Negócios com obras de arte continuam crescendo e atraindo um novo perfil de cliente

Negócios com obras de arte continuam crescendo e atraindo um novo perfil de cliente
São Paulo - Obra ‘A caipirinha’, de Tarsila do Amaral, é exposta na galeria Bolsa de Arte antes de ser leiloada por decisão judicial.

Um mercado que continua crescendo, mesmo com a pandemia, é o de obras de arte. E dois perfis de público têm movimentado os negócios do setor. O primeiro é o de investidores, uma vez que com a maioria das aplicações financeiras rendendo abaixo da inflação, apesar da alta dos juros, o investimento em obras de arte tem apresentado ganhos consideráveis no médio e longo prazo.

O segundo perfil de público que está girando os negócios nas galerias de arte é o de empresários, executivos e profissionais que passaram a trabalhar em home office. Junto com as reformas em suas residências que vieram para melhorar o ambiente de casa, que também passou a ser de trabalho, quadros de artistas reconhecidos e em ascensão estão compondo os ambientes. Só para se ter uma ideia do potencial, o mercado de obras de arte movimenta no Brasil, por ano, nada menos do que R$ 1 bilhão.

Eu conversei com a diretora da galeria Artestil, Liliana Cabral, e ela me informou que este ano as vendas de obras de arte apresentam um crescimento de 20% em relação a 2020, quando os negócios já haviam crescido 15%. A empresária me disse que devido às medidas restritivas em função da pandemia, boa parte das vendas vem sendo concretizada através do comércio eletrônico.

Segundo Liliana Cabral, investir em arte é seguro e um bom negócio, mas é importante avaliar na hora da compra o currículo do artista e sua atuação no mercado nacional e internacional, pois tudo isso contribui para a valorização da obra. Ainda, segundo a empresária, a função de uma galeria de arte é orientar o comprador na hora da aquisição de uma obra que tenha como foco além da beleza estética, o investimento.

Investimento e valorização

As obras de arte são colecionadas e negociadas como ativo financeiro há mais de 200 anos, sendo que o ato de colecionar pinturas e esculturas está entre os hábitos de 1% dos mais ricos há séculos. O relatório The Art Market 2020 apontou a diversificação e retorno como os principais motivos para se investir em artes.

Já a valorização é registrada à medida que um artista é legitimado pelo mercado. Então, as obras são disputadas e vendidas por valores cada vez mais altos.
Enquanto o artista é vivo, a valorização está relacionada a qualidade de produção; articulação com o mercado; como conecta sua história pessoal com sua produção e ao contexto histórico da época.

Quando o artista morre, não há mais produção de obras. Então a oferta diminui e os preços sobem. A valorização vai depender também da articulação da família do artista com galerias, curadores e críticos de arte.

Investimento para todos os bolsos

Em média entre 5% e 10% do patrimônio total dos investidores está sendo dirigido para investimentos em obras de arte.

E quem pensa que comprar uma obra de arte é exclusividade de ricos está enganado. A partir de R$ 10 mil é possível aplicar num fundo de investimentos em artes e se tornar co-proprietário de um acervo. O rendimento acontece depois que as obras são vendidas.

Segundo me contou o diretor de Investimento em Artes, da Hurst Capital, plataforma de investimentos alternativos, Augusto Salgado, a fintech  adquiriu duas obras de Di Cavalcanti (“Cena de Carnaval”, da década de 1950; e “Paisagem Marinha”, dos anos 1960) e lançou uma operação para quem quiser investir. O investimento deve proporcionar aos aplicadores um rendimento de 16% ao ano durante o período de 18 meses. A expectativa de valorização foi calculada com base no histórico analisado das transações ocorridas em leilões públicos nos últimos 23 anos.

Operação Di Cavalcanti

Augusto Salgado informa que a Operação Di Cavalvanti da Hurst Capital se concretiza ao realizar a venda das obras, gerando dois fluxos caixa. Para estimar o valor de venda, foram utilizados como base os valores de avaliação e então projetados individualmente através da taxa de valorização. Dessa forma, a cada mês de operação, o valor de venda das obras é atualizado. A partir do 6º e até o 24º mês de operação, as obras do acervo poderão receber ofertas de compra. As obras serão automaticamente vendidas caso a oferta de compra iguale ou supere o valor de venda estimado. Do 25º ao 36º mês, toda oferta de compra será comunicada aos investidores, que irão decidir por seguir ou não com a venda por meio de votação em plataforma fornecida pela Hurst Capital. Após esse período, as obras que ainda estiverem disponíveis para venda irão à leilão pelo valor de venda estimado, nas principais casas de leilão do Brasil e do mundo.

O diretor da Hurst explica que ao analisar o artista Emiliano Di Cavalcanti e antes de adquirir as duas obras de arte, foram avaliadas 1014 transações de venda ocorridas em leilões públicos entre os anos de 1997 e 2021. “Nessa avaliação foi identificado que, durante o período observado, obras selecionadas e de características similares valorizaram, em média, 8,68 % ao ano”.

Augusto Salgado me informou que as obras do acervo Di Cavalcanti foram adquiridas por cerca de 20% abaixo dos respectivos valores de mercado, conforme avaliação de terceiros.

Gravuras

Também é possível começar a investir a partir de R$ 1 mil adquirindo gravuras assinadas e numeradas de grandes artistas nacionais, e em telas de artistas jovens que estão se destacando no cenário nacional e internacional, informa a diretora da Galeria Artestil, Liliana Cabral.

A gravura é uma forma acessível de ter um grande artista na decoração da casa além de que a gravura é um investimento que nunca vai ter o preço desapreciado. Se bem conservada no decorrer dos anos o seu valor tende a subi

 

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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