Mercado vê mais Empresas Simples de Crédito serem fechadas do que abertas

Mercado vê mais Empresas Simples de Crédito serem fechadas do que abertas

Dois anos após a criação das Empresas Simples de Crédito (ESC), pela Lei Federal 167 de 24/04/2019, o país já conta com 804 negócios dessa categoria criada para oferecer recursos para pequenos empreendedores. As próprias ESCs são, por natureza jurídica, empresas de pequeno porte, juntas elas representam um mercado de R$ 415 milhões, de acordo com acompanhamento do Sindicato das Sociedades de Fomento Mercantil Factoring do Estado de São Paulo(Sinfac).

“O interessante das ESCs é que elas fazem o capital girar dentro da microeconomia, é o pequeno emprestando para pequeno. Muitas das operações são para comerciantes locais que não têm acesso fácil a financiamentos e empréstimos nos grandes bancos”, Hamilton de Brito Jr (foto)., presidente da Associação Brasileira de Factoring, Securitização e Empresas Simples de Crédito e do Sinfac-SP.

Apesar de seu relevante papel para o fomento comercial e de sua rápida expansão – há ao menos uma empresa em cada estado brasileiro com presença em 215 municípios, desde fevereiro deste ano e, pela primeira vez, a quantidade de ESCs fechadas superou as abertas. No período foram registradas 57 novas empresas enquanto outras 82 encerraram suas atividades. “O que nos preocupa é a tendência, as saídas têm sido maiores que as entradas nos últimos meses. A legislação atual, do modo como está, tem contribuído para esse cenário, o que é ruim porque reduz as alternativas de crédito para os micros e pequenos empreendedores”, avalia Hamilton.

A Lei da ESC impõe uma série de limitações para assegurar que as empresas mantenham esse perfil. Uma delas é o teto de R$ 4,8 milhões para a receita bruta anual (limite para as EPP – Empresa de Pequeno Porte definido pelo Simples Nacional). Entretanto, a principal limitação é a característica bastante peculiar desse modelo de negócio: sua atuação é regional, as operações das ESCs são restritas ao munícipio sede e às cidades limítrofes. Se, por um lado isso reduz a quantidade de potenciais clientes, por outro cria um ambiente de baixa concorrência entre as ESCs. Entretanto as ESCs têm que concorrer com outras modalidades de crédito que não tem essa limitação territorial, tais como bancos, Factorings e Fintechs, dificultando inclusive o crédito por plataforma digital.

O espírito da lei era o impulsionamento da economia local, possibilitando a geração e manutenção de empregos e renda dentro de sua região, mas nos últimos meses, esse tipo de trava está trazendo consequências negativas para a ampliação do crédito. “Por esse motivo, se faz urgente uma atualização da lei para dar igualdade de condições de concorrência com outras modalidades de crédito”, comenta Hamilton. O SINFAC-SP já tem uma proposta para atualizar a Lei das ESCs.

Com muito pouco capital social já é possível iniciar uma ESC e fazer empréstimos para microempreendedores de forma institucionalizada. Atualmente, elas operam com capital social médio de R$ 500 mil e juros mensais que variam de 3% a 5%. Além do empréstimo direto, as ESCs também podem fazer financiamentos e descontos de títulos de crédito.

O Estado de São Paulo concentra o maior número de ESCs, são 252 distribuídas em diversas cidades. “É uma alternativa de empreendedorismo para quem perdeu o emprego e quer fazer render suas reservas, mesmo que pequenas”, incentiva Hamilton. As atuais taxas de juros e o baixo retorno de aplicações financeiras que exigem pouco aporte são um convite para entrar no setor.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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