O aumento de um ponto porcentual da taxa Selic, que passa de 5,25% para 6,25% ao ano, anunciada nesta quarta-feira pelo Comitê de Política Monetária, repercutiu nos meios empresariais e financeiros. Para o presidente da presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf (foto), esta nova alta, juntamente com o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), penaliza as pessoas e as empresas num momento de frágil recuperação dos impactos econômicos da pandemia.
Segundo Skaf, o percentual da renda das famílias comprometido com dívidas é recorde. Saltou de 49,4% em junho de 2020 para 59,2% em maio de 2021 (último dado disponível). O aperto monetário agrava esse quadro de endividamento, reduzindo o consumo das famílias e prejudicando a atividade econômica
“Para as empresas, além de aumentar o custo do crédito, vai tirar competitividade e dificultar a retomada do investimento. Aumentar a Selic e o IOF na atual conjuntura prejudica a necessária retomada econômica sustentada com a geração de empregos e de renda de que o Brasil tanto precisa”, alerta Skaf.
Consumo vai cair
“As taxas para crédito serão mais altas e isso acaba contribuindo para a diminuição do consumo”, disse Marcel Solimeo, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). “Como estamos vindo de recuperação de perdas causadas pela pandemia, essa diminuição de prejuízo vai ocorrer um pouco mais lenta do que poderia nestes próximos meses”, explicou.
O impacto acaba sendo ainda mais perceptível no varejo também por conta da recente elevação do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro (IOF) que já está em vigor em todo o País.
A ACSP e a Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) já pediram uma audiência com o ministro da Economia Paulo Guedes para tratar deste assunto. A proposta das entidades é que este aumento incida somente em transações acima de R$ 100 mil, o que preservaria, pelo menos, as micro e pequenas empresas do País.
Medida Necessária
A Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) considera que a decisão desta quarta-feira (22) do Copom de elevar a taxa básica de juros (Selic) de 5,25% para 6,25% foi uma medida necessária para conter o avanço da inflação no País.
Mesmo com o aumento, a taxa de juros se encontra em um baixo patamar, principalmente ao avaliar o histórico brasileiro em que a Selic quase sempre esteve acima de dois dígitos. A taxa de juros real segue negativa, o que configura um excelente momento para investimento em imóveis.
Para o presidente da Abrainc, Luiz França, “as condições para aquisição da casa própria permanecem atraentes, a contratação de crédito imobiliário continua crescendo e a elevação da Selic não vai inviabilizar os planos de quem está em busca de um imóvel.”