ele me disse que a queda do faturamento da maioria dos negócios, nos dois primeiros meses do ano, é normal, só que neste ano ainda teve o agravamento da pandemia.

No entanto, o coordenador do Sebrae destaca que o empresário paranaense tem grande capacidade de se reinventar e vem encontrando novas formas de desenvolver seu negócio, utilizando a sua lista de clientes para vender pelas redes sociais; o cabelereiro que não pode estar no salão para cortar cabelos está optando por vender para seus clientes produtos de beleza via whatsapp,; os restaurantes que não podem abrir as portas estão fazendo marmitas e adotando aplicativos e contratando delivery; a concessionária e veículo vai até a casa do cliente para vender e entregar o carro. Outro item que não pode faltar é ter um bom site de venda, pois o comércio eletrônico veio para ficar e faz parte do novo perfil do consumidor.

De acordo com Amberson Silva, lamentavelmente, os negócios que fecharam suas portas, inclusive tivemos exemplos de tradicionais churrascarias que não sobreviveram a pandemia, é por que não souberam se reinventar e não se prepararam para enfrentar a crise.

O coordenador do Sebrae Paraná me explicou que os empresários que se preparam e buscam capacitação para gerir melhor seus negócios, conseguem superar com mais facilidade os obstáculos financeiros que encontram pela frente.

O Sebrae no Paraná tem sentido que mais empresários estão procurando se capacitar, sendo que a maior preocupação é a gestão financeira. Para se ter uma ideia, só no ano passado, os consultores do Sebrae realizaram  468.847 atendimentos no Estado, sendo 278.950 para empresas; 151.675 para microempreendedores individuais; 106.666 microempresários e 20.609 pequenas empresas.

Este ano, de janeiro até 19 de março, os consultores do Sebrae atenderam 30.080 pessoas jurídicas e 37 mil atendimentos a pessoas físicas, que pretendem se lançar no mundo dos negócios.

Os micro e pequenos empresários paranaenses também têm buscado cada vez mais ferramentas de gestão, frequentado cursos e participado de palestras. Outra alternativa para sobreviver antes de buscar crédito nos bancos é negociar com os fornecedores, salienta Amberson Silva.

Crédito

O levantamento do Sebrae apontou ainda que o número de empresários no Paraná que estão com dívidas e empréstimos em atraso subiu para 31%, maior em relação à pesquisa de novembro, com 28% dos empreendedores nessa condição. Os dados indicaram que 48% dos entrevistados já buscaram crédito e, desses, 38% conseguiram e 5% ainda aguardam uma resposta.

Para mais da metade dos entrevistados que são donos de micro e pequenas empresas (44%), a principal medida do governo para auxiliar o segmento nesse momento seria a extensão das linhas de crédito com condições especiais como o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), 24% deram mais importância à extensão do auxílio emergencial e 16% ao adiamento no pagamento de dívidas.

Melhora só daqui 18 meses

Por conta da pior do cenário, os empresários paranaenses ainda afirmaram que possuem a expectativa de uma melhora da pandemia somente daqui a 18 meses. Com isso, a proporção de empresários preocupados com o futuro da empresa chegou a 56%, enquanto na pesquisa em novembro o percentual atingia 45%.

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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