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Trabalho duro x trabalho inteligente: o mito do sucesso garantido pelos workaholics

É sabido que o excesso de trabalho é, mascarado de trabalho duro, romantizado e até mesmo endeusado em algumas situações. A pandemia causada pela Covid-19 piorou esse cenário já que o home office ampliou a carga horária do trabalho. Uma das consequências deste “trabalho duro” foi o aumento da síndrome de Burnout. Um estudo realizado pela agência Gallup, com quase 7.500 empregados, constatou que 23% dos funcionários relataram sentirem-se esgotados no trabalho com frequência ou sempre. Já 44% informaram sentir o esgotamento às vezes.

Recentemente, a Síndrome de Burnout foi oficializada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma síndrome crônica. Enquanto um “fenômeno ligado ao trabalho”, a OMS incluiu o Burnout na nova Classificação Internacional de Doenças (CID-11), que deve entrar em vigor em 1º de janeiro de 2022.

Segundo a Secretaria Especial de Previdência e Trabalho, na comparação entre os anos de 2017 e 2018, o crescimento de afastamentos por esgotamento do trabalho chegou a 114,80%, indo de 196 para 421 casos.

O trabalho excessivo não significa sucesso profissional

Boa parte da nossa população ainda é cética em relação a revisar a noção de ter que trabalhar duro para ter sucesso. Afinal, ouvimos isso desde que nos entendemos por gente. Um experimento feito na subsidiária japonesa da Microsoft provou que uma jornada de trabalho de apenas quatro dias por semana é boa tanto para o trabalhador quanto para os negócios da empresa.
O teste fez parte do projeto Work-Life Choice Challenge, uma experiência feita na empresa durante o verão de 2019 (que, no Japão, ocorre entre julho e setembro) como forma de testar se é possível garantir não apenas uma melhor qualidade de vida para o trabalhador, mas também aumentar a produtividade e a criatividade dele no período em que fica na empresa. A premissa mais importante era que se conseguiria tudo isso diminuindo a quantidade de dias trabalhados.

Além de trabalhar por apenas quatro dias por semana, o experimento também colocou um limite de meia hora para qualquer reunião no período, encorajando que os funcionários se comunicassem de maneira remota e, obviamente, que fossem mais sucintos e efetivos nas reuniões.

A iniciativa foi um tremendo sucesso: no geral, a produtividade da empresa aumentou 40% no período e essa redução de tempo trabalhado também se traduziu em menos despesas: por diminuir a quantidade de reuniões e fechar o escritório na sexta-feira, o número de páginas impressas diminuiu em 58,7% quando comparado com o mesmo período do ano anterior, e o consumo de eletricidade também caiu 23,1%.

Essa história não é uma exceção. Na Nova Zelândia, por exemplo, também foi replicado o estudo, que fez de Andrew Barnes, um empresário neozelandês, um verdadeiro embaixador do conceito.

Semana de 4 dias

A Week Global, uma comunidade sem fins lucrativos que conecta pessoas que enxergam a ideia da “semana de quatro dias” como parte do futuro do trabalho. De importantes pesquisas e experimentos podemos deduzir que o trabalho duro é muito diferente do trabalho inteligente.

Nesse processo de atingir o objetivo, já nos deparamos com o achismo de que devemos ser multitarefas, mas às vezes, a ideia de multifoco é confundida com multitarefa, porém são conceitos muito diferentes. Por exemplo, enquanto alguém checa mensagens no celular, está dividindo o foco, já uma pessoa com multifoco, se dedica 100% às atividades diferentes quando as realiza. Por isso, é preciso ser multifocal e não multitarefa.

Por fim, deixo aqui uma reflexão: afinal, das 8 horas que você está atrás de uma mesa, quantas exatamente está focado naquilo que deveria fazer? Você está comprometido a terminar aquilo que iniciou?
Mirian Gasparin
Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 44 anos na área de jornalismo, sendo 42 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 11 anos de blog, mais de 20 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 18 prêmios, com destaque para Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.
https://www.miriangasparin.com.br

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