Aumento das importações faz superávit comercial cair 15% em setembro

Aumento das importações faz superávit comercial cair 15% em setembro

O aumento das importações decorrente da recuperação da economia fez o superávit comercial cair em setembro. No mês passado, o país exportou US$ 4,322 bilhões a mais do que importou, mas o resultado é 15% inferior a setembro de 2020, pelo critério da média diária.

No último mês, as exportações somaram US$ 24,284 bilhões, alta de 33,3% sobre setembro de 2020, pelo critério da média diária. As exportações bateram recorde histórico para todos os meses desde o início da série histórica, em 1989. No entanto, as importações cresceram mais e totalizaram US$ 19,962 bilhões, alta de 51,9% na mesma comparação. Esse foi o segundo maior valor importado para o mês, só perdendo para setembro de 2011.

A alta nas exportações foi influenciada, principalmente, pela valorização das commodities (bens primários com cotação internacional) no último mês. Em setembro, o volume de mercadorias embarcadas aumentou 3,8% em relação ao mesmo mês de 2020, mas o preço médio subiu 30%. Em relação às importações, o volume de bens comprados do exterior elevou-se 23,6%, motivado pelo reaquecimento da economia. Os preços médios subiram 22,3%.

Com o resultado de setembro, a balança comercial acumula superávit de US$ 56,433 bilhões nos nove primeiros meses do ano. O resultado é 38,3% maior que o dos mesmos meses de 2020 e é o maior da série histórica para o período.

Setores

Em setembro, todos os setores registraram crescimento nas vendas para o exterior. Perto do fim da safra de grãos, o valor das exportações agropecuárias subiu 12,4% em relação a setembro do ano passado. Os principais destaques foram madeira bruta (224,3%), soja (57,9%) e café não torrado (10,2%). Apesar de a seca e as recentes geadas terem reduzido o volume de exportações em 15,7% na mesma comparação, a valorização média de 33,5% nos preços garantiu o aumento do valor exportado no setor.

Beneficiada pela valorização de minérios, as exportações da indústria extrativa aumentaram 41,1% em relação a setembro do ano passado. Os destaques foram petróleo bruto (61,1%), minérios de cobre e seus concentrados (84,3%) e minério de ferro e seus concentrados (30,9%).

As vendas da indústria de transformação subiram 36,2%, impulsionadas por produtos semiacabados de ferro ou aço (235,6%), combustíveis (173,1%) e carne bovina industrializada (85,7%).

Do lado das importações, as compras do exterior da agropecuária subiram 40,6% em setembro na comparação com setembro do ano passado. A indústria extrativa registrou alta de 240% e a indústria de transformação teve crescimento de 46,6%. Os principais destaques foram gás natural (552,9%), adubos e fertilizantes (126,6%), medicamentos e produtos farmacêuticos (228,9%) e combustíveis (86,17%).

Previsão

O governo diminuiu de US$ 105,3 bilhões para US$ 70,9 bilhões a previsão de superávit da balança comercial neste ano. Apesar da queda, o resultado anual será recorde caso se confirme. A estimativa já considera a nova metodologia de cálculo da balança comercial. As projeções estão mais otimistas que as do mercado financeiro.

A nova previsão está mais em linha com as estimativas do mercado financeiro. O boletim Focus, pesquisa com analistas de mercado divulgada toda semana pelo Banco Central, projeta superávit de US$ 70,7 bilhões neste ano.

Metodologia

Em abril, o Ministério da Economia mudou o cálculo da balança comercial. Entre as principais alterações, estão a exclusão de exportações e importações fixas de plataformas de petróleo. Nessas operações, plataformas de petróleo que jamais saíram do país eram contabilizadas como exportação, ao serem registradas em subsidiárias da Petrobras no exterior, e como importação, ao serem registradas no Brasil.

Outras mudanças foram a inclusão, nas importações, da energia elétrica produzida pela Usina de Itaipu e comprada do Paraguai, num total de US$ 1,5 bilhão por ano, e das compras feitas pelo programa Recof, que concede isenção tributária a importações usadas para produção de bens que serão exportados. Toda a série histórica a partir de 1989 foi revisada com a nova metodologia.

Agência Brasil

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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