Sete setores apresentam crescimento durante a pandemia

Sete setores apresentam crescimento durante a pandemia

O comércio digital despontou desde o início da pandemia, houve aumento de 91,6% no volume de compras pela internet, uma vez que sair de casa ficou mais difícil. Esse aumento fez a Reserva, marca de roupas masculinas, saltar 40% na sua receita. As pessoas passaram também a consumir mais produtos de higiene, o que colocou o setor de limpeza entre os que mais cresceram, passando de 8% em 2020. A Positiv.a lançou 48 novos produtos nesse período. Houve até empresa que, apesar do aumento na busca por tintas, uma vez que a construção civil também viu seus números elevarem, abriu espaço na produção para fabricar produtos à base de álcool 70%. Isso ajudou a Anjo Tintas a faturar R$ 585 milhões no ano passado, investindo também em Gestão 4.0 para escalar o negócio.

Outro expressivo aumento tem ligação direta com o consumo, com o aumento do endividamento, os brasileiros também buscaram alternativas de renegociar débitos. A Quite Já registrou 1,45% no crescimento de acordos firmados. A Zipdin viu aumentar em 27% a busca por crédito consignado no mês de março, enquanto a Mobills cresceu 47% em faturamento no ano passado com downloads e assinaturas de seu aplicativo para finanças pessoais.

Na contramão da crise, o empreendedorismo digital foi um dos que mais chamou atenção no período. A HeroSpark, que hospeda cursos online e cria soluções para empreendedores digitais, disparou em 272% suas buscas, em comparação com 2020. Não há dúvidas de que o setor de saúde viu sua demanda elevar da mesma forma que outros. A Domicile, empresa de Home Care, registrou um salto de 40% na busca por esse serviço e a empresa anunciou até mesmo uma fusão com outra do mesmo segmento. Mas, houve também quem ocupasse a saúde mental, o que fez aumentar o número de assinantes de streaming, elevando a preferência pelo serviço em 98%. Só o ZoOme.TV recebeu 400 novos usuários por hora em março.

Confira os detalhes de cada um dos 7 segmentos:

Higiene

De acordo com a Euromonitor a venda neste segmento aumentou 8,5% em 2020 em relação ao ano anterior. A covid-19 impulsionou o aumento de 22% nas vendas de desinfetantes, de 13% nas de água sanitária e de 12% nas de produtos multiuso. A Positiv.a, empresa B que cria soluções para cuidar da casa, do corpo e da natureza, aumentou seu faturamento em 96% no ano de 2020, em comparação com o período anterior, além disso, a marca lançou 48 novos produtos para compor sua linha de autocuidado e de limpeza de produtos 100% sustentáveis.
“Temos investido principalmente no aumento do time, na criação de novas áreas, como a de tecnologia e na melhoria dos nossos processos e estrutura de gestão. Com isso, conseguiremos manter o crescimento pela capacidade de evolução do nosso portfólio de produtos, aumento da rede de parceiros e a melhoria da experiência entregue aos clientes”, destaca Leandro Menezes, co-CEO da Positiv.a.

Varejo

As vendas pelo e-commerce cresceram 91,6% em comparação ao primeiro trimestre de 2020, como aponta uma pesquisa feita pela Mastercard. A Reserva, marca de roupas masculinas, é uma das empresas que se adaptou ao varejo online e acelerou em 284% a venda pelos seus canais digitais. Além desse avanço registrado em 2020, considerando todos os pontos de vendas físicos e digitais, a marca aumentou 40% de sua receita em relação ao ano anterior.

“Antes mesmo da pandemia acontecer, nós já tínhamos implementado o NOW, software próprio de CRM onde os vendedores têm acesso a um banco de dados dos clientes para atender cada um com exclusividade e o WhatsApp Business, que permite essa troca rápida entre vendedores e clientes na plataforma. Então, para nós, essa adaptação ao momento foi muito mais rápida e fácil, já que os nossos clientes estavam acostumados com o contato próximo pelos canais digitais”, conta Rony Meisler, CEO da AR&Co.

Indústria

Quem também elevou seu faturamento foi a Anjo Tintas, a fabricante cresceu 7,34% e registrou faturamento de R$ 585 milhões em 2020. A empresa investiu em uma imersão e mentoria no Gestão 4.0 para aprimorar áreas como vendas, marketing e gestão de pessoas e escalar o negócio para triplicar seu faturamento. As obras e reformas contribuíram para esse crescimento e conseguiram protagonizar o setor de comércio e serviços no ano passado. “Esse movimento aconteceu porque as pessoas estavam mais tempo dentro de casa e aproveitaram esse período para colocar os reparos em ordem”, destaca Filipe Colombo, CEO da Anjo Tintas.

Mesmo com o momento positivo para o segmento, a empresa optou por não se manter confortável e decidiu ousar com movimentos para potencializar o seu crescimento. Assim, lançou uma linha de produtos de higienização à base de álcool 70% e investiu em educação executiva para tomar decisões estratégicas e táticas de forma mais assertiva.

Empreendedorismo digital

Empresas de todos os portes começaram a ficar ainda mais ativas no ambiente digital e, por consequência, nas redes sociais. Com esse movimento surgiram novas demandas, negócios e pequenos empreendedores digitais. A HeroSpark, startup especialista em soluções para empreendedores que buscam criar e vender ebooks e cursos online, por exemplo, assistiu um aumento na busca pelo seu serviço. No comparativo entre os últimos dois meses de 2019 contra o mesmo período de 2020 foi de 11 vezes mais. Já no comparativo entre janeiro e abril de 2020 contra o mesmo período de 2021 a busca pela solução alavancou 272%.

Saúde

Analisando apenas o segmento médico-hospitalar, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) constatou que as operadoras tiveram um lucro líquido acumulado de 15 bilhões de reais nos três primeiros trimestres de 2020, em valores aproximados. Um resultado 66% maior que no mesmo período de 2019, quando tinham acumulado 9 bilhões de lucro.

Em março, a Domicile, empresa de atenção hospitalar em domicílio, e a gestora de private equity Crescera Capital (que em 2020 adquiriu uma fatia da Domicile), anunciaram a fusão com a Homedical, companhia curitibana de home care. A operação fez as empresas atingirem uma carteira de 5 mil pacientes e mais de 30 convênios médicos em sua rede, além da expansão do modelo de home care para mais de 210 municípios em todos os estados brasileiros. O atendimento home care teve um aumento de 40% na Domicile, com a adesão da modalidade por convênios durante a pandemia.

Fintechs

Em 2020, os aplicativos financeiros registraram a segunda categoria mais alta em termos de número de aplicativos e a sexta maior em total de instalações. Em 2019 essa quantia já era de 80% de crescimento em novos downloads, segundo a AppsFlyer. A Mobills, startup de gestão de finanças pessoais, surfou nesse crescimento das fintechs. Em 2020, aumentaram o faturamento da empresa em 47% em relação ao período anterior e a previsão para este ano é subir esse número em 67%. Em relação ao aplicativo, só no ano de 2020, foram mais de um milhão de downloads, o que leva ao número acumulado de mais de 8 milhões de downloads desde a criação do app.

Carlos Terceiro, CEO e fundador da startup, destaca que 2020 foi um ano cheio de surpresas, mas que também proporcionou muitas oportunidades de expandir e crescer, com a criação de novas áreas e metodologias, implantação de vários novos benefícios e a possibilidade de contratações em todo o Brasil. “O maior ativo de uma empresa são as pessoas. Aqui levamos isso muito a sério, por isso, o principal investimento foi feito em pessoas e esse continua sendo o principal aporte para que o nosso crescimento continue acontecendo”.

Zipdin, techfin, autorizada a funcionar pelo Banco Central, através de uma plataforma 100% digital e que tem o objetivo de oferecer crédito a empresas e pessoas, foi uma das empresas que, em março, identificou aumento de 27% nas buscas por soluções de crédito consignado. Em relação ao fechamento do trimestre, a plataforma afirma que houve crescimento de 12,01%.

Outro exemplo é a QuiteJá, plataforma de recuperação de crédito. Mesmo com um cenário econômico instável, em março, a empresa registrou uma ligeira melhora de 1,45% em relação aos novos acordos firmados. Dentre os estados que mais se destacaram, estão Pará (10,24%), Piauí (10,45%), Rondônia (15,69%) e Santa Catarina (15,66%). Se tratando de boletos pagos, a fintech identificou crescimento de 8,03%.

Streaming

Por conta do isolamento social, muitas pessoas passaram a buscar outras alternativas de produtos e serviços para consumir e 98% dos internautas optaram pelas plataformas de streaming, de acordo com uma pesquisa publicada pelo Kantar Ibope Media em março de 2020. Para se ter uma ideia, esse setor teve um crescimento de 61% em 2020. Com tantos desafios que surgiram para diversos setores, algumas empresas observaram oportunidades para desenvolver serviços diferenciados que atendessem a uma crescente demanda. É o caso da ZoOme.TV, uma nova plataforma de streaming de vídeo que foi ao ar em março de 2021 e na semana do seu lançamento alcançou a marca de 400 novos usuários por hora.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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