Pesquisa mundial indica crescimento de interesse por investimentos sustentáveis na AL

Pesquisa mundial indica crescimento de interesse por investimentos sustentáveis na AL
De acordo com o relatório Asset Allocation Insights 2021 da Mercer, que destaca as movimentações dos Fundos de Pensão em mercados em desenvolvimento, os investimentos sustentáveis ​​vêm despertando cada vez mais o interesse de investidores da América Latina, seguindo tendência global. Em meio aos desafios apresentados pela pandemia da Covid-19, são ativos que têm repercutido amplamente, se tornando uma prioridade, variando de situação de acordo com o mercado em questão.

No Brasil, por exemplo, a pesquisa Tendências de Investimentos 2021, feita com 53 entidades de previdência (englobando 219 Planos) locais aponta que cerca de 23% delas indicam que têm uma política de investimento responsável bem implementada, enquanto cerca de 41% das grandes entidades e 31% das médias e pequenas possuem também, mas precisam melhorá-la. No Chile, Colômbia e Peru, várias Associações de Fundos de Pensão aderiram a algum tipo de programa de investimento responsável, considerando questões ESG em suas políticas e estratégias de investimento.

“Diante dos alertas com relação às mudanças climáticas e da retomada dos EUA ao grupo de países comprometidos em mitigar os impactos no planeta, a alocação de ativos em ESG vem se apresentando como uma tendência mundial. Na América Latina, não poderia ser diferente, conforme constatamos em pesquisas com Fundos de Pensão e acesso a fontes primárias de dados”, explica João Morais, líder de Wealth da Mercer Brasil. “Em breve, governos dos países na região devem publicar novas orientações de ESG voltadas a investimentos de Fundos de Pensão”, completa.

Já a alocação média de ativos dos Fundos de Pensão da América Latina é relativamente conservadora em comparação com a média geral da pesquisa. Argentina e Brasil são os que apresentam maior percentual de aplicações de renda fixa na região, ambos acima de 70%. Sem contar esses dois países citados anteriormente, a alocação média para renda fixa foi de 60,6%. No ano passado, a alocação geral de renda fixa diminuiu modestamente, com ligeiros aumentos em outros segmentos como os produtos alternativos. No total, para a América Latina, as alocações de renda fixa continuam a ser dominadas por ativos domésticos, ao passo que as alocações de private equity têm se tornado cada vez mais diversificadas em mercados estrangeiros ao longo de todo o período de medição.

Fiona Dunsire, Líder Regional de Wealth da Mercer, observou que muitos investidores se voltaram com sucesso para novas formas de fornecer governança e supervisão de seus investimentos. “A tomada de decisão ágil e a supervisão de investimentos tornaram-se ainda mais desafiadoras em 2020”, afirmou ela. “Embora muitos investidores tenham mostrado que estavam à altura da tarefa, muitos podem ter perdido algumas das oportunidades apresentadas pelos mercados”.

O relatório da Mercer destaca como os investidores de Fundos de Pensão estão evoluindo em todo o cenário de investimento global, enquanto atendem seus beneficiários e partes interessadas localmente. O documento resume as decisões que os investidores na América Latina, Oriente Médio, África e Ásia – representando mais de US ﹩5,3 trilhões em ativos sob gestão – estão tomando com suas estratégias de investimento.

Principais destaques

• A alocação de ativos permaneceu relativamente inalterada no ano passado. No entanto, a Mercer viu investidores de alguns mercados, como Indonésia e Argentina, aumentarem marginalmente sua exposição em classes de menor risco em 2020, evidenciando um posicionamento mais conservador, bem como a necessidade de liquidez para atender a fluxos de saída relacionados à Covid-19.

• Os aumentos de alocações em ações e reduções no segmento de renda fixa são evidentes desde o início da pesquisa, com recuo no segmento de Renda Fixa de 56,7% para 50,9%, quando comparado ao período inaugural (7 anos atrás).

• No total, as carteiras de ações têm aumentado sua exposição em ativos estrangeiros e agora possui posição ligeiramente maior (51% no exterior e 49% no doméstico) embora o home bias (preferência doméstica) permaneça. Com uma carteira com foco doméstico, os investidores expõem suas posições a riscos desnecessários, renunciando algumas fontes benéficas de retorno. Mesmo aqueles que enfrentam restrições em seus países de origem podem ganhar valiosa experiência se forem capazes de acessar algum nível de diversificação global.

• Mudanças em direção a investimentos alternativos (4,2% das alocações consolidadas na pesquisa) foram interrompidas no ano passado em geral, embora com aumentos em alguns segmentos. O Peru tem a maior alocação na pesquisa, principalmente por meio de private equity, incluindo investimentos secundários e imóveis. Coréia do Sul, Colômbia e Taiwan também têm exposições relativamente relevantes, ligeiramente acima de 10% de alocação. A Mercer espera maiores ganhos dos investidores no segmento à medida em que busquem aumentar a diversificação e os retornos ajustados ao risco.

• Os investidores estão mudando o foco para abordar as tendências de mercado, como sustentabilidade ESG, governança e taxas, que se tornaram ainda mais importantes em meio aos desafios apresentados pela Covid-19. A sustentabilidade e o investimento responsável, têm repercutido amplamente à medida com que os investidores e governos priorizam essas questões, ainda que os mercados individuais estejam em pontos diferentes ao longo da jornada.

A análise neste relatório incorpora informações de 16 mercados, incluindo percepções empíricas e comentários para mercados onde os dados externos não estão disponíveis, incluindo a região do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), China Continental, Filipinas e Cingapura.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *