Mais de 86 milhões de pares de calçados foram exportados até setembro

Mais de 86 milhões de pares de calçados foram exportados até setembro

As exportações de calçados seguem em alta. Dados elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) apontam que, entre janeiro e setembro, foram embarcados 86,2 milhões de pares, que geraram receitas de US$ 618,45 milhões, incrementos de 33,7% em volume e de 26,3% em valor na relação com o mesmo período do ano passado. Já comparando com os níveis pré-pandemia, em 2019, os resultados são 1% superiores em pares e 15,7% inferiores em receita. Segundo a Abicalçados, com a alta do dólar, os calçadistas conseguem formar preços mais competitivos mantendo a rentabilidade em real.

Segregando apenas o mês de setembro, as exportações somaram 11 milhões de pares, que geraram receitas de US$ 77 milhões, ou o correspondente a 35,7% em volume e 46% em valor em relação aos números do mesmo mês do ano passado. Já no comparativo com os registros de setembro de 2019, foram registradas alta em volume (+10%) e queda (-8%) em receita.

O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, destaca que o mercado externo, especialmente os Estados Unidos, tem puxado a recuperação da indústria de calçados. “A expectativa é encerrar o ano com os resultados 25% melhores do que no ano passado, inclusive superando os números da pré-pandemia, em 2019”, projeta, ressaltando que os índices do segundo semestre vêm sendo mais baixos em função da base de comparação mais forte da segunda parte de 2020, quando a indústria já dava sinais de uma retomada mais consistente no mercado internacional. Para o ano, a estimativa da Abicalçados é encerrar com a soma de 118 milhões de pares embarcados.  

Destinos

O principal destino do calçado brasileiro no exterior segue sendo os Estados Unidos, para onde foram embarcados, entre janeiro e setembro, 10 milhões de pares, que geraram US$ 153 milhões, incrementos tanto em volume (+52,7%) quanto em receita (+41,7%) na relação com igual período do ano passado. “Mais do que isso, as exportações para os Estados Unidos, em 2021, já superaram o nível pré-pandemia. Frente ao mesmo período de 2019, as exportações, em pares, cresceram 11%”, comemora Ferreira.

Entre janeiro e setembro, o segundo destino do calçado brasileiro foi a Argentina, para onde foram exportados 9,2 milhões de pares por US$ 80,6 milhões, altas tanto em volume (+79,7%) quanto em receita (+57%) ante o mesmo ínterim do ano passado. Assim como os Estados Unidos, os níveis de exportações para a Argentina já superaram os de 2019, em 26%.

O terceiro destino do produto verde-amarelo nos nove meses do ano foi a França. No período, os franceses importaram 5,3 milhões de pares, pelos quais foram pagos US$ 42,63 milhões, incremento de 3% em volume e queda de 1,5% em receita no comparativo com o intervalo correspondente de 2020.

RS é o maior exportador de calçados

Respondendo por 44% do total gerado com as exportações de calçados, o Rio Grande do Sul segue como o principal exportador do setor. Entre janeiro e setembro, as fábricas gaúchas embarcaram 22 milhões de pares, que geraram US$ 272,24 milhões, altas tanto em volume (+41%) quanto em receita (+22,5%) ante o mesmo período do ano passado.

O segundo estado exportador do período foi o Ceará. Nos nove meses, saíram das fábricas cearenses 26,33 milhões de pares, pelos quais foram pagos US$ 147,53 milhões, incrementos tanto em volume (+24,2%) quanto em receita (+22,3%) no comparativo com o período correspondente de 2020.

Com incrementos de 33,2% em volume e de 32% em receita gerada, o terceiro exportador de calçados do Brasil, nos nove meses do ano, foi São Paulo. Das fábricas paulistas, partiram 6 milhões de pares, que geraram US$ 65,25 milhões.

Importações da Indonésia e China em alta

No mês de setembro, destaque para as importações de calçados da Indonésia, que somaram 268,74 mil pares por US$ 5,54 milhões, altas expressivas de 78% em volume e de 115,5% em receita na relação com setembro do ano passado. As importações da China também registraram incremento significativo no mês nove. O registro é da entrada de 180,6 mil pares por US$ 3,66 milhões, altas de 12,8% e 11%, respectivamente, ante o mesmo ínterim de 2020. “Preocupa o incremento das importações desses países, especialmente porque são oriundas de dumping – quando o preço para exportação é menor do que o do mercado interno, prática considerada ilegal pela Organização Mundial do Comércio (OMC)”, alerta Ferreira. Já no registro geral do mês, foram importados 1,24 milhão de pares por US$ 22,5 milhões, quedas de 33,8% e 15,5%, respectivamente, ante o mesmo intervalo de 2020.

No acumulado entre janeiro e setembro, as importações de calçados somaram 16,5 milhões de pares e US$ 234,73 milhões, quedas de 23,3% em volume e de 7,3% em receita na relação com igual período do ano passado. A principal origem do período foi o Vietnã. No período, foram importados 6,7 milhões de pares vietnamitas, pelos quais foram pagos US$ 131,8 milhões, quedas de 14% em volume e de 4,6% em receita no comparativo com o mesmo intervalo de 2020.

A segunda origem no acumulado foi a Indonésia, de onde foram importados 2 milhões de pares por US$ 38,26 milhões, queda de 12% em volume e incremento de 1,3% em receita na relação com o mesmo período do ano passado.

A terceira origem foi a China. Nos nove meses, foram importados de lá 5,72 milhões de pares por US$ 26,4 milhões, incremento de 5% em volume e queda de 7% em receita ante o mesmo período do ano passado.

Em partes de calçados – cabedais, solas, saltos, palmilhas etc – as importações, nos nove meses do ano, somaram US$ 19,35 milhões de pares, 26,4% mais do que no mesmo período do ano passado. As principais origens foram Paraguai, Vietnã e China.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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