Reforma da Previdência completa 2 anos: entenda os efeitos da mudança

Reforma da Previdência completa 2 anos: entenda os efeitos da mudança
Neste mês de novembro, a Emenda Constitucional 103/2019, conhecida como reforma da Previdência, completou dois anos. Durante o período, as novas regras geraram impactos negativos na vida dos trabalhadores brasileiros que contribuem para o INSS, principalmente devido à crise econômica gerada pela pandemia, que ampliou o número de desempregados. Atualmente, existem 1,85 milhão de cidadãos aguardando na fila da concessão.

“Das diversas reformas implementadas nos últimos 20 anos, esta foi a que alterou de forma mais profunda o sistema de previdência pública do país, além de unificar as regras para o sistema previdenciário de trabalhadores do setor público e do setor privado”, explica Thiago Nieweglowski, professor dos cursos de MBA do ISAE/FGV. “Contudo, isso não significa que ela tenha atingido seu ápice em amplitude. Afinal, a emenda excluiu os militares e não levou em conta as realidades diversas em um país com dimensão continental”, diz.

Pela primeira vez, instituiu-se uma idade mínima para aposentadoria, iniciando em 56 anos para as mulheres e 61 anos para os homens, aumentando gradualmente até chegar em 62 e 65 anos em 2030. Também foi alterado o tempo mínimo de contribuição, que passou a ser de 15 anos. “O tempo mínimo é menor do que antes, mas não é vantagem, visto que dá direito a apenas 60% do benefício inicial, o qual pode ser aumentado em 2% para cada ano trabalhado a mais”, alerta o especialista. Já para os homens que começaram a contribuir após a reforma, o tempo mínimo é de 20 anos. Dessa forma, 100% do benefício inicial somente com 35 ou 40 anos de contribuição.

A reforma eliminou o Fator Previdenciário, por outro lado, alterou a forma de calcular o valor do benefício inicial. “Agora, o cálculo considera todas as contribuições feitas a partir de julho de 1994 e não mais as 80% melhores contribuições”, pondera Nieweglowski. Com relação à pensão por morte, o novo benefício é equivalente a 60% do valor calculado, somado a 10% por dependente adicional, se houver.

Mudanças em várias categorias

A reforma também promoveu diversas mudanças na aposentadoria dos servidores públicos, professores e policiais. Já para os trabalhadores próximos da aposentadoria ainda existem as regras de transição. “Atualmente, são pelo menos 9 opções possíveis, dentre regras de transição, tipos de aposentadoria e formas de cálculo de benefícios, o que torna indispensável consultar um especialista na hora de pedir ou aceitar o benefício”, aconselha.

Mas se para o trabalhador a aposentadoria ficou mais distante, pois muitos terão de esperar até atingir a idade mínima ou até se encaixar em uma das regras de transição, para o Governo os efeitos sobre o déficit ainda são bastante sutis. Ao final de 2020, o déficit do Regime Geral de Previdência Social (INSS), que era de R$ 213,2 bilhões em 2019, cresceu para R$ 259,1 bilhões. Este ano, estima-se que feche em torno de R$ 286,9 bilhões. “O valor é maior, mas representa uma pequena queda em percentual do PIB”, completa Thiago Nieweglowski.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *