Seguradoras devem investir R$ 630 milhões para adoção da IFRS 17

Seguradoras devem investir R$ 630 milhões para adoção da IFRS 17

A PwC Brasil estima que as seguradoras brasileiras estejam investindo cerca de R$ 630 milhões com projetos para adoção da IFRS 17 (International Financial Reporting Standards 17), que introduz uma conceituação mais consistente na mensuração de prêmios dos contratos de seguros e aumenta a comparabilidade das demonstrações financeiras nessa prática.

Em média, o investimento estimado por seguradora é de R$26 milhões, considerando uma transformação financeira necessária. Esta é uma das descobertas da IFRS 17 – Pesquisa de Prontidão do Mercado Segurador, realizada com 45 seguradoras que representam 90% do mercado e mais de R$ 1 trilhão em valores de provisão técnica.  
 
“É importante destacar que a IFRS 17 vai promover alterações significativas na mensuração e preparação de demonstrações financeiras das companhias de seguros. Com ela, será possível comparar adequadamente resultados de diferentes seguradores, de diversos países, de forma muito mais precisa e adequada”, destaca Carlos Matta, sócio da PwC Brasil.

Projeto

De acordo com o estudo, 88% das empresas adotarão a IFRS 17, sendo exceções as seguradoras que emitem apenas relatórios locais ou que contam com matrizes não europeias. Destas, 55% estão em fase de implementação do projeto, e 32% em análise de impactos. Cerca de 9% estão na fase de desenho e planejamento, e 5% em fase de consolidação. A pesquisa traz dados também sobre a duração estimada da implementação: dois anos ou mais (42%), entre um e dois anos (21%) e até um ano (37%).
 
“Muito mais que uma importante mudança na forma de registrar contabilmente o seguro ou resseguro, a nova norma desafia o gestor das seguradoras e resseguradoras a repensar o modelo de precificação dos contratos, alinhando-o às expectativas de geração de fluxo de caixa, ajuste de risco e margem de lucro que deseja atingir, e considerando os critérios de classificação e granularidade dos dados dos contratos conforme exigido pela norma. Pode ser uma transformação financeira interessante para algumas companhias”, destaca Claudia Eliza, sócia de consultoria de seguros da PwC Brasil.
 
Quanto às abordagens de implementação, o mercado atualmente se divide entre considerar o programa como parte de um projeto total ou parcial de transformação financeira (59%) ou adotar um compliance mínimo com a IFRS 17 (41%). Não há relação direta entre o tamanho da seguradora e a abordagem empregada.
 
A pesquisa ainda revela que 50% das equipes internas têm conhecimento básico sobre os itens atuariais e contábeis requeridos pela IFRS, com 25% apresentando nível intermediário e 25% nível avançado de conhecimento. “O mercado afirma compreender os impactos tecnológicos da adoção da IFRS 17, principalmente pela relevância atual dentro dos processos”, afirma Luís Ruivo, sócio da PwC Brasil. “Embora a implantação seja um desafio, os benefícios e as oportunidades que surgirão – como a comparação da contabilidade estratégica dos seguros no Brasil com outros países – irão valer a pena”, afirma.

Desafios

Entre os principais desafios, 74% das seguradoras apontam que a capacitação das equipes internas (atuarial, contábil e de tecnologia) e a indisponibilidade de recursos capacitados no mercado de trabalho terão alto impacto na implementação. Outras 68% indicam a mudança significativa nos roteiros contábeis, a necessidade da contabilização em mais de um padrão (dada a divergência entre regulamentação contábil Susep e normas IFRS) e a seleção das plataformas tecnológicas disponíveis para modelagem de fluxos de caixa e motores de cálculo como principais pontos de atenção.
 
Todas as companhias de seguros que emitem relatórios de acordo com a IFRS serão afetadas pela nova norma, que deve entrar em vigor em 1º de janeiro de 2023.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *