Veja quais são as quatro empresas de tech e turismo que podem abrir capital ainda este ano

O ano de 2020 foi de baixa para o setor de turismo. Com a pandemia de Covid-19 cidades inteiras fecharam suas barreiras, voos foram cancelados e remarcados. A principal empresa de turismo de capital aberto na B3, a CVC, viu seu valor de mercado cair mais de 50%, e companhias aéreas como Azul e GOL, também listadas na B3, caíram em média 35%.

A retomada do setor está sendo gradual e curiosamente as viagens a lazer retornaram mais rápido, enquanto as empresas ainda enxergam muito risco em colocar os colaboradores em viagens. 

Contudo, algumas empresas de turismo estão saindo mais fortes da pandemia e são essencialmente as de tecnologia que atuam no setor, como afirma Marcelo Linhares, CEO da Onfly – Viagens Corporativas. 

“Já dá até para prever as que podem aproveitar a euforia do mercado e abrir capital ainda em 2021, seguindo a boa fase das empresas de tecnologia que abriram capital recentemente, como Enjoei, Meliuz, Mosaico e Locaweb, e do Airbnb, empresa de compartilhamento de quartos, que abriu capital em dezembro do ano passado em NASDAQ e já valorizou 47% em pouco mais de dois meses”, explica. 

Por isso, o executivo elencou quatro empresas de tech e turismo que podem abrir capital ainda este ano. “É importante ressaltar que nunca o mercado brasileiro esteve tão otimista com empresas de tecnologia, portanto, empresas do setor de turismo que desejam algum sucesso no mercado de capitais precisam contar uma história muito mais de “tech” do que de turismo”, diz o CEO da Onfly. 

Veja quais são elas:

123Milhas

A 123Milhas é a principal aposta do setor, com investimento massivo em mídia, tanto on-line, quanto off-line em TVs e, principalmente, mídia aeroportuária (eles estão com ações em mais de 25 aeroportos do Brasil). Segundo a SimilarWeb, o tráfego da 123Milhas já se aproxima da Decolar, empresa que em 2019 realizou entre R$ 7 a R$ 9B em reservas apenas no Brasil.

A favor da 123Milhas, pesa uma excelente reputação do Reclame AQUI, um aumento de inventário – agora a companhia está distribuindo, além de passagens aéreas, também hotéis, seguros e carros – e o fato da empresa não ter demitido ninguém na pandemia, pelo contrário, contratou novas pessoas, inclusive, o novo VP de gestão da companhia é ex-CEO da BH Airport, sinalizando que a empresa está investindo no amadurecimento de sua gestão para uma eventual abertura de capital.

Estima-se que a 123Milhas chegue ao final de 2021 com um volume de vendas aproximado de R$ 3B, com um take rate médio de 16%, o que daria para a empresa uma receita aproximada de R$ 480 milhões.

Para fins de comparação, no ano que antecedeu o IPO (Initial Public Offering – oferta pública inicial) da Enjoei, em 2019, a empresa apresentou uma receita de R$ 53 milhões.

Em termos de tamanho e porte, a 123Milhas talvez seja a empresa mais preparada para realizar o IPO, resta saber se os atuais acionistas entendem se agora é o momento para fazer este movimento ou se vale a pena crescer ainda mais e abrir capital em 2022.

Hurb

O Hurb pode ser a empresa que esteja mais sendo “pressionada” a fazer um IPO, isto porque a empresa passou por um grande conflito entre os investidores e os fundadores entre 2015 e 2017 e, no acordo firmado, os investidores ficam com 30% de todo o valor de uma eventual venda ou IPO da empresa até 2024.

Em 2020, mesmo o ano sendo muito ruim para o turismo, segundo dados publicados no próprio LinkedIn da empresa, embora não auditados, a empresa fez R$ 1,9B em reservas (gross booking volume), entre hotéis e pacotes turísticos, principalmente.

A empresa também contratou mais pessoas em 2020, continua acelerando seu projeto de internacionalização e já está com 723 pessoas no time (e com vagas abertas).

MaxMilhas

A MaxMilhas foi a primeira OTA (Online Travel Agency) do mercado a fomentar fortemente compra e venda de passagens aéreas com milhas e ainda é uma das maiores do mercado.

Estima-se que a empresa mineira deve realizar em 2021 algo próximo de R$ 1,5B com um take rate médio de 20%.

A MaxMilhas deve se beneficiar de um consumidor muito mais digital pós-pandemia e de uma retomada muito mais rápida para destinos domésticos, nicho em que a companhia sempre foi mais forte.

O que pesa contra a empresa mineira é a desconfiança de eventuais investidores sobre a perpetuidade do modelo de passagens aéreas com milhas, que publicamente as companhias aéreas tentam acabar.

Por outro lado, a empresa pode otimizar todo seu tráfego para oferecer outros conteúdos, como hotéis, carros, pacotes e seguros, muito na linha do que a 123Milhas está fazendo.

ViajaNet

Por ter recebido uma série de investimentos de capital de risco, ainda no início da operação, a ViajaNet, uma das primeiras OTAs do Brasil, talvez seja a companhia que esteja mais “apta” para um IPO, pensando na parte de governança tributária e contábil.

Em 2019 a empresa anunciou R$ 1,1B em volume de reservas e publicamente já informou que atingiu o breakeven (equilíbrio entre despesas e receitas).

No ano passado, especificamente em dezembro, por conta da pandemia, a empresa anunciou uma nova captação de $ 6,5M dos investidores atuais para recomposição de caixa, e no total a empresa já captou, segundo a Crunchbase, aproximadamente U$ 25M.

Dependendo de como a empresa se comportar nos primeiros nove meses do ano, ela pode ainda protocolar o pedido de IPO na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) este ano, sobretudo, apoiado na grande euforia dos investidores em empresas de tecnologia.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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