Pobreza infantil e desemprego: pandemia contribuiu para o aumento das desigualdades

A pandemia causada pelo novo coronavírus aumentou as desigualdades sociais e impactou diretamente a vida das crianças, principalmente as que vivem em situação de vulnerabilidade. É o que mostra o levantamento feito a partir de microdados da Pnad Contínua, do IBGE, pelo economista Naercio Menezes Filho, pesquisador do Centro de Gestão e Políticas Públicas do Insper e membro do comitê científico do Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI). Os dados foram apresentados durante o IX Simpósio Internacional de Desenvolvimento da Primeira Infância .
Segundo o estudo, o desemprego afetou muito mais os pais com menor escolaridade e as famílias negras, indígenas e pardas. Em 2020, cerca de 57% dos pais menos escolarizados trabalhavam, contra quase 73% entre os mais graduados. Já a taxa de ocupação para pais de famílias com crianças de zero a seis anos caiu 12% entre pretos, pardos e indígenas, contra 7% para pais brancos e amarelos.
“É necessário quebrarmos esse ciclo intergeracional de pobreza. Ele afeta as crianças em diversos aspectos. O desemprego de adultos nos dias de hoje pode ocasionar o desemprego dos seus filhos no futuro. A falta de renda gera consequências no desenvolvimento das habilidades cognitivas e socioemocionais das crianças”, explica Naercio Filho.
O impacto da pandemia nos diferentes recortes de raça e educação se reflete também no ensino à distância. Crianças com famílias com menos educação tiveram menos atividades escolares feitas em casa do que as com escolaridade maior (83% contra 87%). Crianças de famílias brancas realizaram mais atividades escolares que as não brancas (87% contra 84%).
Já sobre economia, um levantamento feito pelo pesquisador mostra que programas de complemento de renda, como o Bolsa Família, não são suficientes para tirar as famílias vulneráveis da situação de pobreza. De acordo com os dados inéditos, o Brasil tem 38,1% de famílias elegíveis que não fazem parte do programa e metade das famílias com crianças continuam pobres mesmo depois de receber o benefício (50,1%).








