Quase 80% dos brasileiros gostariam de deixar de usar dinheiro no futuro

Quase 80% dos brasileiros gostariam de deixar de usar dinheiro no futuro

O consumidor brasileiro é entusiasta de um futuro livre do uso de dinheiro físico para pagamentos. É o que aponta a pesquisa “Terceira Onda de Inovação Fintech”, realizada pelo PayPal, líder mundial em pagamentos eletrônicos. Ao todo, 79% dos respondentes brasileiros disseram gostar da ideia de não ter de usar dinheiro, índice acima dos demais mercados pesquisados – 72% dos chineses gostariam do futuro sem cédulas e moedas, seguidos por 58% dos estadunidenses e 40% dos alemães. Mais de um terço de todos os respondentes relatou altos níveis de entusiasmo em eliminar o dinheiro físico de suas vidas.

A pesquisa “Terceira Onda de Inovação Fintech” foi realizada pela equipe de Política Pública e Pesquisa do PayPal e envolveu um público de 4.000 pessoas em quatro mercados – EUA, China, Brasil e Alemanha. A pesquisa buscou entender melhor como os consumidores estão acessando serviços financeiros; como a evolução das tecnologias pode melhorar o acesso financeiro e a saúde financeira; e as condições e requisitos para inovação responsável e equitativa no setor de fintech.

“O PayPal é considerado a primeira fintech do mundo, criado em 1998, no Vale do Silício, na Califórnia. Desde então, a empresa vem moldando seu modelo de negócios e abraçando novas tecnologias, sempre oferecendo a seus clientes experiências de pagamentos que se integrem aos novos hábitos e demandas. Esta pesquisa aponta caminhos e contribui para a construção dos próximos pilares da digitalização da economia e do setor de pagamentos digitais”, analisa Leonardo Sertã, Head de Desenvolvimento de Mercados do PayPal para a América Latina.

Criptomoedas dos Bancos Centrais

Os respondentes da pesquisa nos quatro mercados expressaram pontuações esmagadoramente altas ao se classificarem como “extremamente” ou “de certa forma propensos” a usar uma moeda digital de um Banco Central (Central Bank Digital Currency – CBDC), embora os totais fossem mais altos na China e no Brasil em comparação com EUA e Alemanha.

Enquanto os consumidores mais jovens – especialmente os Millennials (pessoas nascidas entre 1981 e 1996) – foram os mais propensos a querer usar a CBDC, uma maioria substancial de quem prioriza dinheiro atualmente também indicou certa ou extrema probabilidade de usar a CBDC. Este último ponto apoiaria o potencial para um futuro sem dinheiro e ressalta a importância de trazer atributos semelhantes ao dinheiro físico para o dinheiro digital emitido pelo governo.

“É importante ressaltar a influência do contexto local. Estamos acompanhando o grande entusiasmo com o PIX, que pode ter influenciado positivamente a percepção acerca da digitalização, deixado a população mais aberta e interessada por uma criptomoeda de um Banco Central”, analisa Sertã.

Apesar das altas pontuações para uso futuro de CBDC, os entrevistados expressaram níveis mistos de entusiasmo por soluções de identidade digital em substituição às carteiras de identidade físicas, algo que se tornaria pré-requisito para o uso geral de CBDC. Novamente, os brasileiros e os chineses se mostram entusiastas da digitalização em comparação com outros mercados – 57% dos consumidores no Brasil e 70% dos consumidores na China indicaram preferência por carteiras de motorista digitais, por exemplo. Já cerca de 71% dos entrevistados nos EUA e na Alemanha indicaram uma preferência por portar uma carteira de motorista física em vez de uma versão digital.

Essa descoberta pode indicar uma maior prontidão para soluções digitais em países não pertencentes à OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) e ressalta uma tensão com um futuro sem dinheiro nos EUA e na Alemanha, em países em que o conforto advindo dos pagamentos digitais pode se aplicar à noção de CBDC, mas não necessariamente à identidade digital. A ampla adoção da identidade digital provavelmente exigirá mais ações de marketing e educação dos setores público e privado no Ocidente.

Dinheiro ainda é o método preferido de pagamento

Com a aceleração da digitalização, incluindo compras online e pagamentos sem contato (contactless), muitos esperavam que a pandemia de COVID-19 acabasse com o domínio do dinheiro. No entanto, o dinheiro continua a ser importante e resiliente: os entrevistados pela pesquisa relataram que usam dinheiro físico ou moedas para pagar por itens do dia a dia em quase 50% das situações. No Brasil, o índice fica na casa de 38%.

Os resultados agregados da pesquisa indicam que a pandemia diminuirá o uso de dinheiro, mas talvez não tão drasticamente como alguns especialistas previram. Embora uma preponderância de entrevistados nos quatro mercados esteja usando menos dinheiro agora devido à COVID-19 e queira usar menos dinheiro daqui para frente , houve uma sólida minoria que indicou querer usar mais dinheiro em 2021 (26% dos respondentes brasileiros). Parte desse desejo poderia ser interpretado como entusiasmo por voltar a uma certa normalidade no pós-pandemia.

Para transações presenciais, o dinheiro continua sendo a forma de pagamento preferida em geral, embora os consumidores mais jovens relatem um uso relativamente maior de pagamentos eletrônicos. Em conjunto, essas descobertas indicam que, mesmo enquanto a sociedade caminha para o fim do dinheiro, há razões para acreditar que ele continuará popular entre os consumidores, pelo menos no curto a médio prazo.

Os principais motivos para usar dinheiro incluem o fato de ele não sofrer cobrança de taxas, a facilidade de uso em qualquer lugar, a capacidade de controlar melhor os gastos e o anonimato. Essas características do dinheiro são importantes para os usuários e devem fornecer um contexto importante para que possamos considerar as formas futuras de moeda.

“Sabemos que o uso do dinheiro físico é ainda uma necessidade, dada a grande parcela da população que ainda é desbancarizada. Temos de ter isso em mente ao pensarmos em soluções que fomentem a digitalização, reforçando sua simplicidade e compreensão – e precisamos ser capazes de continuar a promover a democratização dos serviços financeiros”, adiciona Sertã.

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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