Recuperação Judicial no setor sucroenergético ganha novas vertentes

É de conhecimento do meio que o setor sucroenergético é marcado por altos e baixos, sendo mais volátil que outros setores, pois tem diversas vertentes determinantes – como a alta do petróleo e baixa do dólar, entre outros, e também as possíveis quebras de safra, como estamos vivenciando agora, após o período de geadas.
Um exemplo disso é a Companhia São Martinho, que apesar da quebra de safra por contas das geadas, no segundo trimestre de safra, ainda teve lucro de R§368 milhões no mesmo período. Toda essa instabilidade do setor faz com que muitas empresas deste ramo tenham que recorrer à recuperação judicial.
“Voltando alguns anos, no passado, muitas usinas se transformaram em empresas fantasmas, com baixo faturamento, baixo funcionamento, grandes dívidas e problemas a resolver. Isso porque haviam poucas soluções. Umas dessas poucas que existiam era buscar alongamento de dívidas, que resultava em parcelas de muitos anos, como 10 , 15 anos ou até 20 anos”, destaca o especialista Douglas Duek (foto).
Para Duek, CEO da Quist Investimentos, que já atendeu mais de 100 empresas do agronegócio e, atualmente, está à frente da parte financeira da recuperação judicial da empresa Araporã Bioenergia (Usina Alvorada Açúcar e Álcool), atualmente, o setor chama atenção por diversos fatores positivos como a energia limpa e renovável, que resulta em interesse de outros fundos para se arriscarem no setor.
Ele ainda destaca que no caso da recuperação judicial existem diversas opções, como a entrada de um investidor – ação privilegiada e facilitada pela nova lei – e refinanciamento das dívidas, como os fundos que fazem um pacote, comprando as dívidas velhas, pagando os credores das dívidas e financiando estas para eles. “Uma outra opção é poder vender parte dos ativos, como uma de suas plantas ou um dos seus ativos separadamente, mesmo que estes tenham sido antigamente bloqueados ou estejam sem documentação adequada para a venda, pois o juiz pode fazer essa venda”.








